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José Paulo do Carmo 07/09/2018
José Paulo do Carmo

opiniao@newsplex.pt

O futebol e as nossas convicções

Lugar de criminoso é na cadeia já dizia o meu amigo Gigi. Seja ele quem for, independentemente da nacionalidade, raça, género, clube ou fação política. Este é um conceito que defendemos com grande determinação e eloquência mas que temos extrema dificuldade em interiorizar quando nos toca a nós ou a “algum dos nossos”. Isso só revela uma preocupante falta de maturidade e uma noção enviesada do que é que tem que ser a justiça e a cultura democrática. Na teoria é fácil, ela tem que ser cega e igual para todos, tem que ser justa e firme. Mas na verdade quando toca em temas fraturantes ou quando nos mexe com a emoção e o fanatismo de áreas como o futebol, a política, a religião e outros as coisas mudam substancialmente de figura.

Como é que um adepto do Porto pode defender que não existiu corrupção no Apito Dourado só porque “alguém” decidiu que as escutas não eram validadas quando estão acessíveis para todos ouvirmos as gravações onde se percebe de uma forma clara e inequívoca os compadrios e as influências? De que forma pode um adepto do Sporting desculpabilizar administrações que depositam dinheiro na conta de árbitros quando “está na cara” qual era a intenção? Porque é que um simpatizante do Benfica ao ler os e-mails e as mensagens que circulam na internet para todos lerem teima em considerar que não se passou nada e que é tudo uma cabala contra o clube ? Como é possível que políticos em quem depositamos a nossa confiança para nos governar passem os dias a defender e a “fechar os olhos” a certas atitudes e ações dos próprios partidos e que quando vêm do outro lado são os primeiros a acusar, a denunciar e apontar o dedo? 

As pessoas têm que começar a entender que têm que ser mais sérias e justas por muito que lhes custe ou toque. Que não podem pedir justiça só para os outros sem admitir os seus erros e as suas falhas. Quem não entende a vida assim e quiser permanecer na ignorância de achar que a culpa é sempre dos outros continuará a não ver os problemas pela sua raiz e por isso mesmo estará sempre muito mais distante de conseguir perceber como devem funcionar as sociedades e as relações, sejam pessoais ou profissionais. Pimenta no… dos outros já se sabe é refresco , é mais fácil acusar do que assumir as verdades mas ou começamos a crescer nas nossas análises ou elas nunca poderão ser levadas a sério. A verdade é essa por muito que custe admitir.

O facto de eu ser do Benfica desde que nasci e ter lugar no Estádio não implica que passe carta branca a quem por lá passa e o facto de me envergonhar ou não concordar com certas atitudes ou ações de algumas pessoas que serviram ou servem ou servem-se… do meu clube em nada belisca o meu amor por ele, penso até que o valoriza e me dá o direito depois de reclamar dos outros. A emoção pode levar-me a não ver um fora de jogo ou a pedir um penálti quando provavelmente não é, mas a razão não me permite fugir das evidências nem deixar de exigir a cada pessoa que se reja pelas mesmas regras de toda a sociedade.

No futebol, na política e na religião como na vida não devemos ter medo de defender as nossas convicções e não devemos nem podemos escondermo-nos delas mesmo quando mais nos custa e quando mais nos toca na pele. A independência não é seguirmos o caminho mais fácil, é darmos opinião quando é mais difícil. Se queremos exigir dos outros devemos fazê-lo primeiro dentro de nossa casa, essa é a verdadeira credibilidade que assiste e sustenta as nossas opiniões. Tudo o resto é conversa e tontinhos que não pensam pela cabeça própria.

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