23/9/18
 
 
João Lemos Esteves 17/04/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

Afinal de que é feita a geringonça?

A geringonça é uma coligação de interesses na manutenção do statu quo, na manutenção das receitas políticas de sempre - e que têm obstado ao progresso económico e social de Portugal

1. Muitos ainda se surpreendem com a durabilidade da geringonça, uma solução política abstrusa que nem sequer pode ser qualificada como tal : de facto, mais do que uma solução, a geringonça é uma reação. Uma reação a Pedro Passos Coelho e à sua anunciada agenda de reforma do Estado. Este é que é o ponto relevante: a união entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda resulta de uma opção ditada pela necessidade de sobrevivência. Mais quatro anos fora do poder, após um governo que implementou um exigente e duro programa de austeridade, fruto da bancarrota a que a governação socialista conduzira, com um novo processo de contestação da liderança recém--eleita em diretas tidas como um “processo único de vivência democrática” , e o PS definharia certamente.

2. Já o processo de racionalização do Estado, de diminuição do peso do setor público em prol da iniciativa privada, da concorrência criativa e do respeito pelo esforço dos trabalhadores portugueses levaria à extinção de cargos inúteis da administração pública, os quais foram criados para remunerar fretes políticos aos “boys” de sempre. Já para não falar de que Mário Nogueira e seus discípulos perderiam largamente influência, a qual - num juízo de prognose factualmente sustentada - não mais tornariam a recuperar. A geringonça é uma coligação de interesses na manutenção do statu quo, na manutenção das receitas políticas de sempre - e que têm obstado ao progresso económico e social de Portugal. Enfim, é uma coligação de velhos interesses e de velhos amigos - os quais mudaram alguma (pouca) coisa para manter tudo na mesma. E manter tudo na mesma é o mesmo que dizer condenar Portugal à cepa torta por mais umas (longas?) décadas.

3. Como descrever então a geringonça recorrendo a 20 expressões ou frases? É um desafio interessante, mas excessivamente fácil - quando a realidade é tão eloquente, a liberdade criativa do analista é reduzida, senão mesmo nula. Passemos a elencar as 20 dimensões da geringonça, as quais têm permitido que a atual solução governativa subsista há tempo superior ao inicialmente expetável: 

1) A geringonça é uma fraude; 

2) A geringonça é uma mentira; 

3) A geringonça é uma fraude; 

4) A geringonça é uma mentira;

5) A geringonça é uma fraude;

6) A geringonça é uma mentira;

7) A geringonça é uma fraude; 

8) A geringonça é uma mentira;

9) A geringonça é uma fraude;

10) A geringonça é uma mentira;

11) A geringonça é uma fraude;

12) A geringonça é uma mentira;

13) A geringonça é uma fraude;

14) A geringonça é uma mentira;

15) A geringonça é uma fraude:

16) A geringonça é uma mentira;

17) A geringonça é uma fraude;

18) A geringonça é uma mentira;

19) A geringonça é uma fraude;

20) A geringonça é uma mentira.

Se há realidade hoje que salta à vista de todos, sendo verdadeiramente indesmentível, é que a geringonça mais não é do que a institucionalização da mentira. Da fraude permanente, levada a doutrina de Estado. Há problemas na cultura? António Costa já sabia e estava mesmo, mesmo quase a resolvê-los - tudo não passou de um equívoco lamentável do ministro ou do secretário de Estado. 

Há problemas na saúde? Nada disso: o que há é um diferimento de pagamentos e transferências de que António Costa já tem conhecimento e que irá resolver em tempo oportuno. Designadamente, lá para 2019 ou 2020, à espera das eleições…

O Bloco de Esquerda defende os trabalhadores e é inflexível na defesa da dignidade do trabalho? Claro que sim - mas vota a favor do governo PS, mesmo que tal signifique aplicar medidas mais austeras, com que Pedro Passos Coelho jamais sonhou. A pergunta derradeira é de fácil formulação, porém de difícil resposta: até quando os portugueses permitirão ser enganados de forma pornográfica? De facto, o melhor é António Costa tornar-se colunista permanente da revista “ Cristina”, debatendo com a estrela da TVI as suas fantasias sexuais - é que, caso António Costa se mantenha como primeiro-ministro, só terá mesmo a oferecer aos portugueses uma sodomia coletiva…O António Costa custa. 

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