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Nelson Nunes. “Eles acabam por ser os sobreviventes de uma inquisição digital”

Nelson Nunes. “Eles acabam por ser os sobreviventes de uma inquisição digital”

Mafalda Gomes Tatiana Costa 13/11/2018 20:24

Nelson Nunes lançou o livro “Quem Vamos Queimar Hoje?” na semana passada. O livro reúne histórias de várias figuras públicas que foram alvo de humilhação nas redes sociais

Porque decidiu escrever este livro? 

O livro tem vários eixos. Parte do facto de ter feito um livro há uns anos sobre humoristas e de ver que era muito frequente que eles fossem humilhados online por causa das piadas - que é uma coisa inofensiva, tem o propósito de fazer rir, mas parece não haver essa compreensão. Ao mesmo tempo incomodava-me ver pessoas a partilhar ideias e que o grau da discórdia fosse sempre partir para a agressividade, atacar a pessoa que a disse em vez de debater a ideia.

No outro livro, os humoristas já falavam do public shaming? 

Não. Quer dizer, falavam indiretamente de pessoas que se ofendiam por tudo e por nada. Aliás, o título do outro livro é “Com o Humor não se Brinca” muito por causa disso, da ideia de que há temas sagrados e de que não se pode brincar com esses temas. Brinquei um bocadinho com isso, dei-lhe esse título de que com a comédia não se pode brincar, que é um bocadinho em jeito de provocação. Podemos fazer o exercício de nos tentarmos lembrar de todas as polémicas que houve em outubro e quais foram, e provavelmente não vamos lembrar-nos de todas. Tenho andado a anotar as de outubro e são cerca de 20.

A última de que me lembro é aquela do professor no “Prós e Contras”.

Depois disso já houve não sei quantas. Houve a senhora da JS que inventou, aparentemente, o currículo; a da Isabel Moreira, que aparece a pintar as unhas no parlamento. Todos os dias há uma polémica nova. O que é engraçado e que não tem piada nenhuma é que as polémicas para quem se indigna são irrelevantes, porque as pessoas esquecem-se, mandam uma boca e depois esquecem-se. É o caso do Daniel Cardoso, em que havia fotografias a denegri-lo que não tinham nada a ver com aquela ideia. Era quase uma alimentação de preconceito de como ele se veste, como age, como usa o cabelo, essas coisas todas que não têm nada a ver com a ideia em si. Isto para dizer que há várias a acontecer e nos esquecemos. Em paralelo, para quem as sofre, a coisa acaba por causar um certo trauma e a “pena” desse crime, entre muitas aspas, acaba por ser perpétua, porque a pessoa fica para sempre marcada. O Henrique Raposo é aquele tipo que escreveu sobre o Alentejo. Não, não é, ele fez imensas outras coisas, mas está marcado como sendo o tipo que atacou o Alentejo.

Porquê os nomes que estão aqui?

Estes nomes foi um exercício de memória que fiz: deixa lá ver as pessoas que me lembro que tenham tido coisas muito agressivas, que pudessem falar comigo e que os casos também fossem variados. Por exemplo, há a Maitê Proença, que foi talvez a primeira pessoa a ter uma humilhação pública na internet de que me lembre. Depois há o Henrique Raposo: a apresentação do livro meteu polícia e teve ameaças de morte. Vi livros dele a serem queimados. Depois há o Jovem Conservador de Direita, cuja página foi eliminada durante um tempo, mas depois foi retomada. O Ricardo Araújo Pereira não tem redes sociais mas, mesmo assim, teve duas ou três humilhações por coisas que disse precisamente ao i. Isto para dar uma ideia de que as humilhações podem acontecer pelos motivos mais irrisórios e das mais variadas formas. 

Encontrou outros fatores comuns nos intervenientes, para além do public shaming?

