23/7/19
 
 
Carlos Diogo Santos 12/07/2019
Carlos Diogo Santos
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carlos.santos@newsplex.pt

Rivalidades e rivalidades, bandeiras e bandeiras

Este mês começou com uma manifestação de catalães, o mês anterior tinha começado uma manifestação ainda maior de portuenses. Que nunca mais se fale de uma “guerra” entre Lisboa e Porto como a de Madrid e Barcelona.

Madrid vs. Barcelona e Lisboa vs. Porto.

Muitos dizem que as guerras e as picardias são normais entre as cidades maiores dentro de cada país. E este mês começou com uma manifestação europeia que não deixa esquecer que, aqui ao lado, há regiões que lutam por serem países, Estados diferentes. Há desejos (e ventos) de mudança e sentimentos de pertença diferentes. Com os lugares dos três eurodeputados independentistas catalães vazios – estão impossibilitados pela justiça de Madrid –, houve milhares de catalães a sair às ruas de Estrasburgo, alguns com a bandeira daquela região na mão. Muitos dirão que são só rivalidades, talvez aqueles a quem não interessa ver a gravidade do problema.

Antes disso, o mês anterior começara com a demonstração contrária: duas regiões que querem tanto viver num só país que, quando uma delas tem oportunidade, sai às ruas, esquece as guerras que duram um ano inteiro e grita a uma só voz: “Portugal!”

Se dúvidas houvesse quanto às motivações da rivalidade entre quem vive nas duas maiores cidades portuguesas, as mesmas ficariam desfeitas com as imagens da final da Liga das Nações. Ainda que muitos dos estrangeiros que nos visitam sintam uma rivalidade inexplicável, poucos, muito poucos, entendem o que está na sua base – quantas vezes já ouvi brasileiros dizerem que nem cariocas e paulistanos são tão rivais quanto lisboetas e portuenses? E mesmo espanhóis, ao compararem o que ouvem por cá à realidade deles.

É verdade que as pessoas de Lisboa e Porto teimam em atacar-se, em desdenhar-se, em diferenciar-se. Muitos dos que deveriam promover o país a norte promovem só a região, tentando melindrar os do sul, tentando criar mossa na capital (como já aqui tive oportunidade de escrever). E muitos dos que deveriam pensar o país a sul pensam apenas no sul.

Mas o objetivo de quem nas ruas lança ferroadas nunca é o de desligar, de partir para outra. É o de ficar, de se afirmar, de ter mais importância, de ser mais português. E isso, no fundo, só pode ser bonito. Como não gostar destas guerras se as entendermos? Como não gostar desta rivalidade se ela não ultrapassar os limites nem estiver apenas ligada a clubites?

Todas as imagens a que assisti mostravam um Porto e um Dragão muito longe do “seu azul”, vestido de vermelho e verde, mostravam ruas e pessoas cheias de vontade e de vaidade. Cheias de Portugal. Vazias de guerra.

 

Jornalista

 

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