23/9/18
 
 
António Luís Marinho 24/08/2018
António Luís Marinho

opiniao@newsplex.pt

A normalização esquerdista

A extrema-direita está a crescer na Europa? Claro que sim. O seu crescimento constitui um perigo para a democracia? Claro que sim. Será aplicando políticas proibicionistas que vamos combatê-la? Claro que não!

Chegaram com pés de veludo, com um discurso “democrático”, invocando a defesa de “causas fraturantes”, tentando fazer esquecer um passado ideológico recente, totalitário, intolerante e gerador de ódio.

Depois, refastelados à mesa do poder, graças ao acordo da geringonça, começaram, pouco a pouco, a revelar a sua verdadeira face: a intolerância na defesa de uma sociedade normalizada segundo as suas regras. Uma espécie de estalinismo do séc. xxi. 

Nesta sociedade, todos os empresários são “exploradores do povo” e a nacionalização é a solução para todos os males. 

A solução é, portanto, o Estado. Mais Estado, mais intervenção dos governos, maior peso do setor público. 

Uma sociedade talvez com o modelo “chavista”, tão celebrado no passado recente. Basta recordar as palavras da eurodeputada do BE Alda Sousa, em março de 2013, quando da morte do ditador venezuelano:

“Enquanto, na Europa, a democracia está a falhar, na Venezuela, a democracia participativa tornou-se num sinal de identidade.”

Nesta nossa sociedade desorientada, desgovernada e cansada, é natural que este canto de sereia ainda encante alguns. Na verdade, a resposta política a esta fúria normalizadora tem-se revelado ineficaz e, em muitos casos, contraproducente.

 No passado recente, a tentativa liberal fracassou, muito por culpa das políticas aplicadas, na sequência de leituras apressadas e mal digeridas dos clássicos.

A generalidade da comunicação social alimenta o folclore mediático em vez de procurar pesquisar e desenvolver os temas que são realmente importantes e ouvir novas vozes e conhecer novas abordagens. O discurso circula, invariavelmente, em redor dos mesmos.

Em vez de procurar temas próprios, a comunicação social vai-se citando entre si. 

Este discurso perigosamente normalizador é uma bênção para o poder instituído, uma vez que o controla, definindo quem são os maus e os bons. Os novos “engenheiros das almas” andam por aí. 

A extrema-direita está a crescer na Europa? Claro que sim.

O seu crescimento constitui um perigo para a democracia? Claro que sim.

Será aplicando políticas proibicionistas que vamos combatê-la? Claro que não!

Como defender a democracia?

Com mais democracia!

É urgente, é necessário que as pessoas entendam claramente que a democracia é o único sistema que as defende na sua plenitude.

E, para isso, é essencial que nenhuma das suas regras essenciais seja abolida.

Quem defende essa abolição esconde ideais totalitários. 

Quando as pessoas entenderem isto, não hesitarão em lutar pela verdadeira democracia. 

Jornalista
 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×