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José Cabrita Saraiva 17/04/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Da guerra na Síria à terceira guerra mundial num piscar de olhos

Só que Assad não está sozinho, conta com aliados de peso. Irão, Rússia e China já condenaram os ataques ao regime de Damasco e estarão certamente a estudar qual será o próximo passo.

Aconteça o que acontecer nos próximos tempos, uma coisa parece certa: seja quem for que acabe por agarrar o poder na Síria vai herdar um país profundamente dividido, destruído e traumatizado. Cidades inteiras estão reduzidas a montes de entulho, a economia colapsou, aqueles que puderam (ou seja, os mais habilitados) fugiram, e os que ficaram provavelmente nunca ultrapassarão os horrores que viveram nem perdoarão aos seus adversários. O pesadelo da guerra não acabará de um dia para o outro.

Mas de momento o ditador Assad não deve estar muito preocupado com isso. Olhando para o que aconteceu na Líbia de Kadhafi, por exemplo, sabe que a sua manutenção no poder pode ser uma questão de sobrevivência pura e simples. Como tal, estará disposto a tudo para ganhar a guerra. A bombardear, a matar, a usar armas químicas - tudo o que tiver à mão para destruir os adversários.

Aqui chegados, talvez valha a pena perguntar: lançar bombas sobre inocentes, por vezes até sobre hospitais, será assim tão diferente de matar com armas químicas? Para o Ocidente pelos vistos a resposta é afirmativa. Se, até aqui, os EUA se “limitavam” a apoiar os rebeldes na retaguarda, a expressão “armas químicas” - como outrora as “armas de destruição maciça” no Iraque - pareceu ser uma espécie de “abre-te, sésamo” para libertar o impressionante poder de fogo americano.

Só que Assad não está sozinho, conta com aliados de peso. Irão, Rússia e China já condenaram os ataques ao regime de Damasco e estarão certamente a estudar qual será o próximo passo.

O problema é precisamente esse: é assim que começam as guerras à escala global. À primeira vista, estão em causa questões regionais, muito localizadas. Mas logo aparecem as potências estrangeiras e, quase sem nos darmos conta, o conflito já transbordou para todo o lado.

Ora, vale a pena os EUA e a Europa “comprarem” uma guerra mundial por causa de um país devastado? Com o devido respeito, acredito que não - e ninguém conseguirá convencer-me do contrário. Até porque uma terceira guerra mundial não deixará pedra sobre pedra. A acontecer, não seria apenas a Síria a ficar reduzida a escombros.

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