25/5/19
 
 
José Paulo do Carmo 17/05/2019
José Paulo do Carmo

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Educação emocional

Tenho encontrado várias pessoas superinteligentes ao longo da minha vida e que, depois de esmiuçadas, são autênticas desilusões pela falta de inteligência emocional que as condiciona e lhes adultera os comportamentos, tornando-as incapazes mesmo perante tanto QI.

Cada vez nos apercebemos com maior grau de lucidez de que o relacionamento entre as pessoas e a sua forma de se conhecerem está diretamente ligado com o seu sucesso profissional e a sua realização pessoal. Não será por isso de estranhar que existam cada vez mais casos de depressões, de incompatibilidades, de brigas e discussões. Passámos muitos anos a dar excessiva importância ao QI (quociente de inteligência), à inteligência intelectual e à capacidade de raciocínio até conseguirmos descortinar a determinação que as emoções têm em nós e o equilíbrio que nos traz a inteligência emocional, e que é na conjugação dos dois que estará por certo a verdadeira concretização.

Nos anos 90, a revista Time, a reboque do best-seller de David Goldman, puxou pela primeira vez para a discussão pública essa questão dizendo que, ao contrário do que todos supúnhamos, não era o QI que definia o sucesso mas sim o QE (quociente emocional). Desde então tem sido uma caminhada para nos darmos conta de quão decisiva pode ser a gestão dos recursos humanos nas empresas e da dificuldade que temos em ultrapassar as chamadas doenças da cabeça. Porque, se pensarmos bem, a forma como nos posicionamos em relação a nós, aos que nos rodeiam e ao mundo é indubitavelmente a génese de toda a nossa construção pessoal. Quem conseguir ter esses parâmetros bem identificados terá seguramente muito mais facilidade em atingir o sucesso.

Compreender e interpretar as emoções que sentimos e que nos rodeiam é passo obrigatório para que possamos saber como lidar com os nossos sentimentos. Sabermos catalogá-lo é termos uma interação social mais ponderada e criteriosa nas mais diversas idiossincrasias da vida. Começarmos por saber quem somos, o que somos através do autoconhecimento, mas também da autoestima, é termos a consciência do nosso correto potencial, o que nos dá segurança e determinação para atingirmos os nossos mais variados objetivos, mas também da forma de nos integrarmos na sociedade sem fugirmos dela ou a ela tentarmos impor-nos. É nessa forma de controlarmos os nossos impulsos, de não reagirmos a quente e de não tomarmos decisões de que podemos vir a arrepender-nos no futuro que está também parte da chave do nosso sucesso.

Tenho encontrado várias pessoas superinteligentes ao longo da minha vida e que, depois de esmiuçadas, são autênticas desilusões pela falta de inteligência emocional que as condiciona e lhes adultera os comportamentos, tornando-as incapazes mesmo perante tanto QI. O desenvolvimento da empatia com os outros é, nos dias que correm, fundamental para chegarmos a algum lado. Porque não vivemos sozinhos e temos de aprender a lidar com as diversas vicissitudes de quem está à nossa volta. Regiões como o Reino Unido, Malta ou as Canárias já têm no seu plano curricular uma cadeira de Educação Emocional para os mais jovens. Não faz sentido ser de outra forma. Fenómenos como a ansiedade, a frustração ou a revolta têm de ser aprendidos desde cedo para que possamos lidar com eles da melhor forma. Assim estaremos sempre mais perto de uma sociedade melhor, mais equilibrada, mais tolerante e humanizada.

Como disse um dia Aristóteles em Ética a Nicómaco: qualquer um pode ficar furioso, isso é fácil. Mas ficar furioso com a pessoa correta, na intensidade correta, no momento correto, pelo motivo correto e de forma correta, isso é que é difícil.

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