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Bloco e PCP juntam-se contra a aprovação dos fundos para a PAC

Bloco e PCP juntam-se contra a aprovação dos fundos para a PAC

Filipa Traqueia 03/06/2018 19:30

Catarina Martins apela ao “veto” e Jerónimo de Sousa quer mais do que uma “voz grossa”

O corte nos fundos comunitários para a Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia não deixam os parceiros do governo tranquilos. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa aproveitaram as visitas ao Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) para manifestar as suas preocupações.
Para Jerónimo, este orçamento “revela uma contradição” e por isso o PCP considera “que é inaceitável”. “Todos os esforços vão ser poucos para alterar o que é o objetivo das instituições europeias”, frisou o secretário-geral dos comunistas acrescentando que “é preciso muito mais do que voz grossa”, numa referência às declarações de Nuno Melo, eurodeputado do CDS, que disse esta semana ao SOL que, a Portugal, “falta a tal voz grossa que António Costa disse que teria se fosse primeiro-ministro e, manifestamente, não tem”.
Para Catarina Martins, a solução passa pelo veto de Portugal à aprovação do Quadro Financeiro Plurianual (QFP). “Ou este orçamento é melhorado, faz algum sentido, ou, se não for, o Governo português pode vetá-lo em Conselho Europeu como qualquer outro Governo. Portugal não é mais nem menos que qualquer outro país, mas o que não podemos aceitar é que sejam constantemente feitas regras da União Europeia que beneficiam os grandes países e que prejudicam países como Portugal”, disse a coordenadora do Bloco de Esquerda.
“É preciso argumentos, fundamentos e posicionamentos políticos que visem uma outra negociação e outras verbas que ajudem Portugal a desenvolver a sua produação nacional”, reforçou Jerónimo que considera que a distribuição dos fundos europeus tem colocado Portugal no lado “dos países mais prejudicados”,  lembrando o PAC que provocou a “liquidação de cerca de 400 mil unidades produtivas na agriculturas”.
O descontentamento com o valor atribuído à agricultura portuguesa não é só dos parceiros. O próprio governo tem esperança que a proposta inicial do QFP seja alterada “para melhor”. Quem o disse foi o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na inauguração da 55.ª Feira Nacional da Agricultura. “Estamos perante uma proposta inicial que, quando chegar a conclusão da negociação, terá algumas diferenças e espero que, no caso português, sejam para melhor”, afirmou o ministro.
Apesar de considerar a primeira proposta “curiosamente”, “muito boa para os agricultores”, Capoulas Santos destaca os prejuízos que traz para o Orçamento do Estado. Se por uma lado a dotação para os agriculturas aumenta em 279 milhões de euros, por outro aumenta também a parte de cofinanciamento dos Estados para o dobro – dos atuais 15% para 30% que eu euros significa uma passagem de 700 milhões para 1400 milhões de euros.
“No futuro queremos consolidar o que já ganhámos”, acrescentou o ministro lembrando que Portugal é “um dos cinco Estados-membros em 27 que, nos pagamentos diretos, aumenta os apoios em cerca de 160 milhões de euros”.

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