22/9/18
 
 
Carlos Zorrinho 06/06/2018
Carlos Zorrinho
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Merkel em Portugal - a dignidade resgatada

É particularmente relevante que Angela Merkel e o Governo alemão que integra o seu Partido (CDU/CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), tenham em Portugal um parceiro importante na definição de uma agenda positiva para a Europa e um aliado contra o populismo

O governo PSD/PP posicionou Portugal como um “protetorado” da Alemanha e adotou uma estratégia de subserviência humilhante em relação às ordens de Berlim. Passos, Portas, Gaspar e Maria Luís lá acorreram amiúde para receberem instruções, com gáudio e nenhum disfarce. 

O governo atual, pelo contrário, com respeito por tudo o que Alemanha representa na União Europeia (UE), marcou uma posição de dignidade ao receber a chanceler Merkel em Portugal, ao mostrar-lhe o país moderno, confiante e inovador que somos e ao debater de forma frontal e esclarecida os caminhos e os desafios para o futuro comum. 

Somos um país com dificuldades e dese-quilíbrios estruturais, mas temos em simultâneo capacidades e competências extraordinárias, empresas e centros de conhecimento na fronteira tecnológica, uma cultura milenar e uma capacidade reconhecida de nos relacionarmos com todos os povos e continentes.

Um país assim não pode ter uma postura de menoridade no debate sobre o futuro da Europa e sobre as dinâmicas geopolíticas no mundo. Somos protagonistas de pleno direito e mérito. Fez bem, por isso, o governo português em evidenciar o potencial que temos para convergir com a UE em condições de justiça na distribuição dos incentivos e na arquitetura da moeda única, em vez de se diminuir em queixumes e peditórios que só enfraquecem quem os pratica.

A Alemanha terá um papel importante nas decisões que determinarão se a convergência será ou não uma prioridade no futuro da Europa e, em particular, no redesenho da insuficiente e esquelética proposta apresentada pela Comissão Europeia para o quadro financeiro plurianual 2020/2030.

Neste contexto, é particularmente relevante que Angela Merkel e o governo alemão, que integra o seu partido (CDU/CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), tenham em Portugal um parceiro importante na definição de uma agenda positiva para a Europa e um aliado contra o populismo, o nacionalismo e o radicalismo antieuropeu que têm ganhado espaço nalguns países da União. 

A Alemanha tem de apoiar uma agenda reformista ambiciosa na UE se não quiser ficar isolada e cercada numa linha defensiva que os povos já não aceitam. O combate aos movimentos desagregadores, como mostra o comportamento dos agentes económicos face ao novo governo italiano, faz-se reforçando a convergência e as políticas que respondem aos anseios dos cidadãos, completando a União Económica e Monetária, mantendo as políticas de proximidade e reforçando as apostas na investigação e na inovação, para que uma UE internamente mais coesa seja globalmente mais competitiva.

É esta a visão que o governo português defende e que tem cada vez mais aliados. É para esta visão que importa conquistar o apoio do governo alemão. Foi esta a visão que Portugal afirmou perante Merkel.

Ao sairmos do procedimento de défice excessivo resgatámos a nossa liberdade de sermos pró-europeus e de esquerda. Recebendo a chanceler alemã com respeito mas sem subserviência resgatámos a nossa dignidade enquanto povo e nação soberana e demos um contributo positivo para o futuro do projeto europeu.

 

Eurodeputado

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