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Os milagres de Notre-Dame

Os milagres de Notre-Dame

AFP photo Joana Marques Alves 16/04/2019 19:10

Capelão dos bombeiros salvou algumas das principais relíquias guardadas na catedral.Após a tragédia, o livro de Victor Hugo chegou ao top de vendas da Amazon

Paris acordou em silêncio, sem o som dos sinos de Notre-Dame, que na segunda-feira perdeu grande parte da sua estrutura devido ao incêndio que deflagrou na zona onde se realizavam obras de reabilitação. Mas nem tudo é mau: durante o combate às chamas foi possível salvar as relíquias guardadas na catedral gótica.

Uma coincidência feliz: pouco tempo antes do incêndio, dezenas de obras de arte tinham sido retiradas de Notre-Dame devido às operações de restauro que estavam a decorrer. Mesmo assim, objetos de valor inestimável encontravam-se dentro do edifício com mais de 850 anos quando o fogo começou. O capelão dos bombeiros de Paris, Jean-Marc Fournier, teve um papel muito importante na recuperação dessas relíquias: de acordo com a imprensa francesa, o padre insistiu para ser autorizado a entrar na catedral com os bombeiros durante as operações. Fournier conseguiu autorização para entrar no edifício e acabou por salvar a coroa de espinhos que os católicos acreditam conter partes da coroa usada por Jesus Cristo na crucificação e o Santíssimo Sacramento, local onde é depositada a hóstia consagrada.

“O padre Fournier é um herói absoluto. Não mostrou nenhum medo e entrou [no edifício] imediatamente na direção das relíquias, no interior da catedral, garantindo que seriam salvas”, disse uma fonte dos serviços de emergência à Sky News sobre o capelão, que é visto agora como um herói nacional.

Mas estas não foram as únicas peças a serem salvas: as autoridades conseguiram tirar do incêndio um pedaço da cruz e um prego supostamente usados na crucificação de Cristo, e a túnica usada por Luís ix (canonizado em 1270) em 1238, quando chegou a Paris com a coroa de espinhos que terá sido usada por Jesus. Também o grande órgão do séc. xv, com cerca de 8 mil tubos, e as rosáceas da catedral, vitrais do séc. xiii que representam as flores do paraíso, sobreviveram ao incêndio.

Mais de 600 milhões de euros doados Perante o cenário de destruição no coração de Paris, a capital da moda por excelência, vários grupos detentores de marcas de luxo comprometeram-se a doar grandes quantias para a reconstrução da catedral.

A família Pinault, dona do grupo Kering - detentor da Gucci, Yves Saint Laurent e outras marcas -, foi a primeira a avançar com uma doação, cedendo 100 milhões de euros para a reconstrução do edifício. Pouco depois, a família Arnault, dona da LVMH - detentora da Louis Vuitton e outras marcas -, duplicou o valor e doou 200 milhões de euros. Entretanto, outros empresários juntaram-se a esta iniciativa: Patrick Pouyanné, dono da companhia de energia Total, revelou no Twitter que iria fazer uma doação de 100 milhões de euros, e a L’Oréal avançará com 200 milhões. Também o banco Société Générale (10 milhões) e a firma de publicidade JCDecaux (20 milhões) quiseram contribuir.

Obra de Victor Hugo no top de vendas Horas depois do incêndio, o livro Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo, chegou ao primeiro lugar do top de vendas do site Amazon. Esta obra do escritor romântico ajudou a celebrar a catedral e a torná-la um símbolo global.

Escrito em 1833, a história passa-se 400 anos antes e tem como personagem principal a própria catedral - o intuito de Victor Hugo era mostrar a necessidade de conservar Notre-Dame.

Mais tarde, em 1939, a adaptação cinematográfica foca-se na vida de Quasímodo, o corcunda de Notre-Dame, e a sua paixão pela cigana Esmeralda. O mesmo acontece na versão da Disney, de 1996.

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