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Calor. Nem a venda de gelo consegue acompanhar o termómetro

Calor. Nem a venda de gelo consegue acompanhar o termómetro

DR Sofia Martins Santos 07/08/2018 19:48

O calor tem feito subir o mercúrio, mas não é apenas esta subida que se destaca. A procura de ventoinhas e aparelhos de ar condicionado disparou e há já vários postos de abastecimento sem gelo. Especialistas alertam para um futuro com cada vez mais ondas de calor

Quando o calor se faz sentir em Portugal, disparam as vendas de aparelhos de ar condicionado e de ventoinhas. O setor, que este ano sofreu mais porque o calor tardou a chegar, começa finalmente a falar em recuperação. Nos últimos dias, de norte a sul do país, as temperaturas altas obrigaram os portugueses a procurar formas várias de fugir ao calor. Por estes dias, foram as ventoinhas e os aparelhos de ar condicionado que ajudaram a suportar os dias e noites mais quentes. Pode mesmo falar-se de uma verdadeira corrida a estas soluções e até o gelo esgotou em alguns postos de abastecimento.

Ainda que não tenha confirmado valores, uma das produtoras de gelo confirmou ao i que tem havido problemas porque a procura disparou e não há mãos a medir para tantos pedidos. Por isso existe uma grande probabilidade de não encontrar gelo à venda ou de ter de procurar em vários sítios até finalmente poder suspirar de alívio. 

Também no que respeita ao consumo de ventoinhas e aparelhos de ar condicionado, a procura fica acima dos valores comuns. No grupo que detém o Jumbo, só na quinta-feira, ainda que não existam dados sobre o número de unidades vendidas, foi registado “um crescimento nas vendas de 930%”. 

Na Rádio Popular, por exemplo, o departamento de marketing explica que, nos últimos dias, foram “vendidos mais aparelhos que desde o início do verão”. A verdade é que o discurso parece não mudar, seja qual for a empresa que se escolha. Nas lojas do AKI houve “um crescimento de 700% nas vendas destes artigos”. 

Fonte da Worten também explica que, "desde o início de junho até à data, o volume de vendas de ares condicionados e ventoinhas é 25% acima do ano passado". Se considerarmos apenas os primeiros dias de agosto, vendemos, em 2018, 22 vezes mais do que em igual período de 2017", acrescenta a empresa. 

Calor aperta, compras disparam

Em agosto de 2016, por exemplo, foi registado um “crescimento significativo nas vendas [de aparelhos] de climatização” - de 150% em ventilação e ar condicionado. O mesmo aconteceu na Worten, que vendeu mais do dobro por comparação com 2015, registando um crescimento de 140%.

De acordo com um estudo da Informa D&B, o mercado ibérico de equipamentos de ar condicionado voltou a crescer nos anos de 2014 e 2015, após seis anos consecutivos em queda.

Os dados de um estudo setorial sobre equipamentos de ar condicionado no mercado ibérico apontam mesmo para um crescimento das vendas acima dos 20%, para 1015 milhões de euros. De acordo com a análise feita, nos dois anos em questão, o mercado espanhol cresceu 22% para 898 milhões de euros, enquanto o português cresceu 6,4%, valendo 117 milhões de euros. E esta tendência tem-se mantido. Em julho de 2016 - o segundo mais quente desde 1931 -, a venda destes produtos disparou mais de 100%. Só a Worten garantiu que a procura “mais do que duplicou por comparação com julho de 2015, registando um crescimento de 140%” - um aumento da procura que se justifica com o calor que se fez sentir em todo o país e que já fazia parte das estimativas deste setor. 

Para estas previsões muito tem contribuído o facto de as vagas de calor serem cada vez mais frequentes. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o mês de julho de 2016 ficou marcado por temperaturas máximas e mínimas muito superiores às normais para o mês em questão. Segundo os dados do organismo, o valor médio da temperatura do ar durante esse mês foi de mais dois graus em comparação com o valor médio registado entre 1971 e 2000.

Agora volta a falar-se de valores recorde em toda a Europa. Aliás, os cientistas confirmam que no futuro seja comum termos verões mais quentes do que o costume. Os alertas já fizeram mesmo com que a Organização Mundial da Saúde admitisse que o tema ganha especial importância quando se pensa que as “ondas de calor causaram muito mais mortes do que qualquer outro evento climático extremo, nas últimas décadas, na Europa”. 

Em 2017, o calor também se fez sentir, com a Europa a sofrer com temperaturas particularmente altas. Giovanni Forzieri, autor de um estudo publicado na revista “The Lancet Planetary Health”, disse mesmo que “o aquecimento global é uma das maiores ameaças do séc. xx”. 

Para a maioria dos especialistas, aquilo que eram ondas de calor excecionais podem passar a ser a norma. “Com secas e fogos, a coisa torna-se mais complexa, até por causa da forma como chove, por causa das chuvas. Se olharmos para a Europa, vemos que a tendência, a respeito das chuvas, é de irregularidade. Não sabemos se chove mais ou menos”, explicou à Euronews Freja Vambog, do Sistema Copernicus.

 

Curiosidades

Arrefecer a casa

O aparelho de ar condicionado é apontado como o mais económico em consumo, mas a poupança não é imediata. Só acontece a partir do quarto ano. Como é de esperar, o consumo energético dispara com a chegada do verão e automaticamente aumenta a fatura da eletricidade. O recurso a soluções como ventoinhas e aparelhos de ar condicionado entra na rotina da maioria dos portugueses e as ofertas disponíveis no mercado são as mais variadas, apresentando custos também diferentes. Os aparelhos de ar condicionado do tipo inverter são, sem dúvida, o sistema de eleição: além de poupados e eficientes, proporcionam um grande conforto térmico quer de inverno, quer de verão. 

 

Contas feitas

Os custos de instalação desta solução podem não estar ao alcance de todos e só ao quarto ano é que pode ser considerada a alternativa mais económica. Mas, com orçamentos cada vez mais apertados, é natural que haja outras opções mais baratas no momento de aquisição do aparelho. É aqui que as ventoinhas ganham destaque na lista de compras dos portugueses. 

 

Temperaturas

Nos últimos dias, o país enfrentou temperaturas muito elevadas, tendo o dia de sábado batido um recorde de 18 anos - com os valores médios da temperatura máxima a rondar os 41,6 ºC e os da mínima a fixarem-se nos 23,2 ºC.

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