Encontrei fatores comuns nas reações deles. Eles parecem-me sempre, salvo duas ou três exceções, sair por cima. Acabam por ser os sobreviventes de uma inquisição digital e por se tornar mais seguros de si, ficam com mais certeza de que fizeram a coisa certa, e todo aquele barulho foi um disparate. No caso do José Cid foi uma piada, e ele diz isso: “Eu ia ter medo de ir a Trás-os-Montes por causa de uma piada que eu fiz?” E vai a Trás-os-Montes e, aparentemente, as pessoas com quem se dá não representam aquelas que andaram aos gritos quando a piada se tornou viral, cinco anos depois de a entrevista ter sido dada. Quando há estas coisas, quem é alvo acaba por sair por cima porque, um tempo depois, as pessoas acabam por pensar que o que fizeram foi um disparate. Mas há pessoas que não. É engraçado, quando dizia a algumas pessoas que ia entrevistar a Maitê Proença, as pessoas diziam-me: “O quê, essa?” Quase dez anos depois ainda têm um certo assombro com ela. A senhora fez uma piada, é uma atriz incrível, é muito importante para a nossa cultura no sentido em que nós passamos décadas a ver novelas da Globo em que ela aparecia, e agora, por causa de uma piada, nós fazemos-lhe isto? 

“Quem Vamos Queimar Hoje?”: de onde surgiu este título?

Foi um título que me deu muito trabalho. Tenho um certo orgulho nos títulos que consigo para os livros. Quando comecei no jornalismo, trabalhava em redação e tinha um editor que me dizia que era uma nulidade a fazer títulos e aquilo deve-me ter ficado aqui colocado, e comecei a esforçar-me mais. Este título nem sei bem como é que aparece. Tenho um bloco de notas grande no meu hall de entrada, onde escrevo coisas em que estou a trabalhar, e havia uma parte dessa folha que tinha possibilidade de títulos. Tinha duas ou três pensadas, mas nenhuma delas me agradava. Depois comecei a meter só palavras--chave que achava que tinham a ver com o tema. Pensava muito na Inquisição, nas fogueiras, e também havia o lado de ser muito recorrente e de as pessoas se esquecerem, porque já fizeram justiça. Certo dia, não sei bem como nem porquê, lembrei-me de que isto é diário. É como se alguém acordasse e dissesse: “Deixa-me lá abrir o Facebook, quem é que vamos queimar hoje?” E olha, “Quem Vamos Queimar Hoje?” é capaz de ser um bom título. E foi isso.

E o Nelson já queimou ou foi queimado por alguém?

Não. Não tenho importância suficiente para ser queimado por quem quer que seja. Acho que sou um bocado irrelevante para isso. Se eu queimei alguém? Não. Tenho sempre a atitude de ver polémicas a acontecer e pôr-me do lado de quem está a ser atacado, não sei porquê. Por exemplo, com a Isabel Moreira: a Assembleia da República não é o melhor sítio para se pintar as unhas, mas acho um disparate isto tudo. Acho que acontece por ser ela, como acontece com o Henrique Raposo por ser de direita - muitos dos ataques vinham do Alentejo, que é tradicionalmente de esquerda. Aliás, ele próprio diz isso no livro, não é uma coisa inocente. Depois, em vez de escrever coisas logo de imediato contra as pessoas, normalmente a minha tendência é não dizer nada e ficar ou a ver o que as pessoas dizem ou dizer “olha que disparate”.

Isso de se colocar no lugar do outro poderá estar relacionado com o facto de ser jornalista e ter de fazer o contraditório?

Sim, é provável que sim. Mas acho que isto vai para além do lado de ser jornalista. Acho que tem a ver com a empatia e com o termos um bocado mais de calma. Há um estudo que é muito importante, e curiosamente acho que só saiu muito depois de ter acabado o livro: um investigador da Universidade de Nova Iorque diz que o nosso comportamento online, apesar de ser escrito, ou seja, racional, é de defesa de identidade e tem sempre um pendor moral, emocional e tribal. Ou seja, vou atacar quem não é dos meus porque eu é que sei. É quase um bocadinho aquela coisa que vemos no futebol: não são os outros que jogam melhor que nós, nós é que jogamos mal porque perdemos. Os outros nunca são melhores que nós, nós é que tivemos um dia mau. E há muito essa tendência, nas redes sociais, de achar que o outro está errado e, portanto, atacá-lo sem pensar. Costumo fazer outro exercício que é agarrar numa coisa que alguém de quem não gostamos faz e pô-la na boca ou atos de alguém de quem gostamos. Será que a nossa reação era a mesma? É isto que me faz confusão, que nós não olhemos para o que é dito e feito com tempo, reflexão e alguma dose de empatia, mas sim para a pessoa que está a dizer. Isso é que não faz sentido.

Como foram os encontros com os intervenientes? Divertidos?

