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Brasil. Jonas está à frente de todos mas vai ver o Mundial em casa

Brasil. Jonas está à frente de todos mas vai ver o Mundial em casa

Bruno Venâncio 14/03/2018 13:51

O goleador do Benfica vai detonando todos os números e é o maior artilheiro de todos os campeonatos europeus, mas ficou fora da convocatória que tirava todas as teimas. Pelo contrário, Talisca, que vai brilhando na Turquia por cedência das águias, está no lote

Portugal. Semana após semana, o cenário repete-se: Jonas marca um, marca dois, às vezes até chega aos três. Brasil. Convocatória após convocatória, o cenário repete-se: Jonas fora das opções de Tite. O Pistolas – e os adeptos que apreciam bom futebol – vão tentando dourar a pílula, dizendo para si mesmos que ainda haverá mais oportunidades; o problema é que, a partir de agora... não haverá. Esta segunda-feira, o selecionador canarinho fez a última convocatória antes da apresentação da lista final, para jogos particulares diante de Alemanha, no próximo dia 23, e Rússia, a 27, e Jonas voltou a ser esquecido.

Isto apesar da frieza dos números, que o colocam como o maior goleador de todos os campeonatos europeus: 31 golos, bem à frente de consagrados como Gomis (Galatasaray), com 25; Immobile (Lazio), Cavani (PSG), Messi (Barcelona), Kane (Tottenham), Salah (Liverpool), todos com 24; Lewandowski (Bayern), com 23; Bas Dost (Sporting), com 22; Aguero (Manchester City) e Suárez (Barcelona), com 21; ou Marega (FC Porto)... e o compatriota Neymar (PSG), que tem 20. Não fosse o facto de os golos na Liga portuguesa valerem menos que os das ligas inglesa, espanhola, italiana, alemã e francesa (1,5 contra 2 de coeficiente), Jonas estaria a liderar a corrida pela Bota de Ouro; assim, é “apenas” sexto.

quatro (ou cinco) à frente Há poucas semanas, o avançado que vai maravilhando nos relvados portugueses desde setembro de 2014 assumia sem complexos: se não fosse desta, não era mais. “Disputar o Mundial é um objetivo meu. Temos agora estes dois jogos de preparação e a única esperança é essa, porque depois acho difícil ir ao Mundial sem ser testado. A única esperança seria a próxima convocatória. Nunca fui convocado na era Tite, mas o facto de ele referir que se um jogador estiver a alto nível o pode levar à seleção... Vejo muito esse caminho, passa pela minha cabeça, porque o meu momento no Benfica faz-me pensar na seleção”, dizia Jonas em entrevista ao “Esporte Interativo”.

Na mesma ocasião, explicava o que considerava ser uma mais-valia sua em relação à concorrência. “No futebol moderno, os treinadores gostam de jogadores que fazem várias funções. Tenho jogado agora a ponta-de-lança e fiz quase toda a carreira como segundo avançado, e isso é um ponto positivo”, salientava. Pois bem: Tite não pensou da mesma forma.

O técnico de 56 anos, à frente dos destinos do escrete desde junho de 2016, optou por chamar os avançados Roberto Firmino (Liverpool), Gabriel Jesus (Manchester City) e Willian José (Real Sociedad), estreante e a grande surpresa de um lote desfalcado pela ausência do lesionado Neymar. Na hora de explicar a sua opção, o ex-timoneiro do Corinthians justificou-se com as “duas grandes temporadas” do avançado de 26 anos na Liga espanhola: fez 14 golos em 2016/17 e soma agora 17. “Se tivesse mais tempo para trabalhar, tinha dado oportunidades a uma série de outros jogadores. Por cada um que eu escolha haverá sempre outro que poderia ter tido uma oportunidade. É o caso do Jonas. Os meus critérios? A Liga espanhola, as duas grandes temporadas do Willian José e o seu crescimento. Mas posso dizer que, por vezes, a diferença para tomar uma decisão é ténue”, ressalvou Tite.

Talisca em estreia e Geromel de volta Willian José, para os mais desatentos, chegou à Europa em 2013 para representar o... Real Madrid. A equipa B dos merengues, mais propriamente: fez 16 jogos e quatro golos pelo conjunto secundário dos madrilenos, cumprindo um encontro pela formação principal. Fez depois duas épocas razoáveis no Zaragoza e no Las Palmas antes de assinar pela Real Sociedad, e merece agora os maiores elogios do selecionador brasileiro.

“É um pivô, mas tem mobilidade. É alto, mas movimenta-se e cabeceia muito. Tem números bons em campeonatos importantes. Se encontras uma linha de cinco, com uma de quatro à frente, em alguns momentos, com um balanço da bola podemos infiltrar-nos pelo lado para criarmos cruzamentos, e nessa altura precisamos ter um grande cabeceador, com presença na área. Willian José ou Jô oferecem isso”, explicou Tite, avançado assim com mais um nome para a luta: Jô, que esteve presente no último Mundial, precisamente no Brasil, e joga agora nos japoneses do Nagoya Grampus, depois de ter sido peça essencial no título conquistado pelo Corinthians em 2017 – marcou 18 golos e foi coartilheiro do Brasileirão.

Há ainda outro estreante na lista de Tite para o duplo confronto com alemães e russos: Anderson Talisca. O médio de 24 anos, que ainda pertence aos quadros do Benfica, tem vindo a brilhar no Besiktas (17 golos na última temporada e 15 nesta) e mereceu pela primeira vez a chamada do selecionador. “Tem finalização de meia distância, bola aérea, imposição física que pode emprestar virtude contra defesas com linhas de cinco ou quatro. O objetivo é ter opções, jogadores de características diferentes”, explicou o técnico canarinho, que mantém a confiança em Ederson (ex-Benfica e hoje titular no super-Manchester City de Pep Guardiola) e Casemiro (ex-FC Porto), e voltou a chamar, mais de um ano depois, Geromel. Esse mesmo: o antigo central de Chaves e Vitória de Guimarães, que aos 32 anos é o patrão da defesa do Grémio.

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