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Jovens estão a trocar o Facebook pelo Snapchat

Jovens estão a trocar o Facebook pelo Snapchat

Ricardo Cabral Fernandes 14/02/2018 19:27

Um estudo da consultora eMarketer prevê que em 2018 o Facebook venha a ter um decréscimo nos utilizadores mais jovens. Ao mesmo tempo, utilizadores mais velhos aumentam na rede social

 

Quando vemos um ou mais jovens vidrados no ecrã do telemóvel, a grande maioria está no Facebook. No entanto, esta imagem pode vir a alterar-se no futuro próximo - pelo menos é essa a previsão da consultora eMarketer. 

A empresa de consultoria prevê que pela primeira vez na história da rede social, fundada por Mark Zuckerberg em 2004, o número de utilizadores nos Estados Unidos que acedem pelo menos uma vez por mês venha a baixar em 2018. Entre as crianças com menos de 11 anos, a queda será de 9,3%, enquanto para os jovens entre os 12 e os 17 anos será de 5,6%. Se o cenário parece não ser favorável para a rede social, acrescente-se ainda que 5,8% dos jovens entre os 18 e os 24 deverão abandonar o Facebook. 

No total, a eMarketer prevê que dois milhões de jovens deixarão de utilizar o Facebook em 2018. Números desfavoráveis para a maior e principal rede social do mundo, principalmente se se tiver em conta que estes utilizadores continuarão a participar em redes sociais, mas não no Facebook. 

A consultora prevê que as restantes redes sociais tenham um crescimento no número de utilizadores. O Instagram terá mais 1,6 milhões de utilizadores dessa faixa etária, enquanto o Snapchat aumentará 1,9 milhões. A migração de jovens para a primeira pode ser prejudicial, mas não tanto como para a segunda. Em 2012, Zuckerberg comprou o Instagram por mil milhões de dólares (814,6 milhões de euros ao câmbio atual), eliminando um potencial concorrente. Na altura, a rede social à base de partilha de fotografias tinha apenas 13 funcionários e zero receitas. A partir daí, Zuckerberg transformou-a com sucesso num “apêndice” do Facebook. Em 2018, o Instagram vai crescer na ordem dos 13,1%, atingindo os 104,7 milhões de utilizadores.

Para Bill Fisher, analista sénior da eMarketer, o estudo vem reforçar a ideia de que o abandono do Facebook pelos jovens não é história e está mesmo a acontecer. “Esta última previsão indica que é mais do que apenas uma teoria. Até agora, [o Facebook] tem conseguido contar que aqueles que migram de plataformas acabem no Instagram. No entanto, na atualidade quem lidera a migração das audiências mais jovens é o Snapchat”, explicou ao jornal britânico “The Guardian”. 

A rede social de partilha de vídeos é um concorrente direto tanto do Facebook como do Instagram, pelo menos para os jovens. Apesar de nos Estados Unidos o Instagram ainda ter mais utilizadores, o Snapchat tem vindo a aumentar o número de utilizadores. Em 2018, prevê-se que cresça 9,3%, chegando a  86,5 milhões de pessoas.

Utilizadores mais velhos A ameaça do Snapchat para Zuckerberg não se limita à atração do público jovem, já que há possibilidade de gerações mais velhas também se deixarem seduzir pela rede social. “O Snapchat pode eventualmente crescer em grupos etários mais velhos, já que está a redesenhar a sua plataforma para ser mais fácil de utilizar”, disse Debra Aho Williamson, analista da eMarketer. Para a analista, a questão principal é se o Snapchat continuará a a ser escolhida pelos mais novos se atrair os mais velhos? “A questão está em saber se os utilizadores mais jovens ainda acharão o Snapchat fixe se os seus pais e avós aderirem”. 

Segundo o mesmo estudo, o Facebook  tem ganho popularidade entre as pessoas de 50 anos e poderá conseguir mais 500 mil novos utilizadores no decorrer deste ano, perfazendo um total de 6,4 milhões de utilizadores dessa faixa etária. Entre os vários fatores explicativos para este comportamento, segundo os analistas, está a adesão mais lenta às novas tecnologias: “As pessoas mais velhas tendem a chegar atrasadas à festa da internet”, explicou Richard Broughton, analista da Ampere, ao “The Guardian”. 

Críticas O Facebook também tem estado sob fogo dos seus utilizadores desde que implementou, a meio de janeiro, um novo algoritmo que passa a privilegiar os conteúdos pessoais aos das empresas e meios de comunicação social. Na sua página de Facebook, Zuckerberg defendeu a alteração por haver mais conteúdo público, isto é, de empresas e média, do que de amigos e familiares, o que estaria a alterar o que de “mais importante” o Facebook pode fazer: “Ajudar a ligar-nos uns aos outros”. Ainda assim, uma das consequências mais óbvias é a criação de bolhas de utilizadores com os mesmos gostos e convicções, transformando a rede social num espaço de harmonia e não num de contraditório e debate. Uma tendência que poderá levar utilizadores a abandonarem a rede social. E Zuckerberg sabe-o: “Estou à espera que o tempo que as pessoas gastam no Facebook e algumas das formas de envolvimento diminuam. Mas também estou à espera que o tempo passado no Facebook seja mais valioso.”

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