Divertidos não seria uma palavra que usasse. Todos tiveram momentos altos. Tento sempre escrever desta maneira: tento colocar o leitor no sítio onde estava. Mas todos, à sua maneira, foram peculiares. Entrevistei o Ricardo Araújo Pereira na casa dele, teve a enorme simpatia de me receber. Fiz a entrevista à Maitê Proença por Skype, não dava para ir ao Brasil. Entrevistei o Jovem Conservador de Direita num carro às três da manhã, a chover loucamente. Todos os encontros tiveram o seu lado peculiar e isso está explicado no livro. 

Qual foi a conversa que mais o marcou?

Gostei muito de todas as conversas que tive, mas tive uma particular simpatia pela do Henrique Raposo. O facto de ele me ter recebido em casa dele, termos almoçado, de ele se ter exposto daquela forma e ter explicado tudo o que tinha sentido na altura, a forma como olha para as coisas hoje, passados quase três anos daquilo que aconteceu, isso sensibilizou-me bastante e fiquei mesmo sentido, no bom sentido, com o gesto dele. Essa marcou-me bastante. As entrevistas que fiz aos humoristas, enfim, já os conheço, não é que não me tenham marcado e é sempre bom estar com eles, mas já era mais natural falar com humoristas. Por isso, acho que a do Raposo é aquela que mais me marca e a da Maitê, porque se dissessem ao miúdo de sete anos que ia entrevistar a senhora que estava a ver na televisão, ele não acreditava.

Quanto tempo demorou a recolha dos testemunhos?

Este livro foi atípico porque, normalmente, o que faço é: vou fazendo as entrevistas e vou escrevendo ao mesmo tempo. Até porque, à medida que vou transcrevendo as entrevistas, há reflexões que vou fazendo. Deixo sempre no livro as entrevistas pela ordem que foram feitas. Porque nota-se que também há uma certa evolução nas entrevistas, há temas que foram abordados nas entrevistas anteriores e que não tinha pensado neles, e começo a incluí-los nas entrevistas seguintes. Tudo junto demorou cerca de sete meses. Comecei a trabalhar no livro em dezembro do ano passado, depois entreguei-o no fim de junho.

Com esta pesquisa, conseguiu perceber como se deve lidar com este tipo de situações?

Não. (risos) É uma pergunta que faço recorrentemente, que é: como é que se faz, como é que se lida com isto. Todos têm a sua resposta para a coisa: aquele traço geral com muitas nuances é não ligar, mas todos eles sabem que é impossível. Acho que eles dizem não ligar no sentido de “isto passa, está só a acontecer hoje e, amanhã, as pessoas já se esqueceram”. E é tranquilizar as pessoas que estão à volta deles porque os familiares ficam muito mais assustados do que, se calhar, as pessoas que sofrem isto na pele. Estou a lembrar-me do Gonçalo Morais Leitão, que teve a família implicada em ameaças. Isto causa medo, porque estas ameaças, quando são feitas, nunca se sabe.

Acha que causa mais medo aos familiares do que à pessoa em questão?

Em certos casos, diria que sim, também pelas pessoas que são. São figuras públicas, estão habituadas a que digam mal delas. Sei do caso de uma pessoa que não está neste livro.

Por opção?

Não calhou nós falarmos e a pessoa confessou-me isso mais tarde. Que uma vez teve um sarilho destes e essa pessoa teve medo pela mãe, pensava que a mãe ia ter um colapso. Essa pessoa não estava com receio, estava habituada, mas a mãe não. A pessoa estava mais preocupada com a mãe do que propriamente com ela.

Nas conversas sentiu isso? Que estão mais preocupadas com a família?

É uma outra dimensão da preocupação. Não sei se é maior, se é menor. Em alguns casos senti que era maior com as famílias do que com os próprios, mas não sei se é assim com todos. Há pessoas como o Sinel, que não quer saber de nada. Creio que já terá havido uma altura em que, se calhar, ele pensava nisso. Mas ele próprio diz isso. Na altura mais agressiva dos posts dele do Facebook, ele andava na rua na boa, não lhe passava pela cabeça que alguém lhe batesse na rua. Era quase uma piada. Nunca teve chatices, e ainda bem. Mas as coisas variam de caso para caso. Outras não sentiam medo de todo, por exemplo o José Cid, que dizia: “Agora vou ter medo de ir a Trás-os-Montes?” O traço geral que encontro neles é não ligar e deixar passar.

Como olha para esta nova geração das redes sociais?

