28/11/20
 
 
Luís M. Correia 07/01/2020
Luís M. Correia

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Como melhorar a qualidade de experiência no seu telemóvel

Em qualquer sistema de comunicações móveis existe interferência proveniente da própria rede, sendo esta habitualmente mais grave em ambientes urbanos.

Por vezes temos problemas de comunicação com o nosso telemóvel em termos da utilização que fazemos dos serviços e aplicações, o que se pode designar por uma diminuição da nossa qualidade de experiência. Neste artigo pode obter algumas sugestões em como melhorar a sua qualidade de experiência.

Em termos genéricos, a avaliação de qualidade diferencia-se essencialmente entre as chamadas de voz e as ligações de dados. Nas primeiras, é importante termos uma boa qualidade de voz e não termos a ligação interrompida. Nas segundas, o principal é a velocidade de transmissão dos dados ser elevada, e o tempo de resposta baixo. No entanto, há algo que é fundamental em todos os casos, que é a qualidade do sinal com a nossa informação recebido no telemóvel, o nosso sinal, e que influencia os parâmetros referidos atrás.

A qualidade do nosso sinal pode ser medida de várias maneiras, sendo uma das mais importantes a relação sinal-ruído-mais-interferência (“signal-to-noise-plus-interference ratio” na literatura inglesa), que mede o quociente entre a potência do nosso sinal e a soma das potências dos sinais de ruído e de interferência que também recebemos, e que têm origens muito diferentes. Este quociente necessita de estar acima de um dado valor, mas não de ser o mais alto possível.

Um exemplo acústico (isto é, em termos da nossa voz e audição) permite perceber esta diferença. Imagine que está num restaurante a almoçar com um amigo e que o restaurante está cheio: a interferência é tudo o que ouve proveniente das conversas de outras pessoas presentes no restaurante; o ruído é tudo o que ouve com origem não humana, desde buzinas de carros a cadeiras a arrastar, passando por barulho de pratos, entre muitos outros. Qualquer destes perturba a nossa conversa e gostaríamos que os dois fossem tão baixos quanto possível; existe um certo valor mínimo da potência do nosso sinal que permite conversar confortavelmente, mas se o ruído e/ou a interferência aumentarem muito, teremos a tendência a falar mais alto (isto é, com um sinal de potência mais elevada), o que, por sua vez, pode levar a que as outras pessoas no restaurante também elevem o nível de voz, entrando-se num círculo vicioso que só pode levar a que esteja tudo a gritar dentro do restaurante sem que ninguém se entenda.

Em sistemas de comunicações móveis, o nosso sinal deve estar confortavelmente acima do ruído, o que acontece na maioria dos casos, sendo medido através das barrinhas que são visíveis no telemóvel (o “ter rede”, “ter sinal”, etc., é para nós visível precisamente através dessas barrinhas). Em ambientes urbanos, habitualmente, o nosso sinal está suficientemente acima do ruído, e só se formos para uma cave é que o nosso sinal fica fraco (ou seja, deixa de estar acima do ruído, o que impossibilita a comunicação). Em ambientes rurais poderemos ter problemas de cobertura, o que pode ser resolvido ao irmos para um local elevado, permitindo aumentar a potência do nosso sinal sem aumentar a do ruído, correspondendo à noção geral que se tem de cobertura em comunicações via rádio.

Contudo, no que diz respeito à interferência, a situação é distinta. Em qualquer sistema de comunicações móveis existe interferência proveniente da própria rede, sendo esta habitualmente mais grave em ambientes urbanos, nomeadamente se estivermos num local elevado (por exemplo, no topo de um edifício alto). Como a interferência vem das outras antenas de estações-base espalhadas pelo ambiente, quanto mais visibilidade tivermos a essas antenas, maior será a interferência. Claro que poderíamos resolver este problema aproximando-nos da antena de estação-base com a qual estamos a comunicar o nosso sinal, aumentando assim a sua potência, mas o problema é que, na generalidade dos casos, não sabemos onde está essa antena. Assim, a solução passa por diminuir a visibilidade às outras antenas como, por exemplo, afastando-nos das janelas, indo para o interior dos edifícios: estamos simultaneamente a atenuar o nosso sinal e a interferência mas, se o fizermos sem exagero, melhoramos a qualidade da nossa comunicação.

Espero ter contribuído para melhorar a sua qualidade de experiência, desejando-lhe boas comunicações em 2020.

 

Professor de Comunicações Móveis Instituto Superior Técnico

 


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