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"Não houve um único militar que os fosse visitar", diz mãe de formando da GNR de Portalegre

"Não houve um único militar que os fosse visitar", diz mãe de formando da GNR de Portalegre

João Porfírio Jornal i 06/12/2018 13:01

A mulher conta que, após as alegadas agressões, o filho ficou com o nariz partido e teve de ser operado

A mãe de um dos guardas provisórios agredidos durante o módulo de ‘bastão extensível’ no centro de Formação da GNR de Portalegre defende que vê as agressões como “violência pura” e pede que os culpados sejam responsabilizados.

Em entrevista ao Jornal de Notícias, a mulher, cuja identidade não é revelada, garante que não “vê nada de produtivo” e de “positivo” na formação em causa.

“Não acredito que seja assim que se formam bons militares, boas pessoas, protetores da nossa segurança. Para mim aquilo foi violência pura. Eles estão ali para aprender a levar porrada, quando deviam aprender a defender-se”, afirma, acrescentando ainda que os formandos deveriam utilizar proteção durante os exercícios.

A mulher conta que, após as alegadas agressões, o filho ficou com o nariz partido e teve de ser operado. O marido registou uma queixa sobre as agressões ao oficial de dia, que passou o caso para os superiores.

“Senti uma revolta muito grande porque não estava a espera que eles ficassem naquele estado de abandono completo por aquela instituição (... ) Durante os cinco dias que estiveram internados [formandos] não houve um único militar que os fosse visitar, ver como estavam, se precisavam de ajuda”, disse.

“Eu acho que a pessoa que o agrediu tem que ser responsabilizada pelas consequências das atitudes que teve”, defendeu.

Recorde-se que cerca de dez formandos do 40.º curso do Centro de Formação da GNR, em Portalegre, terão sido agredidos durante uma formação, tendo sofrido lesões graves, que nalguns casos obrigaram a internamento e noutros ainda a cirurgias.

O caso, avançado pelo Jornal de Notícias no último domingo, deu origem à abertura de um inquérito pelo Ministério Público.

As denúncias motivaram ainda a demissão do responsável pela formação.

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