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Turismo. Menos turistas britânicos levam a quebra nas dormidas

Turismo. Menos turistas britânicos levam a quebra nas dormidas

Miguel Silva Sónia Peres Pinto 17/10/2018 00:00

Setor continua a dar sinais de abrandamento. Agosto penalizado com recuo no número de turistas estrangeiros

O setor do turismo continua a dar sinais de algum abrandamento, depois de meses e meses de crescimento. E essa tendência já é visível nos últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar de o número de hóspedes ter crescido 0,4% em agosto, o mesmo não aconteceu com as dormidas ao registarem um recuo de 1,9% nesse mês face ao período homólogo. Esta diminuição é justificada pela quebra das dormidas de não residentes, sobretudo dos turistas britânicos.

De acordo com os dados do INE, os estabelecimentos hoteleiros e similares registaram 2,5 milhões de hóspedes e 7,7 milhões de dormidas em agosto, correspondendo a variações de mais 0,4% e menos 1,9% (-2,2% e -2,5% em julho, respetivamente). Já nos primeiros oito meses do ano, os hóspedes aumentaram 1,4%, enquanto as dormidas recuaram 0,5%.

Mas enquanto as dormidas de residentes cresceram 4,4% – o mercado interno contribuiu com 2,7 milhões de dormidas –. as de não residentes diminuíram 4,9% em agosto. Desde o início do ano, a quebra é de 2,2%. 

Esta diminuição das dormidas de não residentes deveu-se sobretudo à redução do número de turistas britânicos – o mercado que mais pesa neste indicador. De acordo com o INE, o “mercado britânico (20,2% do total das dormidas de não residentes) recuou 12,3% em agosto. Nos primeiros oito meses do ano, este mercado apresentou uma diminuição de 9,4%”.

Isto num mês em que as dormidas de hóspedes espanhóis recuaram 1,1%, enquanto o mercado francês registou uma quebra de 8,1%. Nem o crescimento dos mercados norte-americano (+27,9%), canadiano (+20,9%) ou brasileiro (+15,6%) foram capazes de compensar a descida das dormidas dos turistas europeus.

Esta quebra acaba por se refletir nos proveitos do setor. De acordo com o instituto de estatística, as receitas “mantêm a tendência de abrandamento”: cresceram 3,5%, para 522,5 milhões de euros em agosto, em comparação com um crescimento em julho de 5,4%.

 A estada média (3,13 noites) reduziu--se 2,2% em consequência da diminuição da estada média de não residentes (-3,0%), dado que a estada média dos residentes registou um ligeiro aumento (+0,3%). A Região Autónoma da Madeira e a Área Metropolitana de Lisboa foram as únicas a registar aumentos nas estadas médias, ainda que ligeiros (+0,9% e +0,5%, respetivamente). As maiores reduções ocorreram no Centro (-5,4%) e no Algarve (-3,8%).

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) foi de 90,2 euros em agosto, o que se traduziu num aumento de 2,7% (+5,2% em julho). O Algarve registou o RevPAR mais elevado (129,3 euros). Neste indicador são de destacar os crescimentos na RA Açores (+7,7%) e Norte (+6,3%).

Em agosto, o Norte e a Região Autónoma dos Açores foram as únicas regiões que registaram acréscimos nas dormidas (+2,5% e +0,1%, respetivamente). Já em sentido contrário, os “decréscimos mais acentuados ocorreram no Centro (-13,6%), Algarve (-7,2%) e RA Madeira (-5,6%)”.

Oferta alternativa Mas não é só da oferta hoteleira que vive este setor. O alojamento local continua a dar um “empurrão” ao crescimento desta atividade. Por exemplo, o Airbnb registou quase 1,4 milhões de hospedes em Portugal este verão. Este número representa um aumento de 18% nas chegadas de visitantes ao nosso país. De acordo com a plataforma, Portugal continua a ser um dos destinos mais populares da Europa entre os viajantes de todo o mundo, que gastaram no mercado nacional uma média de 82 euros por noite.

Lisboa, Porto e Lagos permanecem no topo dos destinos mais visitados através do Airbnb, seguidos de Albufeira, Portimão, Faro, Ponta Delgada, Quarteira, Vila Nova de Gaia e Tavira. Relativamente a destinos-tendência, Moura (Beja), Vendas Novas (Évora), Paços de Ferreira, Leça do Balio e Canelas (Porto) foram as localidades com maior crescimento entre os viajantes que escolheram o nosso país este verão.

