25/9/18
 
 
José António Saraiva 06/08/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Bruno devia poder concorrer

Bruno de Carvalho deitou desgraçadamente abaixo em três meses tudo o que construiu em cinco anos

Já escrevi que a verdadeira multidão de candidatos à presidência do Sporting só dá razão a Bruno de Carvalho. Ele pode dizer que toda esta gente o atacava porque… lhe invejava o lugar.

Mas há mais.

Não me lembrando eu de eleições tão concorridas, pode dizer-se que o Sporting é hoje mais apetecível do que há uns anos. Se há tantos cães a um osso, é porque o osso é de muito boa qualidade… E, aí, Bruno de Carvalho pode reivindicar para si esse “milagre”. Pode dizer que valorizou o clube. Que o Sporting estava a caminho da “belenização” quando ele chegou e hoje está a par dos grandes – a ponto de ter quase dez candidatos à presidência.

E, por muito que não se goste dele, a verdade é que neste ponto tem a razão do seu lado. Bruno de Carvalho valorizou, de facto, o Sporting. As vitórias nas modalidades ultrapassaram todas as expetativas. E a equipa principal de futebol, embora não tenha ganho nada, cresceu. Deixou de ser uma equipa jeitosinha de “miúdos” para ser uma equipa adulta, capaz de se bater com qualquer adversário, cá e lá fora. A prova disso foram os resultados e as exibições nas provas europeias. E os sócios e os adeptos corresponderam, enchendo o Estádio de Alvalade. 

O que deu cabo de Bruno de Carvalho foi o seu feitio trauliteiro, reguila, irresponsável, que o incompatibilizou com toda a gente – e que acabou por se virar contra a sua própria equipa, atacando jogadores, treinador e tudo o que lhe surgiu à frente.

Bruno de Carvalho deitou desgraçadamente abaixo em três meses tudo o que construiu em cinco anos – mas deixou imaginar um Sporting maior, mais forte, mais ambicioso. E isso é o que faz correr hoje tantos candidatos.

Destes, o mais forte será Frederico Varandas, embora o clube devesse aproveitar a experiência e os contactos de José Maria Ricciardi. Julgo que uma união das duas listas, em que Varandas ficasse com a presidência do clube – que conhece bem – e Ricciardi ocupasse a presidência da SAD – onde seriam muito úteis os seus conhecimentos de gestão –, poderia constituir uma boa solução.

Uma palavra final para a proibição de Bruno de Carvalho concorrer à presidência. Julgo que é mau. O ex-presidente devia ter-se afastado desta disputa, depois de ter sido destituído. Tinha prestado um serviço ao clube. Mas, não o tendo feito, devia ser vencido pelos sócios e não na secretaria. Assim, vai vitimizar-se, vai dizer que se concorresse ganhava, e será sempre uma pedra no sapato da futura direção.

Não sei se legalmente seria possível, mas não tenho dúvidas de que, para o futuro do Sporting, seria melhor que Bruno de Carvalho pudesse candidatar-se. E que fosse derrotado no campo de batalha, em luta contra todos os outros candidatos. Aí, não haveria mais conversa. 

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