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Mário Bacelar Begonha 17/04/2019
Mário Bacelar Begonha

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A coordenação entre ensino superior e secundário

Nunca ninguém se preocupou com a transição do Ensino Secundário para o Superior, talvez pela herança vinda da ditadura, de que seria ‘‘bom” limitar o acesso à literacia, ao povo.

Uma das tarefas mais difíceis de realizar, é sem dúvida, a coordenação, seja em que plano for, a começar pela coordenação motora (humana), quer óculo-manual quer espácio-temporal, no ser humano, que exige um sistema nervoso são, primeiro, e depois, adaptação a novas situações, através do treino, ou seja, da prática.

Mas passamos agora a outro plano, mais complicado, que é o factor humano nas suas relações recíprocas e complexas, já que entram em jogo as personalidades de cada um dos intervenientes, ou seja, o Homem, esse animal desconhecido, como o classificou Alexis Carrel.

Temos para nós que os menos desenvolvidos e menos socializados, são aqueles que mais discriminam os outros, os semelhantes, talvez por complexos, de vária ordem, mas na verdade por não serem tão desenvolvidos e por terem uma visão do mundo e da vida limitada pelo baixo nível de literacia que possuem.

Em nossa opinião, a Educação, a Informação e a Formação, tudo isto ao mesmo tempo, e num ambiente amigável e são, tornam o ser humano sociável, simples e disponível para ajudar os outros, tornando-se numa mais-valia para a sociedade.

Acreditamos que a melhor forma de realização pessoal se consubstancia na ajuda a terceiros, a todos os níveis, mas sobre tudo, a dar o nosso contributo para um mundo melhor, mais justo e mais igualitário.

Julgamos que os professores universitários (Ensino Superior incluído), estão em condições, e disponíveis, para ajudar a fazer a coordenação de certas matérias académicas, para a transição do Ensino Secundário para o Superior, tornando o processo mais lógico, menos penoso, aumentando o rendimento dos alunos do 1.º ano, levando ao êxito de um maior número de alunos, que, infelizmente, na actualidade reprovam e desistem de vários cursos.

Será um processo a nível de voluntariado, com certeza, mas só os melhores, os mais bem preparados, estarão disponíveis para esta tarefa importante, que inclusive ajudará a Universidade (Faculdade) de cada um desses académicos, a ter mais alunos, que por sua vez, mais tarde vão replicar o processo, criando um método próprio.

Até hoje, em nossa opinião, nunca ninguém se preocupou com a transição do Ensino Secundário para o Superior, talvez pela herança vinda da Ditadura, de que seria “BOM” limitar o acesso à literacia, ao povo.

Já lá vai o tempo em que Catarina da Rússia, quando escrevia ao Cardeal Richelieu em França, lhe dizia “que era perigoso educar o povo”...

Julgamos que há um certo “mal estar”, por parte dos docentes do Ensino Secundário, em relação aos docentes do Ensino Superior, mas estamos certos que é por falta de comunicação e de trocas de experiências. Temos para nós que um bom professor é aquele que é capaz de explicar uma coisa complexa de uma forma simples, acessível a qualquer pessoa. Há pois que encontrar pessoas dessas, dos dois lados, e partir para um processo de simplificação e de “descomplicação”, para essa transição, pela mão dos respectivos ministros, que, finalmente iriam colaborar para ajudar os candidatos ao Ensino Superior a superar esse calvário por que têm que passar.

Não faz sentido não haver uma articulação entre os dois graus de Ensino, se o objectivo é que todos terminem a sua formação académica com êxito.

Deverá ser criado um Grupo de Trabalho escolhido pelos dois ministros (Educação e Ensino Superior), com o objectivo de estudar a melhor maneira possível de se fazer a transição com articulação de matérias e programas, tal qual, como no tempo anterior a “Bolonha”, em que quando se projectava uma Licenciatura de 5 anos, ao mesmo tempo estabelecia-se que até ao 3º Ano estaria concluído o Bacharelato, que era já um grau profissional, ou seja, projectavam-se os 5 anos como um todo articulado, mas com um grau crescente de complexidade e de conhecimento que definia a diferença entre um que sabia apenas “fazer”, sem haver a preocupação de saber o porquê, e a origem e a necessidade de saber mais para encontrar “ferramentas” adequadas para ser possível atingir patamares superiores.

Bolonha, a nosso ver, facilitou mas não aumentou a curiosidade dos alunos nem despertou neles o interesse em saber mais para se poder chegar mais longe do que a actual realidade.

O futuro será aquilo que nós formos capazes de construir, mas para isso temos que ter determinação, vontade, mas também a ajuda qualificada daqueles que são já verdadeiros cientistas, que pela sua postura de simplicidade, generosidade e dedicação profissional, conseguem motivar e arrastar para a investigação e para o ensino, novos valores, mercê da descoberta desse “método de transição”, que deverá ser articulado pelos dois ministros apoiados pelo primeiro-ministro. E assim dar-se-ia início a uma “revolução serena” no nosso sistema educativo, dando-se um grande passo para chegarmos mais perto dos países mais desenvolvidos.

 

Sociólogo

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