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Somos todos tomates. Efeito estufa em risco de se tornar permanente

Somos todos tomates. Efeito estufa em risco de se tornar permanente

Beatriz Martinho 07/08/2018 19:50

Estudo internacional conclui que a temperatura média pode subir cinco graus em relação à era pré-industrial e o mar subir 10 a 60 metros

O aquecimento global pode causar um efeito de estufa irreversível na Terra, tornando vários locais do planeta inabitáveis. As conclusões são de um estudo publicado na segunda-feira na revista científica PNAS, que envolve cientistas da Suíça, Dinamarca, Reino Unido, Bélgica, Estados Unidos, Alemanha e Holanda.

A investigação liderada por Will Steffen, da Universidade Nacional Australiana (ANU), alerta que esta situação pode levar a que a temperatura aumente cinco graus em relação à era pré-industrial e que o nível da água do mar suba 10 a 60 metros a longo prazo. Atualmente, a temperatura média global é cerca de um grau superior à que era registada antes da revolução industrial e aumenta 0,17 graus a cada década.

Os cientistas observaram que, caso as temperaturas aumentem dois graus devido às atividades humanas, será ativado um processo no sistema da Terra, chamado retroalimentação (também conhecido como feedback), que pode desencadear mais aquecimento – mesmo se os gases de efeito de estufa pararem de ser emitidos – criando um “efeito dominó”.

As consequências catastróficas da ativação destes elementos de retroalimentação incluem o descongelamento do solo da região do Ártico (denominado pergelissolo), a perda de de hidrato de metano (cristais de gelo com gás no interior) na água do mar, o enfraquecimento dos depósitos naturais de carbono na terra e no mar e o aumento das chamadas “zonas mortas” no oceano – áreas onde não há oxigénio e onde não há vida, devido ao crescimento de “bactérias assassinas” que consomem muito oxigénio. 

Podem ainda levar à morte das florestas amazónica e boreal, à redução da camada de neve do Hemisfério Norte e à perda do gelo marinho e das calotas polares no Ártico e na Antártida. Por agora, estes sistemas ajudam a travar o aquecimento global, mas o aumento da temperatura da Terra acabará por inverter essa função.

“A preocupação real é que esses elementos de inflexão possam agir como uma fila de peças de dominó, uma vez que uma é empurrada empurra a seguinte e pode ser muito difícil ou mesmo impossível parar toda a fila de peças de dominó”, explicou Steffen, através de um comunicado.

Esforços atuais não chegam

Os investigadores acreditam que a ativação em cadeia destes elementos de retroalimentação pode levar à libertação incontrolável do carbono que foi armazenado até agora no planeta Terra. Para evitar esta situação, os cientistas afirmam que os esforços feitos atualmente são insuficientes. “É improvável que os esforços atuais, que não são suficientes para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, ajudem a evitar esta situação perigosa que pode levar a que muitas partes do planeta se tornem inabitáveis ​​para os humanos”, alertou Will Steffen, pedindo que se faça rapidamente a transição para uma economia verde a nível global.

Recorde-se que o Acordo de Paris, assinado em 2015 por cerca de 200 países, tem como objetivo manter o aumento da temperatura média global abaixo de dois graus em relação ao nível pré-industrial e continuar os esforços para limitar esse aumento em um grau e meio.

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