14/8/18
 
 
Carlos Zorrinho 14/03/2018
Carlos Zorrinho
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A muralha de Trump e as pontes de Costa

É fazendo pontes entre os países e as políticas que a União Europeia criará a força necessária para combater as muralhas de aço em que querem circunscrevê-la

O anúncio inopinado de Donald Trump sobre a criação de uma tarifa aduaneira sobre o aço e o alumínio constitui um enorme desafio para o mundo e para a Europa em particular. Já todos sabemos que Donald Trump prefere os muros às pontes – uma visão que não torna a América mais forte, mas exige das outras regiões do globo e, em particular, da União Europeia (UE) uma estratégia credível para responder às ameaças que dela decorrem no que diz respeito à segurança, à cooperação para o desenvolvimento, ao combate ao aquecimento global e ao livre comércio.

Será, por isso, num contexto de grande exigência para a UE que António Costa estará hoje em Estrasburgo, no plenário do Parlamento Europeu, a debater o futuro da Europa. A expetativa para este debate, que se segue a debates com os primeiros-ministros da Irlanda e da Croácia e antecede um debate com o presidente francês, Emmanuel Macron, é muito elevada, tendo em conta as particularidades do percurso recente de Portugal na UE e os novos desafios com que a união se confronta.

Muitos europeus vêm no caminho político percorrido por Portugal nos últimos anos a demonstração de que é possível aplicar com rigor e transparência políticas que melhoram as condições de vida das pessoas, contribuem para a sustentabilidade do planeta e aumentam a competitividade.

É este caminho que pode reconciliar cada vez mais eleitores com o ideal europeu, resgatar os que votam em protesto nos partidos nacionalistas e populistas e dar um novo sentido à ambição europeia de traçar as regras de uma globalização partilhada, justa e humanista, fazendo face a situações complexas como a que é colocada pela deriva protecionista de Trump.

As palavras, como certamente António Costa dirá hoje aos representantes eleitos dos 28 Estados-membros, só serão mobilizadoras se se traduzirem em políticas e em ações concretas. No imediato, o grande sinal político que todos aguardam são as opções e prioridades do Quadro Financeiro Plurianual. Ele será um indicador de força ou de fraqueza e a pedra de toque para os futuros sucessos ou fracassos políticos e económicos da UE.

É preciso evitar que esse quadro seja uma soma de pequenas ou grandes vitórias nacionais e setoriais, sem capacidade de impulsionar a UE para um outro patamar competitivo e político. A prioridade dada pelo governo português à convergência pode, a meu ver, inspirar uma resposta credível a este risco – convergência não como mecanismo de transferências financeiras entre os países com mais recursos e os países com menos recursos, mas como instrumento colaborativo de aproveitamento das potencialidades de todos, permitindo a otimização dos recursos obtidos por via das contribuições nacionais e dos recursos próprios da União e maximizando a capacidade de, na sua distribuição, responder às diferentes prioridades políticas.

É fazendo pontes entre os países e as políticas que a União Europeia criará a força necessária para combater as muralhas de aço em que querem circunscrevê-la. Que seja um país com a história e a identidade de Portugal o “David” deste momento político é algo que deve orgulhar-nos e fazer-nos seguir em frente ainda com mais determinação.

 

Eurodeputado do PS

Escreve à quarta-feira

 

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