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Bloco. Costa e o PS já estão em pré-campanha eleitoral

Bloco. Costa e o PS já estão em pré-campanha eleitoral

DR Cristina Rita 14/08/2018 09:36

Deputado Pedro Soares diz que os socialistas já estão a pensar nas legislativas, mas não serão os bloquistas a criar instabilidade

O primeiro-ministro já está em pré-campanha eleitoral. A análise é feita por dirigentes do Bloco de Esquerda na sequência da entrevista de António Costa ao “Expresso”. Primeiro foi Francisco Louçã, fundador do partido e comentador na SIC, a apontar os apelos velados a uma maioria absoluta. Em causa estava a frase “quanto mais forte for o PS, melhor funcionará esta solução política”, proferida na entrevista pelo também líder do PS.

No Twitter, o vice-presidente do parlamento José Manuel Pureza não perdoou a António Costa o comentário sobre o caso do ex-vereador do partido Ricardo Robles, que saiu de cena depois de ser divulgado que quis vender, com a irmã, um prédio em Lisboa no ano passado. “Nunca imaginei que quem prega com tanta virulência a moral política cometesse pecadilhos”, atirou Costa a Robles. De férias, Pureza não resistiu ao desabafo nas redes sociais: “António Costa não comenta Rio, não comenta Santana Lopes, não comenta a sua comparação com Vito Corleone feita pelo PCP. Comenta Robles. Estratégia da campanha eleitoral clarificada.” De facto, Costa não quis elaborar sobre o vídeo onde o PCP - um parceiro de esquerda - o colocou ao lado do presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, ao som do genérico da saga de filmes sobre a máfia italiana nos EUA intitulada “O Padrinho”. A crítica comunista surgiu na aprovação das alterações ao código laboral.

A versão de Pureza não deve ser a de Catarina Martins, a coordenadora do partido, quando voltar de férias, mas o deputado bloquista Pedro Soares concorda com o seu colega sobre a tese de que os socialistas já estão em campanha. “ O posicionamento do PS é já pré-eleitoral, por isso procura disputar eleitorado ao centro”, começou por explicar ao i o parlamentar numa análise prévia à entrevista de Costa.

Pedro Soares, que também é presidente da comissão parlamentar de Ambiente, lê a entrevista de forma muito clara. O primeiro-ministro disse que o PSD “não tem lepra”. “Não tem lepra, o problema é que se troquem acordos com a esquerda - a maioria parlamentar - por acordos com o PSD. É esse o problema que está colocado e tem vindo a ser colocado nos últimos tempos”, declarou ao i o deputado, apontando o acordo para a descentralização.

Assim, “o caminho parece de de aproximação ao período eleitoral”, concluiu Pedro Soares.

 A estratégia do PS pode condicionar as negociações para o Orçamento do Estado? Neste ponto, o deputado bloquista faz o discurso de abertura e avisa os socialistas que não será pelo Bloco de Esquerda que haverá instabilidade. “O processo negocial tem de ser muito claro, muito transparente. Tem de haver abertura mútua para uma aproximação. Essa é a nossa determinação. Se alguém está a querer criar instabilidade política a propósito do Orçamento, não é o Bloco de Esquerda.” Recado dado, as contas só se fazem no final do processo. Mas, do lado do BE, o esforço passará por encontrar a maior aproximação possível nas soluções.

Sinal de que também no Bloco já se pensa para lá da legislatura, Francisco Louçã fez uma análise crítica de posições anónimas, noticiadas pelo “Público”, atribuídas a um governante do PS, ao admitir acordos não escritos depois das legislativas.

Na SIC Notícias, Louçã colocou o dedo na ferida e risca a ideia do mapa. “É totalmente impossível” ou mesmo “uma farsa”, porque abre a porta a uma navegação à vista. “ Para haver acordo é preciso que haja convergência sobre objetivos”, comentou Louçã, contestando a ideia de se fazer política sem o registo de propostas num documento. Para Louçã, este tipo de comentários criam desconfiança e traduzem-se num “procedimento raríssimo, estranhíssimo, anónimo, portanto suspeito”, argumentou um dos fundadores do Bloco e antigo responsável do BE. Se é certo que Francisco Louçã já não comanda o Bloco, é também uma voz presente e ouvida no partido. Porém, Pedro Soares prefere contextualizar as declarações num registo de comentário político. “ São reflexões do Francisco  [Louçã]. Só podemos avançar mais alguma coisa depois das eleições”, considerou. O que conta é o resultado eleitoral de 2019, os votos para “determinar a correlação de forças para um processo negocial ou não”.

Sobre o futuro de um acordo à esquerda, no Bloco, a ordem é não antever cenários. “Uma direção partidária não pode estar a defender conjeturas à volta de situações que são prematuras e que podem ter efeitos adversos”, justificou Pedro Soares, que também é membro da comissão política do BE.

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