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José Paulo do Carmo 31/08/2018
José Paulo do Carmo

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Gerente de restauração é uma lição de Gestão

Um dia, numa aula da faculdade, um professor disse-nos que uma das maiores lições de Gestão que alguém podia ter era gerir um restaurante. Nós não percebemos bem a profundidade do que dizia. Hoje, sei que é verdade, porque devido aos impostos em Portugal é um negócio feito de pequenas margens, em que as quebras e os aproveitamentos dos produtos tomam parte fundamental no sucesso ou insucesso do negócio, mas também porque os recursos humanos são muitas vezes pouco qualificados ou estão na área apenas como solução de recurso ou passageira. Exigente porque é preciso estar para que funcione - e muitas vezes o tal sucesso é determinado pela presença constante e um acompanhamento permanente.

É por isso que dou muito valor a quem trabalha na área. Como no entretenimento, em que, para além das quebras, existem muitas ofertas. As pessoas quando vão a uma festa numa discoteca acham que quem as faz anda a brincar aos negócios ou para se divertir e, como tal, cada vez que têm um amigo que lá trabalhe acham que esses têm a obrigação de lhes dar bebidas e lhes facilitar tudo e mais alguma coisa. Os gerentes neste tipo de negócios têm, por isso, um trabalho hercúleo por terem que ser o barómetro e o ponto de equilíbrio no meio de tudo isto. São as formigas que fazem o trabalho de “sapa” e que fazem a engrenagem rolar.

Fazem-me lembrar um pouco os treinadores de futebol (menos o Jorge Jesus ): quando ganham, o mérito é dos jogadores e dos presidentes; quando perdem a culpa é do treinador. Nos gerentes passa-se mais ou menos o mesmo. Quando funciona o restaurante ou a discoteca quem sai prestigiado é o dono, o relações públicas, o cozinheiro e vários outros. Quando corre mal, a culpa é do gerente que não sabe gerir o negócio. Ou seja, anda sempre no limbo e, se repararmos com atenção, são as pessoas mais lúcidas e que, normalmente, mais tempo passam no espaço. Entram primeiro para abrir e só saem depois das contas fechadas, o que faz com que o valor que recebem, se for dividido pelas horas que dedicam, aos espaços seja sempre curto.

Conheço vários bons gerentes em Portugal: uns acumulam a função de donos, outros não. Todos merecem o meu reconhecimento pelo trabalho difícil que executam. E dou cada vez mais valor ao que o meu professor me disse naquela aula. Pessoas como o Paulo Gonçalves da discoteca Lust, o Pedro do Jezebel, o Alex do Grupo K, o Pedro Chuva, o Mário Perry e tantos outros que poderia aqui referir dedicam a vida aos negócios dos outros e lideram-nos como se fossem seus assumindo responsabilidades e dando a cara em situações muitas vezes complicadas.

Por vezes, quando vamos a certos sítios e usufruímos de um serviço de qualidade, não percebemos que por trás está todo um trabalho silencioso e exaustivo que merece o nosso reconhecimento, porque a sorte dá muito trabalho e custa muito a construir. É por isso fundamental dar valor a quem o tem e estimar os bons profissionais que muitas vezes dão o corpo por nós e nos fazem atingir o sucesso. Valorizar os recursos humanos não é apenas uma necessidade, é um fator essencial para a determinação do resultado de qualquer negócio. Gerir em qualquer área da restauração é uma lição de gestão. Financeira e de recursos humanos.

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