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Pussy Riot são responsáveis pela invasão de campo na final do Mundial

Pussy Riot são responsáveis pela invasão de campo na final do Mundial

AFP Jornal i 16/07/2018 12:06

A banda ativista tem sido muito crítica do sistema político russo

A banda russa Pussy Riot aproveitou a final do Mundial 2018, este domingo, no estádio Luzhniki em Moscovo, para protestar contra o sistema prisional e as políticas na Rússia. Quatro homens e mulheres invadiram o campo, vestidos de polícias, na segunda parte do jogo.

A assistir a esta partida, entre a França e a Croácia, estava, não só o principal visado do protesto, Vladimir Putin, mas também os líderes franceses e croatas, Emmanuel Macron e Kolinda Grabar-Kitarović. O grupo de ativistas aproveitou o momento para cumprimentar alguns jogadores, entre os quais Mbappé, antes de serem detidos pelas autoridades.

Pouco tempo depois desta invasão, as Pussy Riot assumiram a responsabilidade nas redes sociais, num comunicado onde exigiam que “todos os presos políticos” fossem “libertados” e que o governo russo parasse com as “detenções ilegais em manifestações” e não prendessem as pessoas “por causa de ‘gostos’”. O grupo pedia ainda que fosse permitida “competição política”, que não fossem “fabricadas acusações que mantivessem as pessoas na cadeia sem razão” e “transformem o polícia terrestre num polícia celestial”.

A banda viu em Dmitry Prigov uma inspiração: “hoje [domingo] faz 11 anos da morte do grande poeta russo Dmitry Prigov. Prigov criou a imagem de um agente da polícia, um portador celestial da condição da nação na cultura russa”. A comparação entre o polícia celestial que, “de acordo com Prigov, fala bidirecionalmente com o próprio Deus”, “gentilmente toca numa flor num campo e aproveita as vitórias da equipa de futebol russa” e “enaltece-se como um exemplo da condição da nação” e o polícia terrestre que “prepara-se para dispersar manifestações”, “sente-se indiferente à greve de fome de Oleg Sentsov” e “magoa toda a gente”, foi a forma que as Pussy Riot utilizaram para criticar as atitudes de Putin, a quem chamam polícia terrestre. Para além disso, “o polícia celestial protege o sono dos bebés, o polícia terrestre faz presos políticos e prende-os por fazerem gostos e partilhas [nas redes sociais] ”

Esta segunda-feira a banda fez um balanço sobre o estado dos membros detidos: “os quatro membros da Pussy Riot passaram a noite inteira detidos” –  num ambiente que dizem “não ter condições” – e “vão ser hoje ouvidos em tribunal” por “delinquência”. No entanto, não há informação do local da audiência e a polícia não permite que os quatro ativistas possam falar com um advogado, o que “é ilegal”.

As Pussy Riot tem protestado contra Putin desde 2011, tendo sido presos vários membros. Em 2012, dois membros da banda atuaram em frente de Vladimir Putin, criticando-o, o que fez com que fossem presas durante dois anos. As criticas da banda não se ficam pela Rússia e chegam até a Donald Trump, por exemplo.

As Pussy Riot atuam no dia 17 de agosto, em Portugal, no Festival Vodafone Paredes de Coura.

 

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