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Intertoto. A Taça-dos-sem-taças para preencher o totobola

Intertoto. A Taça-dos-sem-taças para preencher o totobola

DR Afonso de Melo 08/08/2018 20:14

Nove anos antes de vencer a Taça dos Campeões Europeus, o Ajax bateria o Feyenoord por 4-2 na primeira final da Taça Intertoto, uma prova que levou tratos de polé até desaparecer do calendário mas que foi, durante algum tempo, a competição mais importante dos meses de verão

Intertoto: eis uma taça que nunca puxou muito pelo interesse dos adeptos. Serão poucos os que conhecem a sua história, menos ainda os que sabem das sucessivas alterações às suas fórmulas de disputa.

Mas também nenhuma outra competição internacional é tão de verão como aquela que se iniciou em 1961 sob o nome de The International Football Cup. Prosaico, muito prosaico.

Três foram os ideólogos da prova: Ernst Thommen, Eric Persen e Karl Rappan, um suíço, um sueco e um austríaco, respetivamente, que acabariam por ter papel decisivo no desenvolvimento das diversas competições europeias.

A ideia inicial era, basicamente, a de proporcionar uma competição internacional para as equipas que não tinham lugar nas competições internacionais desse tempo: a Copa Mitropa, a Taça Latina e a Taça dos Campeões Europeus. Qualquer clube podia requerer a sua inscrição e seriam escolhidos os mais bem classificados dos campeonatos que não os campeões.

A primeira edição teve lugar no final da época de 1961-62; a última, no ano de 2008, já depois de se ter transformado numa confusão diabólica que fazia aceder os diversos vencedores de vários grupos à Liga Europa. Ou seja, deixaria de ser uma prova clássica, com eliminatórias e final, para se limitar a uma embrulhada de jogos muito pouco consistente.

Thommen fora o grande cabouqueiro da implantação das apostas desportivas na Suíça no início dos anos 30. Ou seja, aquilo que viria a ser o popular Totobola, assente na palavra alemã toto, que significa exatamente aposta. A Intertoto foi, durante muitos anos, a grande fornecedora das fichinhas que a malta preenchia com os inimitáveis 1X2 enquanto não se iniciavam as outras provas - a Intertoto e diversos jogos particulares que eram incluídos na apetecível lista de 13.

Em 1967, já a filosofia da taça fora absolutamente vandalizada. Perante os calendários cada vez mais preenchidos, deixou de haver lugar para uma final clássica, atribuindo-se a vitória na competição aos diversos vencedores de vários grupos em simultâneo.

Enfim, passou a valer tudo e mais um par de botas, bastando dois jogos para dar o trofeuzinho (curiosamente, sempre minúsculo) a torto e a direito.

Deixemos isso. 

Recordemos a tal primeira edição, essa sim, à moda antiga, que teve a sua final no Estádio Olímpico de Amesterdão apenas 15 dias após a final da Taça dos Campeões entre Benfica e Real Madrid no mesmo local.

Trinta e dois clubes participaram, divididos em oito grupos cujos vencedores se apuravam para os quartos-de-final, seguindo-se a esquematização habitual, embora a uma única mão. A Europa central foi, naturalmente, monopolizadora: Áustria, Checoslováquia, RDA, Holanda, Suíça e Suécia apresentaram quatro clubes cada; a Polónia, dois; a RFA, seis. O Sporting seria o primeiro português a participar na Intertoto, na época de 1968-69, eliminado num grupo com Dukla de Praga e Áustria de Viena.

A final de Amesterdão seria histórica e juntou os dois grandes clubes holandeses: Ajax e Feyenoord.

Depois de afastar o First Viena (4-3) e o Slovan Bratislava, que ganharia as duas Intertotos seguintes, (5-1) nas eliminatórias, o Ajax bateu o seu rival por 4-2. Primeira taça europeia conquistada por uma equipa que não tardaria a dominar o futebol do continente e já contava com nomes como Piet Keizer e Sjaak Swart, o capitão. Ambos viriam a vencer a Taça dos Campeões Europeus nove anos mais tarde.

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