22/5/18
 
 
Filipe Baptista 17/05/2018
Filipe Baptista

opiniao@newsplex.pt

O Sporting na Netflix

 

 

Nunca escrevi neste espaço sobre futebol, salvo nos textos do final de ano, em que invariavelmente desejava a conquista do campeonato pelo clube do meu coração e que tive a honra de representar.

Nem tenciono escrever mas, face à novela que tem sido o futebol português nos últimos anos, durante os quais conseguimos o feito de ser campeões europeus, desta vez não me contive.

Ontem, em amena cavaqueira com um amigo com o qual partilho várias afinidades, entre as quais não sermos adeptos de séries televisivas, descobrimos porque existe tanta gente viciada nesse fenómeno. Sim, séries televisivas como “A Guerra dos Tronos”, “A Casa de Papel”, “24 Horas” e por aí fora. E a razão é simples, muito embora não estivesse ao nosso alcance. É que mesmo quando tudo aponta para que as coisas estabilizem, o enredo amoleça e se torne enfadonho, aparece sempre algo que nos agarra ao televisor e nos faz ficar viciados.

E é esta a sensação que eu tenho em relação ao que vem acontecendo no Sporting! É uma série! Uma série que vai na quarta temporada e, seguindo à letra os moldes em que as séries são escritas, os últimos episódios desta temporada deixam-nos já com água na boca para o início da nova.

Seria hilariante se não fosse dramático tudo o que se está a passar. Qualquer desporto é para ser vivido com paixão! Com fervor e até, eventualmente, de forma irracional! Mas dentro do campo! Aquilo a que se vem assistindo nos últimos anos em torno das modalidades desportivas (não apenas no futebol) é deprimente e totalmente inaceitável.

E sejamos claros: nos últimos anos houve um foco de grande instabilidade no ecossistema desportivo nacional. Esse foco foi o presidente do Sporting que, em virtude das incompreensíveis atitudes que foi tendo em catadupa, acabou por arrastar consigo outros dirigentes e pessoas ligadas ao mundo do desporto.

Se fizermos a analogia do Sporting a uma série televisiva, Bruno de Carvalho é o ator principal e os fiéis seguidores da série já sabem que podem contar com a personagem para desencadear novos e inesperados acontecimentos.

O que se passou em Alcochete está ao nível das melhores séries televisivas, mas o problema é que aconteceu na vida real! Foram pessoas e não atores que foram lesadas e que levaram a cabo toda aquela barbárie.

E o mais aberrante e preocupante em todo este enredo é que ainda se levantam vozes apontando o dedo aos governantes. Aos responsáveis políticos, como se tivessem sido eles que, ao longo dos últimos anos, acicataram, extremaram e agudizaram as rivalidades entre clubes, dirigentes e, mais grave, adeptos e atletas.

E das duas uma: ou está tudo cego ou a loucura é um estado permanente em todo este ecossistema. Vivemos numa democracia e, como tal, todos podem e têm o direito de se manifestar livremente, mas quando o resultado das suas manifestações e atitudes desafiantes sai fora de controlo, não podemos vir a correr apontar o dedo ao Estado!

Tal como nas séries televisivas, os episódios dos últimos tempos no Sporting alimentam toda uma máquina mediática e económica em seu torno mas, neste caso concreto, desconfio que apenas o Sporting não lucra com nada disto.

Qualquer responsável máximo de qualquer instituição deve ter bem presentes as suas responsabilidades e, sobretudo, o alcance das suas decisões e intervenções. No caso concreto do Sporting, acho sinceramente que se perdeu essa noção. A sensação que agora transparece é a de total desnorte e incapacidade de controlar os danos que, temo, sejam bem mais severos do que aqueles a que assistimos nos últimos dias!

Perdoem-me o sarcasmo, mas registar e realizar a série “Sporting” e vendê-la à Netflix pode bem ser a tábua de salvação para um clube que, no curto prazo, pode ver-se a braços com um prejuízo financeiro incalculável. Aguardemos a próxima temporada!

 

Escreve à quinta-feira

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