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Paralisação. Nem todas as empresas sentem da mesma forma

Paralisação. Nem todas as empresas sentem da mesma forma

AFP Photo Sónia Peres Pinto 14/08/2019 08:46

Para já, os aeroportos garantem que os abastecimentos têm decorrido com normalidade. Mas há negócios, como o rent-a-car, que falam em consequências graves.

Um dos rostos mais visíveis das consequências da greve dos motoristas de matérias perigosas poderá ser a ANA – Aeroportos de Portugal. Ainda assim, garante que “o abastecimento ao Aeroporto Humberto Delgado decorre com maior regularidade do que ontem [segunda-feira]”, acrescentando, no entanto, que “o fluxo de combustível ainda não é suficiente para retirar as medidas de restrição ao abastecimento das aeronaves”.

Esta reação surge depois de a empresa ter admitido esta segunda-feira que o ritmo de abastecimento estava a verificar-se “insuficiente, em níveis bastante abaixo do estipulado para serviços mínimos”, levando a restrições no aeroporto de Lisboa.

O constrangimento chegou a levar a companhia aérea low-cost easyJet a aconselhar os passageiros com viagens de e para Portugal a verificarem o estado do seu voo, bem como a deslocarem-se para os aeroportos nacionais com “tempo extra”, devido à greve dos motoristas.

“Aconselhamos todos os clientes com viagens planeadas de e para Portugal, nos próximos dias, a consultar o estado dos seus voos”, referiu a companhia aérea, pedindo ainda a quem tiver de passar por um aeroporto português para se deslocar com “tempo extra, porque o tráfego poderá ser maior do que habitualmente”.

Empresários falam em consequências graves Para a Associação Industrial Portuguesa (AIP), esta paralisação provoca consequências graves na economia, “demonstrando, desta forma, a inadequação da lei da greve na atual conjuntura económica e social”.

Em relação à decretação de serviços mínimos, a AIP manifestou a sua apreensão por considerar que existem setores da indústria transformadora com laborações condicionadas por falta de abastecimento (GN, GPL, azoto líquido e oxigénio) e que não são abrangidos por esta decisão.

Também para a Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC), esta crise energética provoca fortes constrangimentos para a atividade de rent-a-car. “A escassez de combustíveis condicionará a mobilidade dos turistas que nos visitam, afetando todas as atividades económicas que dependem do turismo –principal motor da economia nacional – em plena época superalta”, afirma, lembrando que já em abril, no decurso da greve, estas empresas depararam-se com a impossibilidade de abastecer os seus veículos. “Em agosto, esse impacto será de maior dimensão na medida em que se trata da época de pico da atividade, que este ano regista 110 mil veículos em frota”, salienta.

Esta preocupação alastra à Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), ao admitir que “no caso da agricultura, os estragos poderão levar as empresas à falência”. A explicação é simples: “Estamos numa altura de colheita, estamos a colher todo o investimento que estivemos a fazer durante um ano”.

Empresas que escapam Mas os alarmes não soam em todas as empresas. A Autoeuropa é uma das empresas que, para já, escapam a esta paralisação, pois a fábrica de Palmela está parada, tal como aconteceu em anos anteriores.

Este não é caso isolado. Também a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) garante que a maioria das empresas estão fechadas nesta altura do ano. No entanto, a associação admite que o problema pode ganhar novos contornos caso a paralisação se prolongue até setembro.

 

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