21/1/19
 
 
José Cabrita Saraiva 14/01/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Entre o marasmo e o saco de gatos

Ora, se ao fim de um ano não conseguiu impor o seu estilo nem a sua autoridade dentro do partido, como quer Rio convencer os portugueses a confiar e a votar nele?

Luís Montenegro tem razão: o PSD está a caminhar a passos largos para a irrelevância. Se não houver novidades em breve, o partido arrisca-se efetivamente a sofrer uma derrota estrondosa e humilhante nas eleições que aí vêm.

Digamos que os primeiros tempos desta direção foram um pouco “esperar para ver”. Findo esse período inicial de expectativa, continuou-se à espera de alguma coisa que ainda não apareceu.

Pior: até a seriedade exemplar, um dos principais trunfos de Rio, foi seriamente abalada por situações embaraçosas que envolveram o seu círculo próximo.

Quanto a ideias, também não houve nada que se visse. A mais badalada foi talvez uma proposta para promover a natalidade que, às primeiras críticas, regressou à gaveta.

Ora, se ao fim de um ano não conseguiu impor o seu estilo nem a sua autoridade dentro do partido, como quer Rio convencer os portugueses a confiar e a votar nele?

A nova maneira de estar que trouxe à política – a estratégia teoricamente correta de exercer uma oposição honesta e responsável (recusando-se, por exemplo, a criticar por criticar) – tem-se traduzido num silêncio incompreensível que entrega todo o espaço mediático ao governo e à sua propaganda.

E, como se não bastasse, figuras com peso no partido, como Santana Lopes ou André Ventura, optaram por criar movimentos concorrentes que vão necessariamente roubar votos ao PSD e contribuir para o enfraquecer.

Luís Montenegro tomou uma opção diferente: avançou para o confronto direto. É questionável se devia fazê-lo quando esta direção não disputou sequer qualquer eleição. Entre o saco de gatos em que o PSD está agora transformado e a inércia, venha o diabo e escolha. Mas este desafio teve pelo menos o condão de agitar as águas no principal partido da oposição. Ao fim de um ano de marasmo, talvez Rio estivesse mesmo a precisar de um abanão bem forte para acordar do seu torpor.

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