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Pontal. “Que Rui Rio passe a jogar a ponta de lança a partir de 1 de setembro”

Pontal. “Que Rui Rio passe a jogar a ponta de lança a partir de 1 de setembro”

Diana Tinoco Cristina Rita 29/08/2018 08:33

Festa começa com uma partida de futebol e o presidente do PSD/Algarve defende que o líder do partido mude de estratégia e jogue ao ataque. São esperadas 500 pessoas, um terço da média dos últimos anos

O que têm a política e o futebol em comum? Aparentemente, nada. Mas o líder do PSD, Rui Rio, regressa à atividade política no dia 1 de setembro, na Festa do Pontal, com... uma partida de futebol. Logo pela manhã. Em que posição vai jogar? Segundo o presidente da distrital do PSD/Algarve, o líder social-democrata deve entrar em campo como ponta de lança, com todas as leituras políticas que isso comporta, porque Rui Rio tem estado recuado no meio campo, ou seja, de férias, e em política essa opção está a criar uma onda de desalento interno, segundo transmitiram ao i várias fontes sociais-democratas, das bases e parlamentares.

O líder da distrital do PSD-Faro, David Santos, defende, sem cerimónias, que a estratégia deve mudar: “Eu penso que, neste momento, do que tem estado a fazer, está um pouco na expectativa do meio campo, mas acho que, a partir de 1 de setembro, tem que ir jogar ao ataque. Não podemos estar mais ali no meio- -campo, na posição de trinco. Temos que ir mais para a frente, a jogar a ponta de lança. O nosso objetivo é esse: que a partir de 1 de setembro passe a jogar a ponta de lança”, pediu o dirigente distrital ao presidente social-democrata.

A festa do Pontal vai mudar de registo, transitou de Quarteira para a Fonte Filipe, em Querença, e assume-se agora como uma festa regional por ordem de Rui Rio. O objetivo é poupar cerca de 60 mil euros ao partido e a direção ‘laranja’ apresentou a iniciativa como um regresso às origens da festa, no final dos anos 70, com Francisco Sá Carneiro.

A distrital do PSD/Algarve acatou a versão reduzida, com duas condições: “Realizar-se a festa do Pontal e contar com a presença do líder do partido”. A presença não implica, porém, que Rio faça um discurso de fundo próprio de uma tradicional rentrée política – em que os líderes apresentam os objetivos principais para o novo ano político que se inicia em setembro. O presidente do PSD remeteu o discurso principal para o encerramento da Universidade de Verão do partido, em Castelo de Vide, a 9 de setembro.

Assim, a festa do Pontal perdeu dimensão, mas David Santos diz ao i que, seguramente, “estarão presentes 500 pessoas”, ou seja, um terço da média de edições em anos anteriores. O número já está confirmado, mas será difícil encontrar a bancada parlamentar em peso na festa. Já o líder parlamentar, Fernando Negrão, garante ao i que vai lá estar. A iniciativa inclui atividades lúdicas, como o jogo da malha, mas também um jogo de sacos. “Sacas de serapilheira”, especificou ao i o dirigente máximo do Algarve, que também quer colocar os militantes a dançar. “Temos também um rancho folclórico, O Corridinho. Vamos ver se pomos as pessoas a dançar”, defendeu o responsável da iniciativa, que custará 5 euros a cada militante, com direito a autocarro, “a sair de alguns pontos da região, sendo possível inscrever-se para obter transporte gratuito”, diz a distrital do PSD.

Vários líderes distritais já disseram que iriam estar presentes, como o de Lisboa, Viseu, Leira, Guarda, mas os de Castelo Branco e Setúbal, por exemplo, ficarão nos seus respetivos distritos a participar em festas locais.

Quem também já disse que não vai estar presente é o ex-deputado Mendes Bota. O antigo parlamentar foi o anfitrião do Pontal durante treze edições, mas não gostou que a iniciativa perdesse a dimensão de rentrée. “O Pontal morreu”, disse. A resposta do dirigente distrital David Santos foi de desagrado com o atual conselheiro em Bruxelas. “Tem estado afastado há algum tempo da política e normalmente quando gosta de aparecer, estando muito tempo afastado, é sempre para criticar. Não é nada que aqui no Algarve não estejamos habituados”, atirou David Santos, num sinal de divergências antigas.

Perder votos e deputados. No PSD não se antecipa, para já, nenhuma revolta que retire Rio do caminho, mas o sinal de nervosismo entre deputados tem aumentado, até porque o risco de vários parlamentares perderem o lugar nas listas é elevado. Em 2019, há quem receie que a perda de votos – já assumida em conversas entre dirigentes e militantes em vários distritos – possa reduzir o peso da bancada do partido. E o desalento aumenta, conforme confidenciou ao i uma fonte parlamentar, sobretudo porque se percebe que “as críticas ao facto de Rio estar de férias durante um mês não o farão mudar a estratégia”. Por isso, a expectativa sobre a festa do Pontal é reduzida, mas a rentrée com a universidade de verão, em Castelo de Vide, terá de “marcar a agenda”, disse ao i um antigo dirigente.

 

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