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Investir em arte. Negócio que exige atenção e conhecimento

Investir em arte. Negócio que exige atenção e conhecimento

Dreamstime Sónia Peres Pinto 27/08/2018 21:09

Além de dinheiro, investir em obras de arte também exige conhecimento. Se as escolhas forem bem feitas, conte com ganhos garantidos a longo prazo. Caso contrário, arrisca-se a comprar “gato por lebre”

Pintura. Tenha em conta os nomes

Há determinados pintores portugueses que são considerados uma espécie de “porto seguro” para quem pretenda colecionar ou investir em arte. Além da conhecida Paula Rego, nomes como Júlio Pomar, Almada Negreiros e Júlio Resende são vistos como boas apostas. Mas ter várias peças de arte de nomes sonantes não significa necessariamente que tem uma coleção valiosa. Mesmo os artistas mais conceituados passaram por fases menos brilhantes, por isso tenha tanta atenção à obra como tem ao artista.

Livros. Primeiras edições são mais valiosas

E se em vez de comprar ações comprasse livros? Certo é que esta não é uma ideia descabida e tem vindo a ganhar mais adeptos. As primeiras edições são as mais valiosas. Por exemplo, as primeiras edições de Camões e Fernando Pessoa já valem milhares de euros. Mas este investimento não é assim tão simples. O estado de conservação dos livros condiciona a sua valorização. É essencial que esteja completo, sem páginas arrancadas e com a encadernação original. Se tiver dedicatória do autor ainda é melhor, pois faz subir o preço. Já sabe: quanto mais raro for, mais valioso será.

Antiguidades. Aposte na valorização

As antiguidades, por norma, representam um ativo com uma boa valorização, sobretudo se forem escolhidas. Mas nem tudo são facilidades: a oferta é cada vez mais pequena porque a maioria já foi comprada. Por norma, uma antiguidade tem mais de cem anos, mas precisa de ter outras potencialidades. É o caso, por exemplo, da qualidade ou do interesse da peça. Um objeto simples, mesmo que seja do século XIX, não significa que seja uma antiguidade. A verdade é que os antiquários também já viveram melhores dias, mas ainda assim, os principais continuam abertos.

Leilões. Como comprar ao melhor preço

Recorrer aos leilões poderá ser a melhor forma de comprar ao melhor preço. O catálogo do leilão reúne os lotes que vão ser licitados em praça pública com as respetivas avaliações, o que lhe permite fazer comparações. Mas o ideal é visitar sempre a exposição que antecede o evento, pois assim consegue conhecer todas as peças e, desta forma, é possível estudar melhor o valor de cada uma. As peças mais valiosas são acompanhadas de um certificado e o recibo é assinado por um perito ou pelo próprio leiloeiro.

Tem obras de arte em casa? Ganhe dinheiro

Para quem tem obras de arte em casa e pretenda rentabilizar algum dinheiro extra, o mais fácil é recorrer a leilões. A Cabral Moncada Leilões é uma das empresas mais conhecidas a atuar no mercado português e assegura um serviço de avaliação dos bens. De acordo com a mesma, a avaliação informal é gratuita e não implica qualquer obrigação de venda. Quem pretende uma avaliação formal e escrita – onde já está identificado o estado de conservação, material que é feito, época, etc. – já terá custos.

 

Guia SOS de investimento 

Prazo de investimento

•  Deve pensar sempre em investir numa lógica a longo prazo. Não se esqueça que, quanto mais tempo passar, maiores são as garantias de uma peça se valorizar. O ideal é esperar, pelo menos, 15 anos antes de vender.

Dicas

•  Obtenha o máximo de informação. Antes de comprar faça uma pesquisa para obter dados sobre a história da peça, quem a executou e o seu estado de conservação. Os grandes colecionadores têm consultores que os ajudam a avaliar, mas para um investidor comum, o melhor é recorrer à Internet.

•  Evite seguir modas. É natural que determinado tipo de obras seja alvo de maior procura em determinados períodos de tempo, o que acaba por influenciar o próprio preço a pagar.

•  Não compre uma obra de arte só pela assinatura do artista, pois nem sempre é sinónimo de valorização. Há obras de artistas consagrados de inferior qualidade e, nesses casos, a rentabilização a alcançar será certamente inferior. 

•  Tenha algumas cautelas. Dê especial atenção à arte contemporânea, já que é mais suscetível à especulação.  

Onde se dirigir 

•  Recorra a feiras sempre que possível, uma vez que o ajudam a ter uma ideia global sobre o mercado

•  Dirija-se a galerias. Por exemplo, a Associação Portuguesa de Galerias de Arte integra as melhores.

•  A bienal de antiguidades poderá ser uma boa aposta, pois pode ensiná-lo a distinguir as obras boas das menos boas. 

•  Apoie-se na tecnologia. Mais de 300 entidades online ligadas à arte foram lançadas nos últimos anos, abrangendo os mais variados segmentos. 

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