20/4/19
 
 
Carlos Carreiras 17/04/2019
Carlos Carreiras

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Virou-se a página da incapacidade no Ministério das Infraestruturas

Confesso que só quatro anos depois de António Costa ter chegado ao poder é que volto a alimentar a esperança de que os problemas dos milhões de utilizadores anuais da A5 e da Linha de Cascais possam finalmente começar a resolver-se.

Ao contrário de várias opiniões, até do meu espaço político e partidário, nunca alinhei na ideia de que o Governo de António Costa ficou fragilizado depois da última remodelação. Pelo contrário, parecia-me que tinha saído reforçado. Esta semana reforcei essa convicção.

É verdade que o Governo perdeu uma das suas melhores ministras, Maria Manuela Leitão Marques. Mas, entre o ter e o haver, António Costa saiu a ganhar.

E porquê? Sobretudo por duas razões. A primeira, e a ordem é irrelevante, é que se viu livre do pior ministro do seu Governo: Pedro Marques. Bom, olhando bem para a questão, o título de “pior ministro do Governo socialista” acaba por ser uma distinção para aquele que foi, sem sombra de dúvida, o pior ministro das Obras Públicas em toda a história da democracia. Um ministro que mentiu aos portugueses sobre os investimentos que ia fazer e não fez. Um ministro que teve de inaugurar ou anunciar duas e três vezes as mesmas obras, tão pouco era o trabalho que tinha para mostrar aos portugueses. Um ministro que consegue terminar a legislatura da “viragem da página da austeridade” com o investimento público mais baixo da democracia e mesmo abaixo do tempo da troika. Um ministro que à falta de resultados conseguiu ainda somar uma conduta política inexplicável. Já levo muitos anos disto e não me lembro de um titular de um cargo público tão arrogante, tão pouco dialogante e tão isolado. O seu samba de Torres, tão forçado e desastrado, é a metáfora perfeita de um político que convive mal com o contacto com tudo o que esteja para além do seu mundo de certezas absolutas. Pedro Marques era, como se prova agora nas sondagens ao Parlamento Europeu, um passivo para o Governo de António Costa.

Mas, dizia eu, há duas razões pelas quais o Governo ficou fortalecido. E se a primeira razão é a exportação de Pedro Marques para Bruxelas, a segunda é a ascensão de Pedro Nuno Santos.

Eu sei que os dois homens são do mesmo partido e até da mesma geração partidária. Mas é já evidente que são personalidades de planetas políticos distintos. Em perfeito contraste com o seu antecessor, Pedro Nuno Santos é acutilante e tem uma clara noção de serviço público. Esta semana, numa reunião de trabalho que nos juntou para debater o futuro da mobilidade pendular entre os dois polos mais prósperos da área metropolitana – Cascais e Lisboa –, foi muito evidente a sua predisposição para fazer parte da solução, e nunca do problema.

Confesso que só quatro anos depois de António Costa ter chegado ao poder é que volto a alimentar a esperança de que os problemas dos milhões de utilizadores anuais da A5 e da Linha de Cascais possam finalmente começar a resolver--se. Isso deve-se à mudança de postura, de vontade e de seriedade do Ministério das Infraestruturas. Isso deve-se, como é evidente, à ação política do ministro Pedro Nuno Santos.

O alinhamento de prioridades com o poder local, e com a Câmara de Cascais em particular, é total. Estamos juntos para abrir novos caminhos. Espero que o primeiro-ministro não se importe que o cite mas, agora sim, “virámos a página” da incapacidade no Ministério das Infraestruturas.

Por falar em virar de página, Cascais continua a desbravar caminho novo na área da mobilidade. Estamos a cumprir a lei e, por isso, seremos a primeira autarquia do país a ter concluído o concurso público internacional para a concessão de transporte público rodoviário. Para se ter uma ideia do avanço, Cascais está já no fim do processo, enquanto a AML só lançará o seu concurso em junho.

Mas não estamos à frente só porque sim. Estamos à frente porque estamos mesmo a fazer as coisas de forma diferente.

Ainda não sabemos quem é o vencedor do concurso. A decisão deverá ser conhecida em breve. Mas há coisas que já sabemos. Primeiro, e ao contrário do que alguns insinuavam e outros desejavam, o processo não foi “favas contadas”. Foi, tem sido, um concurso como manda a lei: com dimensões concorrenciais inatacáveis, presidido por um júri independente e rigoroso, o garante de que os passageiros serão os grandes vencedores deste processo.

Em segundo lugar, já sabemos que o operador que sair vencedor estará vinculado a um exigente caderno de encargos de duplicação de oferta, de maior qualidade de serviço, de novas frotas e de mais rotas e mais frequentes. Exigências que assentam na novidade de pagamento de serviço ao quilómetro.

Por último, já sabemos que concluído o concurso público, estaremos em condições – como já assumi neste espaço – de implementar um programa único no país de mobilidade rodoviária concelhia gratuita para todos os cascalenses.

Que fique bem claro, por isso, que não são manobras de bastidores de interesses económicos mais ou menos explícitos que vão demover-nos do nosso objetivo: dar aos cidadãos de Cascais total liberdade em total mobilidade.

 

Presidente da Câmara de Cascais Escreve à quarta-feira

 

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