21/9/18
 
 
José Paulo do Carmo 20/04/2018
José Paulo do Carmo

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Na porta dos fundos

Esta semana fui três dias à Madeira em negócios. Porque não tenho carro lá e não me apeteceu incorrer em mais custos com o aluguer de um (o valor estava em 27€/dia), optei por ficar instalado numa unidade hoteleira a 50 metros do espaço onde tinha as reuniões.

O preço era convidativo e a cadeia de hotéis portuguesa, por muito que seja senso comum que se encontre retrógrada e ultrapassada, com a maioria das suas instalações velhas e obsoletas, tem ainda algum nome no mercado, o que me fez sentir alguma confiança na marcação. 

Tendo eu já passado por alguns grupos de hotéis, sei que num espaço de 4 estrelas é “supostamente” garantido que, mesmo marcando quarto para uma pessoa, o quarto é o mesmo que para duas e, muitas vezes, o preço também, divergindo ligeiramente quando o pequeno-almoço está incluído ou quando existem condições específicas numa tipologia para empresas. Até aqui, tudo tranquilo. Primeiro erro: achar que o nome é garantia de alguma coisa. Neste caso, equivoquei-me claramente.

O que me leva a ter esse aspeto em atenção da próxima vez que escolher um, seja ele qual for. Adiante.

Chegado ao hotel e cobrado o valor da estadia no momento do check-in (uma infelicidade, senão iam ver como era), dirigi-me ao quarto e qual não foi o meu espanto quando me deparo com um quarto qual porta dos fundos, com uma cama mínima encostada à parede, onde não existia espaço para quase mais nada. Ainda tentei abordar a rececionista, que me disse serem assim as condições e nada poder fazer. Fui então deitar-me, irritado com a situação, e liguei a televisão para ver um filme antes de adormecer. Acontece que a posição onde se encontrava a televisão nem comigo sentado na cama permitia ver a imagem, uma vez que foi colocada muito acima do suposto e só se veem sombras, ou então teria de ficar de pé, o que, convenhamos, não é a melhor posição para dormir.

De manhã acordei com uma vista, de facto, bonita, com o mar em frente, e como cada vez me chateio menos com situações que não posso controlar dirigi-me, bem-disposto, para o pequeno-almoço, mas, azar dos azares, o dresscode continua o mesmo dos anos 70 e não me era permitido entrar de calções mesmo não sendo de banho, mesmo estando com ténis e não com chinelos, e ainda que o hotel se encontre em cima do mar, ou seja, na praia. 

Lá fui vestir umas calças apenas para a ocasião, uma vez que de seguida queria dar um passeio a pé. Na sala de refeições, o que mais me chamou a atenção foi a fruta que havia decidido escolher para evitar o pão. Enlatada. Numa terra cheia de fruta de qualidade e diversidade apresentam-se com fruta enlatada, aquele pêssego antigo que comíamos fora da época dele e o ananás com sabor a plástico.

No fim da estadia fiz o check-out para nunca mais voltar. Não é caso único. Também se passa o mesmo seja em algumas companhias telefónicas ou em tantos outros serviços, como as companhias aéreas ou alguns bancos. São muito simpáticos e solícitos a vender; a partir do momento em que se dá a consumação da venda, o cliente é entregue à sua sorte. Pouco importa a qualidade ou o acompanhamento dos clientes quando algo não corre bem. O importante é vender como se fôssemos robôs e pouco interessa porque, com a quantidade de pessoas que vão chegando ao nosso país, hoje sou eu, amanhã será outro, e há clientes diferentes para todos os dias. 

Mas é bom que comecem a respeitar-nos porque, qualquer dia, esses nomes ficarão tão sujos que ninguém quererá sequer olhar para eles. E aí não valerá a pena chorar. 

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