18/6/18
 
 
Horácio Roque. O fundador de um império que chegou ao fim depois da sua morte

Horácio Roque. O fundador de um império que chegou ao fim depois da sua morte

Raquel Wise 14/06/2018 15:31

Em 1998 criou o Banif, integrando todo o ativo e passivo de uma pequena instituição financeira madeirense em dificuldades económicas

Horácio Roque nasceu na aldeia de Mogadouro, a 80 quilómetros de Oleiros, em Castelo Branco. Defensor da economia de mercado, da concorrência e da liberdade, Horácio Roque esteve quase sempre presente na lista dos homens ricos de Portugal. E acreditava que se há coisa que não se pode comprar é a respeitabilidade. Era comum ouvi-lo dizer “as pessoas ou têm respeito por nós ou não”, sendo um forte crítico da ostentação de riqueza. Quando faleceu, em maio de 2010, com 66 anos, na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC), deixou atrás de si um império e um rasto de muitos negócios em diversas áreas. No dia anterior tinha apresentado os resultados do banco numa conferência de imprensa em que começou por dizer: “Os resultados não são tão brilhantes como gostaríamos. Mas são o que são” – uma frase que “mostrava bem o seu perfeccionismo”.

A 15 de janeiro de 1988 é constituído o Banif, Banco Internacional do Funchal, integrando todo o ativo e passivo de uma pequena instituição financeira madeirense em dificuldades, a Caixa Económica do Funchal. A principal aposta passou pela recuperação e criação de condições para a futura sustentabilidade dessa instituição. O banco viria a ser o principal foco da vida empresarial de Horácio Roque e deu origem ao Banif Grupo Financeiro. O empresário só saiu do grupo restrito de milionários internacionais da revista “Forbes” em 2008 – nesse ano aparecia na 843.a posição, com uma fortuna calculada em 1,4 mil milhões de dólares (1,12 mil milhões de euros).

Horácio Roque deixou bens e propriedades não só em Portugal continental mas também na Madeira, Brasil e África do Sul. Além das atividades financeiras, em que estava especialmente empenhado, o empresário mantinha outros negócios, do turismo ao imobiliário. Exemplo disso era a atividade que detinha a meias com o amigo e empresário Joe Berardo, com três hotéis na Madeira. Após a sua morte, o empresário madeirense disse apenas: “Foi uma desgraça o que aconteceu, para mim era como um irmão.”

Depois da sua morte, o seu império entrou em queda. O Banif foi vendido ao Santander Totta e a Rentipar Investimentos, dos herdeiros do fundador, entrou em insolvência. O mesmo caminho seguiu a Fundação Horácio Roque, criada em 1991, à qual o banqueiro presidia, com o objetivo de desenvolver atividades nas áreas educativa, social e cultural.

Foi por várias vezes condecorado, recebendo, entre outras, a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1988) e a Condecoração Nacional da Ordem de Vasco Nuñez de Balboa (1998), do presidente da República do Panamá.

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×