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Michael Haneke: “Este julgamento histérico em praça pública é absolutamente repugnante”

Michael Haneke: “Este julgamento histérico em praça pública é absolutamente repugnante”

Cláudia Sobral 13/02/2018 12:01

Numa entrevista ao jornal austríaco “Kurier”, o realizador de “Amour” mostrou-se preocupado com as consequências da “caça às bruxas que devia ter ficado na Idade Média” em que se transformou o #MeToo.

Michael Haneke é a mais recente figura a insurgir-se contra o movimento #MeToo, por se ter transformado numa “cruzada contra qualquer espécie de erotismo”, própria da Idade Média. Em entrevista ao “Kurier”, depois citada pelo site “Deadline”, o realizador austríaco vencedor de duas Palmas de Ouro em Cannes disse não haver dúvida de que “qualquer forma de rapto ou coerção é punível”, mas que “este julgamento histérico em praça pública é absolutamente repugnante”.

“As pessoas estão a ser simplesmente assassinadas nos média, com as suas vidas e carreiras arruinadas”, prosseguiu o realizador de “Amour”, na entrevista ao jornal austríaco, sobre um movimento aos seus olhos perturbador pela “raiva cega que não tem por base factos” e está a “destruir vidas de pessoas cujos crimes não foram, em numerosos casos, provados.”

Questionado sobre se o #MeToo não poderá, ainda assim, levar a uma transformação social importante, respondeu que “qualquer tempestade depois de tais ‘revelações’ envenena o clima social”. “Isto só torna qualquer discussão sobre este assunto, que é importante, mais difícil”, afirmou, criticando “este novo puritanismo imbuído de um ódio aos homens”.

Deu depois o exemplo de “O Império dos Sentidos” (1976), de Nagisa Oshima, “um dos mais intensos e profundos [filmes] sobre o tema da sexualidade”, que “não seria permitido hoje por quem financia os filmes, numa obediência por antecipação a este terror” em que “atores suspeitos são eliminados de filmes e de séries para que não se percam [audiências]”. E questionou: “Em que mundo estamos a viver? Numa nova Idade Média?”

O realizador sublinhou ainda que “isto não tem nada a ver com o facto de qualquer ato de assédio ou violência sexual – seja ele contra homens ou mulheres – dever ser condenado e punido. A caça às bruxas é que devia ter ficado na Idade Média”.

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