24/9/18
 
 
Mário Ramires 27/08/2018
Mário Ramires

opiniao@newsplex.pt

Deixem os mortos em paz e cuidem dos vivos

O governo espanhol de Pedro Sanchéz aprovou na sexta-feira um decreto que determina a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco da Basílica do Vale dos Caídos. O decreto governamental terá agora que ser ratificado no parlamento - e o PSOE conta com o apoio das outras bancadas da esquerda, sendo que basta uma maioria simples, e a direita deverá abster-se -, pelo que a família do ditador será convidada a pronunciar-se sobre o local para onde deverão ser transladados os restos mortais de Franco.

É claro que a família do ditador já adiantou que vai usar todos os recursos legais e judiciais que tiver ao alcance para evitar a exumação e a transladação. Mas o decreto de Sanchéz, já por causa das coisas, prevê que, caso a família não indique local para a trasladação, o Governo decidirá o que fazer.

Enquanto andam nisto os espanhóis, por cá andamos nós a discutir quem deve ou não deve passar a ter poiso no Panteão Nacional - a Igreja de Santa Engrácia transformada em monumento nacional e última morada de grandes figuras históricas nacionais ou com elevados serviços prestados ao país. E lá estão caixas tumulares evocativas de personalidades dos descobrimentos portugueses, bem como os túmulos com os restos mortais de Presidentes da República, políticos ou escritores e poetas de referência. E, já este século, também de Amália, a fadista, e Eusébio, o futebolista - que levaram o nome de Portugal por todo o mundo.

Vai daí, e tirando as polémicas ocasionais de um ou outro jantar, de quando em vez calha alguém a lembrar-se de propor mais uma ou outra personalidade para o Panteão. Ora é Mário Soares, ora Álvaro Cunhal... 
A última partiu da Sociedade Portuguesa de Autores: Zeca Afonso - o cantor de intervenção que expressamente manifestou a vontade de ser enterrado numa campa rasa.

Enfim, polémicas sem sentido. No século XXI, já era tempo de sabermos deixar os mortos em paz e cuidarmos mas é dos vivos. Porque são os vivos que fazem o futuro. E o resto é passado. E o passado é História - e esta, 
faça-se o que se fizer, já não se altera.
 

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