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Precisamos de heróis

Precisamos de heróis

Tiago de Melo Cartaxo 15/02/2018 10:56

Os partidos precisam de reinventar processos de escolha dos representantes, dirigentes e candidatos

Ao pensar na política portuguesa, recordo as palavras de João Paulo ii num apelo que fez aos jovens. Dizia que “precisamos de santos que bebam coca-cola, comam cachorros-quentes e vistam calças de ganga”.

A analogia pode não ser a melhor. Comparar políticos com santos não é fácil. Mas a melhor forma de credibilizar uma atividade tão nobre será, sem dúvida, procurar recrutar os heróis anónimos do dia-a-dia.

E heróis são todos aqueles que tantas vezes não sabemos quem são. Que, com a coragem de quem começa cada dia como se fosse o primeiro, querem fazer sempre mais para deixar o seu contributo para uma sociedade melhor.
É por isso que os partidos precisam de reinventar processos de escolha dos representantes, dirigentes e candidatos. Para que esses heróis se sintam representados, participem na política e exerçam os seus direitos e deveres de cidadania.
Porque a política precisa de heróis que queiram dar prioridade às famílias, valorizar as gerações, garantir a segurança social e a igualdade de oportunidades. Heróis descomprometidos para discutir a liberdade de opção por modelos sociais e económicos.

Porque a política precisa de heróis para reformar o sistema fiscal, reduzindo impostos no trabalho e nas empresas que criam empregos e assumindo compromissos de estabilidade fiscal, de quatro em quatro anos. Heróis que não mudem de ideias a meio do caminho, mas garantam finanças sustentáveis.

Porque a política precisa de heróis para reformar o Estado e as instituições, implementar transparência e participação pública. Que não tenham medo de falar da redução de deputados ou da implementação de círculos uninominais, da valorização de uma administração próxima das pessoas, permitindo a participação nas decisões e na aprovação das leis, com novas plataformas e voto eletrónico.

Porque a política precisa de heróis para inovar na economia, crescer, criar emprego. Com garra para atrair startups e multinacionais, incentivar indústrias sustentáveis, menos poluentes, desenvolver smart cities, promover a excelência dos produtos nacionais, a par da maior ligação entre ensino e empresas.

Porque a política precisa de heróis que queiram promover o equilíbrio territorial, fazer do turismo a força das regiões de baixa densidade e dar prioridade ao ordenamento do território, com especial preocupação com a floresta. Que apostem num turismo potenciador do património cultural e da biodiversidade, em todo o território. Heróis com orgulho do que é nosso e que promovam a coesão territorial e combatam a sazonalidade turística.

Não é difícil encontrar heróis. Não queremos “super-homens” ou “mulheres-maravilha”, mas apenas o que de Clark Kent ou Diana Prince há em cada um. E não são só os famosos que podem e devem ter opiniões. Se todos nós publicamos posts e comentários nas redes sociais, também podemos fazer a diferença na política. O que é urgente é encontrar formas de envolver as pessoas, de aproximá--las dos partidos. Com transparência, soluções participativas e colaborativas.

Embora em vésperas de um congresso do PSD, o argumento vale para qualquer partido. Este é o desafio dos próximos tempos, que deverá ser intensamente debatido. Para que, de alguma forma, se abram as portas da política aos heróis do mundo de hoje. Bebam ou não coca-cola, vistam ou não calças de ganga.

É que, à maneira de cada um, todos podem ser heróis e fazer a diferença. Descontraídos e descomplexados, sem fato e gravata. Basta que lhes seja dada essa oportunidade.

Professor universitário

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