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Espanha. Pedro Sánchez acusado novamente de plágio

Espanha. Pedro Sánchez acusado novamente de plágio

AFP Rita Pereira Carvalho 21/09/2018 10:32

O primeiro-ministro espanhol é suspeito de ter copiado as palavras do diplomata Manuel Cacho no seu livro editado em 2013

A história das palavras escritas pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, podia dar um livro original. Mas é exatamente relativamente a um livro que Sánchez escreveu em 2013 que surgem novos rumores de plágio. Segundo o jornal espanhol “El País”, o livro “A Nova Diplomacia da Economia Espanhola”, da autoria do primeiro-ministro espanhol e do economista Carlos Ocaña, que atualmente trabalha no clube de futebol Real Madrid, contém parágrafos de uma conferência feita pelo diplomata Manuel Cacho na Universidade Camilo José Cela, em fevereiro de 2013. Até aqui, nada de estranho. O problema é que as palavras da conferência são usadas no livro sem aspas e sem uma única referência a qualquer fonte. Isso sim, é plágio.

Pelo menos 18 páginas têm parágrafos de seis autores copiados na íntegra, sendo o caso da conferência de Manuel Cacho, atual diplomata na Austrália, o mais flagrante. Há, inclusive, uma errata com a palavra “entidade” em vez de “entre” no discurso de Cacho que também aparece no livro de Sanchéz e Ocaña.

Cacho confirmou ontem ao jornal espanhol que não foi consultado nem deu autorização para o uso do material. No entanto, o Palácio de Moncloa já garantiu que se trata de “um erro involuntário” e que os co-autores se comprometem a corrigir o texto o mais brevemente possível “nas seguintes edições do trabalho, a nomeação das aspas será incluída corretamente”. Ontem à tarde, no fim da conferência de imprensa do Conselho Europeu de Salzburgo, na Áustria, Sanchéz reagiu e disse que o erro vai ser corrigido e deixou um recado: “Se a oposição quer fazer ruído, que faça ruído, nós vamos governar”.

O livro foi escrito com base na tese de doutoramento de Pedro Sanchéz, que também foi vista à lupa na semana passada, depois de rumores de plágio. A Universidad Camilo José Cela, em Madrid, iniciou um processo de investigação e afastou essa possibilidade. 

 

A tática de Sánchez

O tema plágio parece estar na moda em Espanha. Este mês, a ministra da Saúde, Carmen Montón, demitiu-se na sequência de um escândalo envolvendo o seu mestrado, que era mesmo plagiado. Depois, foi a vez de Sánchez ver a sua tese de doutoramento escrutinada.

Na sequência da discussão - e possivelmente com o intuito de mudar o foco mediático - o primeiro-ministro espanhol propôs na última segunda-feira uma alteração à Constituição para acabar com os privilégios judiciais dos políticos, juízes e família real espanhola. No prazo de dois meses, o primeiro-ministro espanhol espera ver aprovada a alteração no parlamento que irá suprimir a imunidade dos altos cargos. Mas esta questão não é linear e as opiniões dividem-se entre esquerda e direita. O partido Podemos, da esquerda radical, e o partido Cidadãos, da direita liberal, saudaram a possibilidade de pôr fim ao privilégio de alguns. Já o presidente do Partido Popular, Pablo Casado, considera que esta não é uma questão urgente e garante que o partido não vai na conversa.

Casado, recorde-se, está a ser investigado pelo Supremo Tribunal, já que beneficia de proteção jurídica. A juíza de instrução Carmen Rodríguez-Medel considerou que o mestrado em Direito Autonómico do atual líder dos populares foi uma espécie de prenda do diretor do curso, Enrique Álvarez Conde, da Universidade Rei Juan Carlos. 

No fim da história, Sánchez propôs a alteração da Constituição e agora é acusado novamente de plágio. Aguardam-se os próximos capítulos.

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