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Eleições.Bolsonaro vence e promete “resgatar o nosso Brasil”

Eleições.Bolsonaro vence e promete “resgatar o nosso Brasil”

AFP Rita Pereira Carvalho 28/10/2018 22:57

“Somos um grande país e agora vamos transformar este país numa grande nação. Brasil acima de tudo”, disse Bolsonaro durante o primeiro discurso

Depois de uma campanha marcada pela imprevisibilidade dos candidatos, os brasileiros votaram e deram a Jair Bolsonaro o lugar no Palácio do Planalto, com 56% dos votos contra 44% de Fernando Haddad, candidato do PT. Se na primeira volta a vitória foi do candidato do PSL, a segunda só veio esclarecer as dúvidas e marcar a posição do povo brasileiro em relação a Bolsonaro e a Fernando Haddad. Apesar de as últimas sondagens antes das eleições presidenciais mostrarem que o candidato da extrema-direita estava a descer nas intenções de voto, a opção tomada ontem pelos eleitores, tanto no Brasil, como no resto do mundo, evidenciou a força de um candidato que no seu discurso nunca escondeu, ou camuflou, a sua posição em relação às minorias, à liberdade de expressão, ou à venda de armas no Brasil. A verdade é que os brasileiros preferiram o extremismo de Bolsonaro ao histórico de corrupção do PT. 

Num país onde é obrigatório votar, o Brasil registou mais de 20% de abstenção e apenas cerca de 2% de votos em branco e 7% nulos. Do lado de Fernando Haddad, em São Paulo, o silêncio, as lágrimas e os abraços tomaram conta do hotel onde estava o candidato do PT. 

No Rio de Janeiro, a festa espalhou-se pelas ruas, sobretudo no exterior da residência de Jair Bolsonaro. Ao contrário, na Avenida Paulista, manifestantes anti-Bolsonaro obrigaram a polícia de choque brasileira a criar linhas de segurança. À semelhança da primeira volta, a primeira declaração de Bolsonaro foi feita a partir de casa. “Colocar o Brasil num lugar de destaque. Todos os compromissos assumidos serão cumpridos. Temos tudo para ser uma grande nação”, foram algumas das palavras do novo presidente brasileiro. O discurso da vitória ficou marcado pelas palavras de liberdade e pela promessa de acabar com os paradigmas. “Tornar o Brasil numa livre e grande nação. Liberdade é um direito fundamental”, é a promessa de Bolsonaro, que acrescentou: “Defenderei a democracia e a liberdade”.

No total, 147,3 milhões de pessoas estavam inscritas para votar e as votações encerraram às 17h (20h em Portugal) na maior parte dos estados, sendo o estado de Acre o último a encerrar. Quando os boletins das urnas começaram a ser impressos, as sondagens à boca das urnas já começavam a desvendar o possível vencedor. Durante esse período, segundo a “Folha de S. Paulo”, uma discussão entre apoiantes de candidatos opostos a governador em Raraima, o estado mais a norte do país, terminou com a agressão a um idoso e um tiro para o ar. O idoso estava a vender camisolas de Bolsonaro e acabou por ser agredido. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral foram contabilizadas 179 detenções “para garantir a ordem nos locais de votação” e registadas 217 ocorrências que não resultaram em prisão. Além destes números, foram substituídas mais de quatro mil urnas em todo o país e a votação teve de ser manual em três municípios. 

Ontem, os brasileiros não elegeram apenas o 38.º Presidente da República. Foram às urnas também para eleger os governadores de 13 estados e alguns resultados foram históricos. Ibaneis Rocha, do Movimento Democrático Brasileiro, foi eleito governador do Distrito Federal com 70% dos votos válidos. O advogado e estreante na política surpreendeu na primeira volta com cerca de 42% dos votos e acabou por ganhar ao atual governador Rodrigo Rollemberg. A campanha de Ibaneis Rocha ficou marcada pela polémica, quando prometeu reconstruir, com o próprio dinheiro, casas demolidas pelo poder público. 

João Dória, candidato pelo PSDB e apoiante de Bolsonaro, conquistou 52,1% dos votos para o Governo de São Paulo. Já no Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do Partido Social Cristão, também apoiante do líder da extrema-direita, alcançou a liderança. Em Minas Gerais, ganhou Romeu Zema, que declarou publicamente o apoio ao candidato do PSL. No Rio Grande do Norte venceu a candidata do PT, já em Santa Catarina o candidato do PSL, Comandante Moisés, garantiu a vitória. 

No estado do Pará, ganhou Hélder Barbalho, do Movimento Democrático Brasileiro, com cerca de 55% dos votos. Em Amapá, foi eleito governador Waldez Góes, do Partido Democrático Trabalhista. Já no estado de Sergipe, ganhou Belivaldo Chagas, do Partido Social Democrático, com cerca de 64%. E no estado de Rio Grande do Sul a a vitória foi para Eduardo Leite, do Partido da Social Democracia Brasileira.

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