Eu não sou um pessimista das redes sociais, uso-as e adoro usá-las. Não sou nada pessimista e acho que têm imenso potencial. O que acho é que, nestas coisas, as pessoas precisam de ter mais calma, mais empatia, e dar mais tempo à coisa. O Salvador Martinha uma vez disse uma coisa que era dirigida aos humoristas mas que, neste tema, serve para toda a gente: quando alguém está a ser atacado, nós não temos de ir lá fazer moche à pessoa só porque é fixe e porque toda a gente está a falar daquilo. Também é por causa disso que as polémicas acontecem: damos sempre uma cacetada qualquer para ter mais gostos dentro da nossa comunidade. É quase uma comunicação para dentro, não é a atacar ninguém. Mas acho que as pessoas devem ter mais tempo, mais calma, mais empatia por quem disse, e desvalorizar, porque toda a gente diz disparates. Aquela história dos avozinhos, por exemplo: provavelmente aquela ideia teria outro valor se não fosse dita em direto, com a pressão de “tem dois minutos para falar e estão 200 pessoas a olhar para si”. Provavelmente tinha sido dito de outra forma. Agora, dito daquela forma, com aquela pressão toda, claro que lhe cai tudo em cima, porque ele usa a palavra avozinhos, que tem uma certa implicação familiar. Isto para dizer que é preciso dar tempo à coisa, é preciso tolerar a diferença de opiniões e é preciso ter calma e empatia com os outros.

Acha que a informação que circula nas redes sociais é um bocadinho distorcida?

Claro. Porque ninguém vai fazer o contraditório. Por exemplo, se eu vir uma pessoa deitada no chão, posso escrever que a pessoa foi agredida e as redes sociais vão partilhar porque acham que aquilo é verdade, e posso estar a inventar. A pessoa pode ter escorregado, pode estar a fazer uma brincadeira, pode ser um ator. Essa ausência de confirmação, que era o papel importante que o jornalismo tinha e ainda devia ter, esse papel não existe nas redes sociais e, portanto, as pessoas leem uma legenda de uma fotografia e pensam é verdade, e então é desatar a partilhar. 

Falta uma espécie de filtro...

Sim. Há muitos casos destes. Por exemplo, o bolo-rei da Padaria Portuguesa foi assim. Foram criticar quando nem sequer sabiam porque é que aquele bolo foi ali parar e não sabiam se aquele bolo foi metido em cima de um caixote do lixo e a fotografia tirada em frente à Padaria Portuguesa. Ninguém sabe isso. Depois, entretanto, soube-se porque o jornalismo foi atrás da história. Não é um caso habitual, em que o jornalismo vai atrás de uma história desse género, mas nesse caso foi e percebeu-se que a verdade não era bem aquela. Mas toda a gente partilhou o bolo da Padaria Portuguesa. Por exemplo, agora há pouco tempo aconteceu uma no Twitter em que alguém pôs num post, numa rua em Campo de Ourique, acho eu, a fotografia de uma rapariga e a legenda, em baixo, dizia: “Esta tipa deu-me cabo da família, engravidou do meu marido, mora na rua tal, o número de telefone é este.” Pôs aquilo no Twitter a circular e toda a gente partilhou aquilo. Mas é preciso ter a noção de que pode ser mentira, de que estão a partilhar a morada de uma pessoa, o que é nojento, e não estão a dar a hipótese de ela se defender nem de percebermos se aquilo é mesmo verdade ou não. 

Não acha que, ao repensar-se isso, também não tinha de se repensar em toda a sociedade, neste caso relativamente às redes sociais?

Sei que é uma coisa muito idealística e utópica. Mas, se calhar, com pequenas coisas podemos ajudar a que isto não aconteça tanto. Se uma redação tiver a coragem e o bom senso de dizer “nós não vamos fazer coisas sobre polémicas nas redes sociais, a menos que nós tenhamos o outro lado e exploremos jornalisticamente o assunto”... Se for para dizer que “não sei quem incendiou as redes sociais porque não sei que mais”, isso não é nada, isso não é uma notícia. Para isso, eu vou ao Twitter e vou à trendtopic e sei. Não vale a pena ir a um jornal porque isso não me informa. Está--me a dizer o quê? Que hoje, nas redes sociais, as pessoas estão furiosas. Estão furiosas com razão? É que isso é que me interessa, não é se estão furiosas só porque sim. Porque eu também posso estar furioso no trânsito e tenho razão? Posso não ter, se calhar não fiz pisca.

