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EDP. OPA dos chineses à beira do fracasso

EDP. OPA dos chineses à beira do fracasso

João Porfírio Sónia Peres Pinto 18/02/2019 09:21

Além da dificuldade das negociações com a elétrica e da obtenção de autorizações, a China Three Gorges depara-se agora com as críticas do fundo americano Elliott,também conhecido como “Abutre da Argentina”

A oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges (CTG) à EDP está cada vez mais condenada ao fracasso. Pelo menos é essa a opinião do senior account manager da XTB, José Correia. E ao i justifica: primeiro, as negociações entre as duas empresas “não parecem estar bem encaminhadas, uma vez que existem vários impedimentos regulatórios nesse sentido”. Depois, o fundo Elliott diz que a cotação atual da EDP em bolsa está abaixo das estimativas de mercado, “o que tornará os rendimentos do conglomerado nacional ainda mais voláteis, aumentando a incerteza relativamente a um desfecho bem-sucedido da OPA em curso”.

Em causa está a carta do fundo americano Elliott, que tem 2,9% do capital da elétrica, enviada ao presidente do conselho geral da empresa a alertar para o impasse criado pela oferta da China Three Gorges, chamando a atenção para que o preço oferecido pelos acionistas chineses é “excessivamente baixo”, acabando por “subavaliar significativamente” a empresa liderada por António Mexia.

“A oferta da CTG, tal como se encontra atualmente, não favorece os melhores interesses dos stakeholders [acionistas] da EDP e, em última análise, conduzirá a um enfraquecimento da EDP que será uma empresa mais volátil, com um conjunto de ativos menos atrativo e com poucas oportunidades de crescimento”, disse o fundo, também conhecido como “Abutre da Argentina”. 

De acordo com José Correia, “a carta enviada pelo fundo Elliott pretende minar as negociações da OPA em curso entre a EDP e a CTG, apresentando uma alternativa aparentemente mais interessante para aumentar o potencial de crescimento da EDP”. E admite que “este evento pode influenciar as negociações da OPA em curso, apesar de não ser decisivo para o seu desfecho; contudo, esta perspetiva será naturalmente considerada pelos decisores envolvidos nas negociações”. 

E apesar de o fundo ser identificado como “Abutre da Argentina”, o analista admite que esse título gera dúvidas relativamente às intenções do Elliott, mas a carta enviada ao conselho de administração da EDP demonstra o potencial que está a ser deteriorado em virtude do pesado nível de dívida na estrutura de capital atual, “evidenciando uma alternativa fundamentada e razoável”.

Nessa carta, dirigida a Luís Amado, o fundo defende uma mudança de estratégia na elétrica, assente numa maior aposta nas renováveis e na venda de vários ativos, nomeadamente a alienação de ativos core da elétrica como a EDP Brasil, centrais térmicas na península Ibérica e 49% do negócio da distribuição. 

A administração de António Mexia já veio agradecer a contribuição do Elliott e promete “analisar cuidadosamente as suas propostas, em linha com a prática seguida com todos os nossos acionistas”, lembrando que a EDP vai atualizar o seu plano estratégico já no próximo dia 12 de março, quando apresentar os resultados referentes a 2018. E o analista justifica este timing: “A administração da EDP aguarda os resultados de 12 de março para poder reunir dados atuais sobre a situação financeira da empresa, o que permitirá vislumbrar de forma mais coerente qual a melhor estratégia a seguir.”

A 11 de maio, a China Three Gorges anunciou a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por ação. O pedido foi registado junto do regulador, sem alterações ao preço oferecido inicialmente, avaliando a elétrica em 11,9 mil milhões de euros - um valor que também foi alvo de críticas por parte do fundo norte-americano ao considerar que o prémio de 4,8% “é inaceitável”. 

“Aquando do lançamento da OPA, a cotação da EDP valorizou de 3,10 euros para 3,48 euros em apenas uma sessão. Desde então corrigiu até níveis inferiores aos 2,90 euros, mas recuperando desde janeiro deste ano, encontrando-se neste momento nos 3,22 euros. Desta forma, o primeiro impacto foi positivo, mas o arrastar das negociações potenciou um movimento corretivo desde agosto de 2018 para valores inferiores ao lançamento da OPA, evidenciando um impacto prejudicial para os acionistas da empresa”, salienta José Correia.
 

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