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Japão. Primeiro-ministro poderá demitir-se em junho diz antigo líder do seu partido

Japão. Primeiro-ministro poderá demitir-se em junho diz antigo líder do seu partido

KAZUHIRO NOGI/AFP/Getty Images António Rodrigues 16/04/2018 19:24

Suspeita de corrupção fez cair popularidade de Shinzo Abe até ao nível mais baixo desde que chegou ao poder

“A situação está a tornar-se demasiado perigosa” e o primeiro-ministro Shinzo Abe poderá demitir-se em junho, altura em que termina a sessão legislativa. Quem o diz é o antigo líder do Partido Liberal Democrático (LDP, na sigla em inglês), Junichiro Koizumi, em declarações ao site da revista Aera, citadas pelo “Japan Times”.
Koizumi, que é um crítico do apoio que Shinzo Abe deu à energia nuclear depois do desastre com a central de Fukushima, em 2011, diz que se o líder do governo se mantiver no cargo isso poderá prejudicar as perspetivas dos candidatos do LDP na eleição para a câmara alta do parlamento japonês. 
“Ele perdeu a confiança [dos eleitores] e qualquer coisa que diga vai soar a desculpa”, acrescentou Koizumi.
Desde que em março o ministro das Finanças, Taro Aso, admitiu que tinha havido uma manipulação de documentos no caso da venda de um terreno do Estado com 85% de desconto a uma escola com ligações à mulher de Abe, que a popularidade do primeiro-ministro está em queda livre.
A polémica com o preço do terreno surgiu no ano passado, mas só agora, depois das declarações de Aso, se soube que houve documentos manipulados para fazer desaparecer dos registos os nomes de Shinzo Abe e da mulher. 
Além da questão da venda do terreno do Estado à Moritomo Gakuen – que promove ideias ultranacionalistas nos seus jardins de infância –, Shinzo Abe também é suspeito de intervir para que fosse dado tratamento preferencial à instituição educativa de um amigo próximo, Kotaro Kake, para instalar uma nova escola de veterinária.
Este fim de semana, uma sondagem da Nippon TV dava-lhe apenas 26,7% de taxa de aprovação, enquanto a do “Asahi Shimbum”, o mais importante diário do país, atribui-lhe 31%, o nível mais baixo nos cinco anos em que está no poder. Cerca de 50 mil pessoas desfilaram em Tóquio numa ação de protesto contra o governo e a pedir a demissão do primeiro-ministro, a quem os manifestantes chamaram “mentiroso”.
Abe tem negado sistematicamente que tenha cometido alguma ilegalidade, mas está a ser pressionado dentro do seu partido e precisa de vencer as eleições internas de setembro, para um novo mandato de três anos na liderança do LDP, única forma de se manter na chefia do governo.
O antigo ministro Shigeru Ishiba já mostrou a sua vontade de disputar a eleição com Abe e surge à frente numa sondagem da Kyodo News sobre qual o melhor candidato a primeiro-ministro, com 26,6%. O filho de  Junichiro Koizumi, o deputado Shinjiro Koizumi, surge nessa sondagem em segundo, com 25,2%, enquanto Shinzo Abe aparece num distante terceiro lugar com 18,3%. No entanto, entre os eleitores do LDP, o atual primeiro-ministro continua a ser, de longe, o favorito, com 36,7%, a grande distância de Ishiba, que aparece com 24,7%. A sua popularidade entre o eleitorado dá a Shinzo Abe a esperança de ainda ser reeleito em setembro.
Será um Abe debilitado politicamente aquele que hoje chega aos Estados Unidos para uma cimeira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  na propriedade deste em Mar-a-Lago, na Florida. 

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