Agora falando do Nelson Nunes, o que o levou à escrita?

Comecei como jornalista, por engano, porque primeiro tentei tirar um curso de Gestão, Não correu bem porque números não é para mim. Fiz uma licenciatura em Jornalismo, mestrado, e comecei a trabalhar em redações. Trabalhei na “Focus” e fazia produção do programa da manhã na Renascença ao mesmo tempo. Depois fazia investigação académica e fui chefe de redação de uma revista pequena. O denominador comum era escrever. Nunca tinha pensado ao certo escrever em nome próprio, mas isso começa a aparecer por volta de 2012. Comecei a tentar fazer ficção, mas não prestava. (risos) Escrevi para o “Público”, no “P3”, escrevia uma crónica semanal, e aquilo estava a ter repercussão. Por exemplo, houve uma crónica, na altura do “Charlie Hebdo”, que foi lida por 100 mil pessoas, e aí percebi que se calhar devia fazer coisas que fossem mais duradouras. Comecei a pensar em contar histórias de outras pessoas em livro. Isso aconteceu devido à minha experiência no Sindicato dos Jogadores de Futebol: conheci a realidade dos futebolistas que não tinham carreiras grandes e quis contar essas histórias, e por aí saiu o primeiro livro. Depois sempre gostei muito de comédia e queria muito ouvir humoristas falarem sobre comédia, mas a sério. Que não o tentassem fazer a rir, mas que me explicassem os mecanismos todos. Então fiz o “Com o Humor não Se Brinca”. O mesmo para os chefes de cozinha, e sempre foi um bocado assim. Costumo dizer que isto é um bocado uma batota, quero muito ouvir pessoas a falar sobre determinados assuntos. Como gosto muito de ler e ainda não há livros sobre isso, comecei a fazer estes livros. Foi ao longo do tempo. É uma coisa que gosto muito de fazer e dá-me gozo mais as entrevistas e as conversas com essas pessoas do propriamente o produto final. É claro que é bom receber mensagens a dizer “olha, li o teu livro e gostei disto e daquilo”, é maravilhoso. Mas o que me interessa realmente é saber o que vai na mente das pessoas quando lhes acontece determinada coisa ou decidem enveredar por uma carreira. 

Como é que tem ideias para os livros?

Acho que não há assim um momento em que pense especificamente. Vou pensando de vez em quando. Com o dos humoristas foi muito assim, era uma coisa que pensava há muito tempo e houve um momento em que pensei que tinha de fazer. O dos futebolistas, igual, porque entrevistava muitos quando estava no sindicato e pensava que davam histórias boas para um livro, e depois chegou uma altura em que pensei “vou mesmo fazer isto”. Com este, curiosamente, foi diferente. Lembro-me exatamente do momento em que tive essa ideia. Estava a falar com um colega meu sobre uma polémica qualquer e disse: “Ninguém vai falar com estas pessoas, ninguém lhes pergunta.” E ele disse: “Pois não, mas devem ter imensas histórias interessantes.” E decidi que ia falar com pessoas que estão a sofrer com estas coisas. Têm direito a defesa e têm uma experiência que é única. Estão a ser esmagados na internet e não estão a poder dizer nada. Vamos ouvi-los.

Como foi a aceitação por parte dos intervenientes para falar consigo?

Neste livro foi um bocado diferente porque são temas mais sensíveis. Houve um ou outro que mostrou alguma resistência, mas a maior parte disse que sim. 

Quem foi a pessoa mais difícil de convencer?

Deve ter sido o Henrique Raposo. Tive de ir conversar com ele, expliquei-lhe mais ou menos a ideia e ele disse que percebia, mas que tinha de pensar e conversar com familiares a ver se valia a pena, e passados uns dias disse-me que sim.

No futuro, tem ideias para mais livros?

Tenho muitas ideias, não quero é contá-las porque senão roubam-mas.

Também neste género de testemunho?

Sim e não. Acho que os próximos dois, pelo menos, vão ser deste género, e depois, daí em diante, vamos ver. Também há umas coisas que ando a tentar fazer de ficção. E já tenho duas ou três ideias em linha.

Quando podemos esperar o novo livro?

Se tudo correr como habitualmente, em outubro do ano que vem.
 

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