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Silva Peneda. “Se o PSD quer ressurgir tem de ser com a classe média”

Silva Peneda. “Se o PSD quer ressurgir tem de ser com a classe média”

Miguel Silva Cristina Rita 14/02/2019 11:01

Antigo presidente do Conselho Económico e Social defende que os sociais-democratas devem seguir linha de Cavaco e Sá Carneiro

A convenção do Conselho Estratégico Nacional do PSD (CEN) realiza-se já no sábado, dia 16, e o seu coordenador, David Justino, defende um programa eleitoral “ao centro” em que a classe média deve merecer uma atenção especial. A ideia de focar parte das atenções do PSD na classe média foi defendida pelo também vice-presidente do partido numa entrevista à Lusa, sendo corroborada por outros elementos do CEN, como Ângelo Correia e Silva Peneda, militantes destacados do partido.

O antigo presidente do Conselho Económico e Social Silva Peneda começa por reclamar a paternidade da estratégia: “Eu sou o pai dessa ideia. Ainda bem que David Justino já comprou a ideia.”

Para o coordenador da área da solidariedade e bem-estar “nenhum país pode ser desenvolvido sem uma classe média forte. A Alemanha é dos países europeus que tem uma classe média forte” e no PSD “Cavaco Silva percebeu isso”, tal como Francisco Sá Carneiro. Por isso, Silva Peneda afirma, em declarações ao i, que se o “PSD quer ressurgir tem de ser com a classe média”. A meta não é fácil, admite o também antigo governante, mas deve ser o leitmotiv do partido.

Ângelo Correia, coordenador para a área da Defesa no CEN, acredita que a defesa da classe média “é uma boa perspetiva”, porque “os vários estratos da classe média têm sido altamente sacrificados em Portugal, alguns deles estão a caminho da proletarização e a caminho da extinção”.

Mas o problema não se esgota na defesa da classe média ou num programa ao centro do espetro político. Para o antigo governante “o que está em causa é a ineficácia do Estado”, alerta Ângelo Correia, sobretudo porque os riscos de crescimento de partidos de extrema-esquerda e de direita “decorrem dessa situação em que a pessoa não se vê projetada no Estado”. Isto é, pagam-se impostos, mas os serviços não são retribuídos. “Estamos a diminuir a capacidade do país a olhos vistos”, conclui Ângelo Correia, sem contudo, avançar para já com propostas concretas. Aliás, o debate que irá decorrer no próximo sábado, dividido por 16 áreas temáticas, não deverá trazer já soluções fechadas, designadamente na carga fiscal para o equilíbrio da cobrança entre impostos diretos e indiretos.

Para já fica o conselho de Ângelo Correia ao líder do partido, Rui Rio: “Para travar esta tendência negativa que está associada à desvalorização e, até proletarização de áreas sensíveis da classe média portuguesa, é fundamental alterar e reverter todo um programa de esquerdização que o atual governo e o seu apoio parlamentar têm levado a cabo”. O antigo ministro acrescenta mais farpas ao executivo porque o país “caminha para a cauda Europa e tudo isto se passa quando o governo entoa loas ao seu desempenho”.

Segurança social pública Um dos temas que ainda está em aberto no CEN é o da sustentabilidade da Segurança Social. O coordenador para a área no CEN, Silva Peneda, considera que o ponto de partida da discussão é a sua sustentabilidade “do ponto vista político, do ponto de vista económico e do ponto de vista financeiro”, para garantir “pensões dignas”. Porém, Silva Peneda, que falou a título pessoal com o i, fecha a porta à privatização da segurança social: “Comigo não, comigo não há privatizações da Segurança Social”.

A reforma do sistema político é um dos assuntos que vai dominar parte dos trabalhos no próximo sábado e ontem Rui Rio defendeu que se trata de “uma reforma imperiosa, dado o descrédito que se tem vindo a abater crescentemente sobre os partidos políticos”. A declaração foi feita no Twitter, mas o líder do partido ainda não tem propostas fechadas, designadamente, para a introdução de círculos uninominais. As propostas só deverão ser incluídas no programa eleitoral, a apresentar depois das eleições europeias.

A convenção, que decorre em Gaia, terá as intervenções do comissário europeu, Carlos Moedas, de Rio, as presenças do cabeça de lista às europeias, Paulo Rangel, do eurodeputado José Manuel Fernandes, além de independentes e do socialista Vítor Ramalho, na qualidade de secretário-geral da União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa (UCCLA). O PSD espera a presença de 1500 pessoas.

 

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