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Agressões a mulher. MAI investiga e PSP diz não se rever na postura de sindicato

Agressões a mulher. MAI investiga e PSP diz não se rever na postura de sindicato

Carlos Diogo Santos 22/01/2020 19:58

Cláudia Simões foi alvo de agressões no último domingo. PSP está já a analisar a conduta do agente e o MAI anunciou hoje a abertura de um inquérito por parte da Inspeção Geral da Administração Interna.

Dois dias depois de o caso ter sido tratado exaustivamente por todos os meios de comunicação, o Ministério da Administração Interna, liderado por Eduardo Cabrita, decidiu tomar hoje uma posição: o caso da mulher alegadamente agredida por um agente da PSP na Amadora por não ter o passe de transporte para a filha vai ser investigado pela Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI).

“O Ministro da Administração Interna determinou à Inspeção Geral da Administração Interna IGAI a abertura de um inquérito para apuramento dos factos relacionados com a atuação policial ocorrida domingo, na Amadora, após o pedido de intervenção do motorista de um autocarro de passageiros”, anunciou fonte oficial.

No mesmo email era ainda referido que “a PSP transmitirá à IGAI todos os elementos da averiguação interna que tem estado a realizar”. O objetivo é perceber se as marcas de violência no rosto de Cláudia Simões são compatíveis com a força necessária para deter uma pessoa naquelas circunstâncias, tanto mais que num vídeo que registou a detenção é possível verificar que a mulher não tinha ainda sinais de agressões na face - o que poderá significar que o que quer que tenha provocado as marcas aconteceu em momento posterior à algemagem, uma tese que foi avançada desde o início pela alegada vítima.

Esta é já a terceira investigação, uma vez que a PSP já havia anunciado a abertura de um inquérito interno e estava já a correr uma participação crime que fora apresentada pela alegada vítima logo no dia seguinte a ter sido detida.

 

PSP pode participar de sindicato às autoridades

Hoje também a Direção Nacional da PSP fez saber que não se revia na posição do Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública, que nas redes sociais partilhou fotos dos braços do agente com marcas de mordidas e fez o seguinte comentário: “Foi neste estado em que ficou hoje o colega, ao intervir numa ocorrência na Amadora. As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a doenças graves. Contudo, a defesa da cidadã está a começar a ser orquestrada pelo ódiomor de brancos. Está tudo bem, não se passa nada”.

Ao i, fonte oficial da Direção Nacional fez saber que “a PSP não se revê em posições que discriminem ou diminuam qualquer tipo de pessoa”, adiantando que “quando existem posicionamentos públicos de racismo, xenofobia ou homofobia, a PSP denuncia internamente e às autoridades judiciárias”, admitindo que essa “é uma possibilidade” neste caso.

Cláudia Simões afirmou já em diversas entrevistas que quando o motorista do autocarro parou para denunciar a um PSP que estava sem passe da menor e a insultá-lo, o agente fez-lhe um mata leão. Depois disso foi algemada, havendo um vídeo que regista o momento.

“Quando me meteram no carro [de patrulha] eu não queria aquele polícia comigo e eles garantiram-me que ele ia noutro carro mas mentiram-me. Ele entrou para o meu lado enquanto outros dois agentes iam à frente. Durante o caminho todo fui esmurrada enquanto estava algemada. Ele gritava ‘filha da pu**’, ‘preta do car****’ e ‘co** da tua mãe’ enquanto me dava socos. Eu estava cheia de sangue e gritava muito. Então, subiram o volume da música para não me ouvirem na rua”, conta. 

Cláudia já foi constituída arguida e está sujeita à medida de Termo de Identidade e Residência pelos crimes de resistência e coação sobre agente da PSP.

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