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Autoeuropa. Administração e trabalhadores iniciam hoje negociações

Autoeuropa. Administração e trabalhadores iniciam hoje negociações

Miguel Silva Sónia Peres Pinto 04/09/2018 13:52

Em causa está a entrada em vigor do novos horários de laboração contínua que começaram a ser implementados a 23 de agosto 

A administração e os trabalhadores da Autoeuropa voltam hoje à mesa de negociações, apesar dos novos horários de laboração contínua já terem arrancado a 23 de agosto - após o período de férias. Em causa está a implementação do horário de 19 turnos - inclui três turnos aos dias da semana: manhã, tarde e noite, assim como dois horários, sem trabalho noturno, ao sábado e domingo. No entanto, o i sabe que estas negociações irão arrastar-se, pelo menos, até outubro. 

 Até chegarem a um novo acordo, os trabalhadores vão ter assegurado o pagamento do trabalho ao sábado a 100%, acrescido de mais 25% do prémio trimestral de produtividade. Valor insuficiente para a Comissão de Trabalhadores, que exige que a Autoeuropa pague a 100% o trabalho realizado aos domingos. Além destas reivindicações, a CT defende ainda a integração no quadro de pessoal, até setembro de 2019, de mais 400 trabalhadores com contrato a termo, a garantia da empresa de que não fará nenhum despedimento coletivo durante a vigência do acordo, bem como a entrega extraordinária da quantia de 100 mil euros para o Fundo de Pensões, a dividir de forma igual por todos os trabalhadores aderentes.

A administração terá alegado não ter disponibilidade para satisfazer esta reivindicação, pelo menos até final do ano em curso, pelo que os trabalhadores decidiram reclamar um prémio de mil euros, que seria pago no início de 2019. Uma intransigência da que levou a estrutura de trabalhadores a mostrar o seu desagrado. “Estas propostas não acrescentam absolutamente nada e são claramente inaceitáveis”, revelou, na altura, lembrando ainda que “as cargas de trabalho, o esforço acrescido que está a ser exigido aos trabalhadores e as alterações que os novos horários têm na vida pessoal de cada um e suas famílias não podem ser desvalorizadas e têm que corresponder a contrapartidas significativas”.

Mas até haver luz verde entre administração e trabalhadores deu entrada no tribunal de Sintra a providência cautelar contra os novos horários de trabalho interposta por um grupo de trabalhadores, denominado Juntos pelos Trabalhadores da Autoeuropa. A audiência está marcada para o próximo dia 6 de setembro, mas o i sabe que uma das partes entregou um requerimento para adiar a data. 

A ideia de avançar com uma providência cautelar foi anunciada em julho e, na altura, este grupo de trabalhadores revelou que iria contratar um escritório de advogados para esclarecer se a administração poderia ou não impor o novo modelo de laboração contínua sem o acordo dos trabalhadores e a satisfação das suas exigências quanto aos limites temporais e às compensações respetivas. 

O que é certo é que a aplicação da laboração contínua na Autoeuropa não tem sido um processo pacífico. No verão do ano passado, quando a empresa anunciou que pretendia alargar o horário de trabalho para cumprir as metas de produção do novo modelo T-Roc, a comissão de trabalhadores de então acabou por se demitir por não ter conseguido aprovar qualquer acordo.  

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