No entanto, o cerco aperta-se em relação à nova oferta, pelo menos nos bairros históricos em Lisboa, pois os novos registos de alojamento local (AL) vão ser suspensos nos bairros da Madragoa, Castelo, Alfama, Mouraria e Bairro Alto.

A identificação destas áreas resulta de um “Estudo Urbanístico do Turismo em Lisboa”, feito pela autarquia com o objetivo de fundamentar a escolha das áreas de contenção ao alojamento local, uma possibilidade que está prevista na nova lei do alojamento local, que entra em vigor a 21 de outubro. As linhas gerais deste estudo já foram apresentadas aos vereadores e deverão ir a votos no final deste mês. A nova legislação dá poder às câmaras para restringirem a abertura de novas unidades turísticas em áreas que já estejam sobrecarregadas.

De acordo com este estudo, que tem em conta dados de abril deste ano, há em Lisboa quase 14 461 unidades de alojamento local, com Santa Maria Maior – que concentra os bairros de Alfama, Castelo e Mouraria – a liderar as freguesias lisboetas com mais estabelecimentos registados (3674 unidades), seguida da Misericórdia (2941 estabelecimentos), Arroios (1520), Santo António (1314) e São Vicente (1243 unidades).

A verdade é que estes números poderão ser bem superiores, já que nos últimos meses se assistiu a uma verdadeira corrida às licenças. Só no últimos dois meses foram registadas cerca de mil unidades no centro histórico de Lisboa. A explicação é simples: as alterações à lei do alojamento local foram publicadas em Diário da República em agosto, mas contaram com um período de 60 dias antes da sua entrada em vigor.


Lisboa espera 36,5 milhões de euros com taxa turística em 2019

A Câmara Municipal de Lisboa espera arrecadar 36,5 milhões de euros com a taxa municipal turística no próximo ano. Este valor representa mais do dobro do estimado em 2018, altura em que a autarquia previu arrecadar 14,4 milhões de euros. As contas são do vereador das Finanças, João Paulo Saraiva. 

Para o próximo ano, a taxa turística vai subir de um para dois euros diários, até um limite de 14 euros, ao invés dos atuais sete euros, mantendo-se a regra de pagamento pelo máximo de sete dias, realçou. Recorde-se que no acordo de governação da cidade firmado entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, após as últimas eleições autárquicas, constava que o valor da taxa iria ser reavaliado até 1 de janeiro de 2019 e, já nessa altura, era apontado um aumento para este montante, igualando o valor que já é praticado atualmente no Porto.

João Paulo Saraiva anunciou ainda que esta taxa vai ser associada ao “reforço da receita para a mobilidade e transportes, à higiene urbana e aos novos protocolos de competências” a passar para as juntas de freguesia nesta área e, por fim, a “algumas questões de segurança que preocupam a cidade”.

O vereador especificou que a autarquia prevê utilizar até cinco milhões de euros da taxa turística para a celebração de contratos de delegação de competências com as juntas de freguesia para a manutenção da higiene urbana. No total, a câmara prevê gastar 25,6 milhões de euros em higiene urbana, em 2019.

Aprovada em 2014, a taxa municipal turística começou a ser aplicada em janeiro de 2016 sobre as dormidas de turistas nacionais (incluindo lisboetas) e estrangeiros nas unidades hoteleiras ou de alojamento local, sendo cobrado um euro por noite até um máximo de sete euros. 

As receitas provenientes da taxa turística já foram aplicadas a eventos como o Festival Eurovisão da Canção e vão também ajudar a financiar a continuação da cimeira da tecnologia e inovação Web Summit em Portugal. Além disso, este dinheiro também já foi utilizado para reforçar a higiene urbana na capital.

Só a Airbnb, plataforma de aluguer de casas por curtos períodos de tempo, entregou mais de 2,6 milhões de euros à autarquia de Lisboa em taxa turística no primeiro semestre do ano. Mas, desde abril de 2016, a Airbnb já entregou à capital portuguesa quase 8,1 milhões de euros. 

A Câmara de Lisboa prevê ainda para 2019 um orçamento consolidado de 1,38 mil milhões de euros, mais 8,3% em relação ao ano anterior. Para este ano, a autarquia prevê um orçamento consolidado de 1,28 mil milhões de euros. 
 

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