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PSD. Por que razão ninguém se entende?

PSD. Por que razão ninguém se entende?

Mafalda Gomes Luís Claro 29/08/2018 08:36

Rio foi de férias em agosto, mas os críticos não abrandaram o ritmo. Nos bastidores já se fazem contas a uma eventual derrota nas legislativas

“Um PSD parado, inativo, em férias, sem fazer oposição e sem iniciativa é o melhor aliado para o PS ter maioria absoluta”Ainda Rui Rio não era presidente do PSD e já Miguel Relvas avisava que “vamos ter um líder para dois anos”. Ou seja, se o PSD perder as legislativas com António Costa “será posto em causa”. Rui Rio irritou-se e num debate com Santana Lopes prometeu meter o PSD na ordem: “deixe-me ganhar que vai ver como as coisas são. Este clima tem de acabar”.

A verdade é que Rui Rio ganhou, mas até agora, quase nove meses depois de ter sido eleito, parece não ter conseguido unir o PSD. Desde o primeiro dia que vê a sua estratégia questionada e as férias não acalmaram a tensão. No mês de Agosto viu Pedro Duarte desafiá-lo a abandonar a liderança, Santana Lopes criar um novo partido e os críticos acusá-lo de “hibernar” durante um mês inteiro. “Um PSD parado, inativo, em férias, sem fazer oposição e sem iniciativa é o melhor aliado para o PS ter maioria absoluta”, alertou Marques Mendes, no seu último comentário na SIC.

A verdade é que a vida não está fácil para a direita. A inédita aliança à esquerda baralhou o jogo e o principal partido da oposição nunca mais conseguiu descolar nas sondagens. Costa conseguiu acabar com algumas medidas de austeridade que ficaram pegadas ao governo de Passos, mas ao mesmo tempo não largou o discurso do “rigor orçamental” com o objetivo de captar o eleitorado de centro e descolar da ideia de que os governos socialistas são despesistas.

Uma estratégia que pode tornar mais difícil ao PSD apresentar uma alternativa. “A conjuntura económica e a estabilidade desta solução fazem com que a tarefa da oposição seja difícil. A verdade é que mesmo as pessoas que não apoiavam o governo ficaram surpreendidas com a estabilidade governativa”, diz ao i António Costa Pinto.

A melhor forma de lidar com a geringonça divide o partido. Rui Rio trouxe para o PSD uma nova estratégia e aproximou-se dos socialistas. Os mais críticos acham inaceitável dar a mão a Costa. Ao ponto de Carlos Carreiras, vice-presidente do PSD, ter alertado, numa entrevista à rádio Renascença, que “estamos a chegar a um extremo em que a ausência do PSD do debate político e no encontrar de alternativas à atual solução coloca em causa o próprio regime”.

Não é novidade que um partido como o PSD lida mal com o afastamento do poder. Durante os sete anos em que José Sócrates governou o país, o PSD teve quatro líderes – Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho. Só o último conseguiu atingir o poder e conquistar a paz interna quando a crise rebentou em Portugal e Sócrates foi obrigado a aplicar as medidas de austeridade.

O cenário agora é outro e no PSD já se fazem contas ao dia a seguir às eleições. Se Rui Rio não vencer não faltam candidatos. Luís Montenegro é apontado como aquele que está em melhores condições para disputar a liderança. Deixou o parlamento, mas continua ativo através da participação em programas de comentário político. Ao longo dos primeiros meses da nova liderança, o ex-líder parlamentar nos tempos da troika nunca perdeu oportunidade para marcar posição. No debate sobre a eutanásia acusou o líder de ter abordado o tema de “uma forma desajeitada e desastrada”. Na discussão do orçamento lamentou a “hesitação” e recusou um partido que “prefere “estar a meio da ponte a olhar para os dois lados”. A principal critica de Montenegro à estratégia desta direção é a aproximação ao PS e classificou como “suicidária” a possibilidade de viabilizar um governo socialista. O mais certo, porém, é o ex-líder da bancada do PSD não desafiar a atual direção antes das legislativas.

Outro dos problemas do PSD é o novo partido de Santana Lopes. Rui Rio deu instruções para que a Aliança seja ignorada, mas o ex-líder do partido já começou a fazer estragos. Santana convidou Carlos Carreiras, uma das vozes mais críticas da atual direção nos últimos tempos, para um almoço e o encontro, que se realizou em Cascais, foi tornado público.

Santana Lopes deu esta segunda-feira a primeira entrevista desde que começou a recolher as 7500 assinaturas necessárias para o novo partido. Garantiu, na SIC, que não está disponível para fazer acordos com os socialistas e que quer trabalhar para “construir uma alternativa não em litígio com os partidos de centro-direita, mas construindo, preparando e apresentando propostas. Eu não virei anti-PSD”. Rui Rio nunca falou da Aliança e regressa de férias no dia 1 de setembro. Os próximos meses não serão fáceis.

 

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