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Mobilidade elétrica conduz Efacec ao futuro

Mobilidade elétrica conduz Efacec ao futuro

Bruno Gonçalves Magalhães Afonso 12/02/2018 20:12

No momento em que assinala os 70 anos, a Efacec inaugurou uma nova fábrica para produção de carrgedores rápidos e ultra-rápidos para veículos elétricos. Um investimento para um setor em crescimento exponencial e no qual a empresa quer manter-se uma referência mundial. 

A Efacec inaugurou no início da semana a nova unidade de mobilidade elétrica. Com sete décadas de experiência e na liderança mundial na indústria da energia e setor da eletricidade, a empresa aumenta, com este investimento de 2,5 milhões de euros, a sua posição como um dos mais relevantes players num importante vetor do futuro. A nova unidade tem capacidade para produzir, por ano, 3800 carregadores rápidos para veículos elétricos, segmento no qual a Efacec é líder mundial.

A unidade, que permite uma expansão da produção até 9000 carregadores por ano, vai empregar quase 400 pessoas até 2025. A mobilidade elétrica pesa já 6% do volume de negócios da Efacec, cerca de 26 milhões de euros, e há a ambição de atingir os 15%, com o objetivo de ultrapassar os 100 milhões de euros de volume de negócios deste segmento em três anos.

«A mobilidade elétrica é o futuro. E é uma das rotas para a Efacec ser competitiva e vencedora nos mais desafiantes mercados internacionais», resumiu o CEO da empresa, Ângelo Ramalho, na apresentação da nova unidade industrial.

Através da área de Mobilidade Elétrica, a empresa produz uma gama completa de carregadores para veículos elétricos para os segmentos privado, público, rápido, ultra-rápido e wireless. Ao SOL, o CEO conta que o novo carregador ultra-rápido da Efacec, que é o topo de gama, «tem uma potência de 320Kw e o concorrente mais próximo tem 120kw». Segundo Ângelo Ramalho, a «diferença ilustra a vantagem tecnológica que a Efacec conseguiu em quase dez anos de desenvolvimento até conseguir um produto desta capacidade». O responsável sustenta que «é este o produto que vai permitir que qualquer utilizador possa abastecer-se de energia elétrica da mesma forma que se abastece de combustível fóssil», uma vez que permite «num período muito curto, cinco ou dez minutos, carregar para uma autonomia de 300 ou 400 km».

A nova unidade de mobilidade elétrica materializa um trajeto iniciado no final de 2008. Ao SOL, Ângelo Ramalho afirma que, daqui a dez anos, vê a Efacec na «continuação da revolução» da mobilidade elétrica. «No mundo, todos os anos entram 100 milhões de carros. Basta que uma pequena percentagem seja de veículos elétricos, imagine a quantidade de veículos elétricos que todos os anos acumulam a frota existente. Esta é uma excelente ilustração de como crescerá de forma exponencial», argumenta o presidente executivo da empresa.

Assim, a empresa marca presença nalguns dos principais projetos de mobilidade elétrica a nível mundial, como o consórcio europeu de fabricantes de automóveis, que vai instalar 400 estações de carga de grande potência nas principais auto estradas da Europ, criando um corredor de carregamento elétrico.

Um projeto idêntico nos EUA, no qual a Efacec também participa, prevê um investimento de dois mil milhões de dólares (perto de 1,6 mil milhões de euros) nos próximos dez anos em infraestruturas de carregamento de veículos elétricos. De acordo com o ‘Global Electric Vehicle Outlook’ de 2017, em 2016 houve um recorde de novos registos de carros elétricos, com mais de 750 mil vendas em todo o mundo.

Nesse ano, a taxa de crescimento anual de estações de carregamento públicas foi de 72% e a de crescimento de veículos elétricos foi de 60%.Ainda assim, os carros elétricos são apenas 0,2% do número total de veículos ligeiros de passageiros em circulação.

 Mas o atual ambiente político - de aposta na redução das emissões de gases de efeito de estufa - encoraja os principais mercados a adotar veículos elétricos e as respetivas infraestruturas de carregamento.

As previsões feitas pelos diferentes países, os anúncios feitos pelos fabricantes e os cenários conhecidos sobre a implantação de veículos elétricos indicam boas perspetivas para que o número destes a nível mundial varie entre 9 milhões e 20 milhões até 2020 e entre 40 milhões e 70 milhões até 2025.

A empresa concebeu a nova infraestrutura a pensar numa produção em larga escala de carregadores rápidos e para reforçar a capacidade exportadora da Efacec para mercados como os dos EUA - país com o maior número de carros elétricos em 2015 - e da Europa - a Noruega é o país com a implantação mais bem sucedida de veículos elétricos em market share ( 29%). Seguem-se a Holanda (6,4%) e Suécia (3,4%).

Dianteira da tecnologia

«Os produtos Efacec de mobilidade elétrica estão em mais de 40 países. Isto ilustra a dispersão de geografias em que estamos, evidentemente mais centrados em países da OCDE. Mas estamos nos quatro cantos do mundo», aponta ao SOL o presidente executivo da empresa, para quem a Efacec é uma «referência mundial de tudo o que se faz em engenharia». Esse «continuará a ser um desígnio que está na mobilidade elétrica», um setor «que demonstra a ambição de uma empresa que quer estar sempre na dianteira da tecnologia».

No segmento da mobilidade elétrica, os principais clientes da Efacec são as marcas automóveis - que têm escolhido os carregadores da Efacec para o suporte ao desenvolvimento e teste - e os operadores dos pontos de carregamento enquanto entidades responsáveis pela instalação, disponibilização, exploração e manutenção destes. Como o carregamento elétrico já é incontornável nas estações de serviço, as principais empresas deste setor também são clientes.

Na inauguração da unidade de mobilidade elétrica, na Maia, o responsável, que assinalou também os 70 anos da empresa, lembrou que a Efacec continua a ser um «grupo dedicado à conceção de produtos e serviços para a transmissão e distribuição de energia, presente em todo o mundo para equipamentos e setores tão diferentes como a energia, a indústria, o ambiente e a mobilidade, onde incluímos o transporte ferroviário e a mobilidade elétrica».

A Efacec é uma empresa portuguesa presente em mais de 90 países e 76% da sua atividade é resultado de exportações. São mais de 2300 os colaboradores da empresa, 2000 deles em Portugal. Ao SOL, Ângelo Ramalho revela que «a maior parte do talento é português - e é esse talento português que estamos a exponenciar», mas a «Efacec tem 350 pessoas fora de Portugal e a maior parte não são portuguesas».

Empregador de referência 

O CEO acrescenta que a Efacec vai «incorporar cada vez mais talentos de outras geografias que obviamente fazem o blending com o talento português e vai-nos permitir avançar mais depressa e antever, se possível, aquilo que sejam as tendências do mercado».

Também Isabel dos Santos - que desde 2015 controla 66% da Efacec através da sociedade Winterfell - apontou que objetivo da empresa é ser «empregador de referência em Portugal, formando quadros capazes de levar as suas competências a qualquer canto do mundo e acolhendo também aqui os melhores talentos internacionais». A acionista afirmou que o negócio da mobilidade elétrica «assume agora uma importância especial na empresa e no país» e que o «lançamento da nova unidade industrial de mobilidade elétrica traduz o protagonismo da Efacec na alteração do paradigma atual».

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