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Extrema-direita pode entrar em governo austríaco

Extrema-direita pode entrar em governo austríaco

AFP Ricardo Cabral Fernandes 15/10/2017 19:29

O Partido Popular Austríaco ganhou as eleições com 31,7% dos votos e iniciará negociações com os restantes partidos. Sociais-democratas deverão ficar na oposição

Os eleitores austríacos deram este domingo a vitória ao Partido Popular Austríaco, liderado por Sebastian Kurz, ao obter 31,7% dos votos. Os Sociais Democratas de Christian Kern alcançaram 27%, enquanto o Partido da Liberdade, de extrema-direita, teve 25,9%, não atingindo o seu objectivo inicial: superar o seu melhor resultado eleitoral de sempre, que ocorreu em 1999 ao conquistar 26,9% do eleitorado. 
 
O partido de Kurz poderá procurar entendimentos com a extrema-direita, caso os sociais-democratas decidam ficar na oposição. Esta eventualidade não seria inédita no sistema partidário austríaco, pois na sequência das eleições legislativas de 1999 o partido entrou numa coligação governamental com os conservadores do Partido Popular, legitimando e normalizando o partido na cena política austríaca. O contexto político no final do século XX era substancialmente distinto do de hoje, em que a extrema-direita tem avançado eleitoralmente no continente europeu, como na Alemanha, Grécia, Holanda, Reino Unido e França. 
 
A vitória do Partido Popular deve-se em grande parte à remodelação de posicionamento e de discurso efetuados por Sebastian Kurz assim que tomou a liderança do partido, virando o cenário político austríaco à direita. O líder austríaco colocou o tema da imigração no topo da agenda partidária, inclusive prometendo acabar com a "imigração ilegal", aplicar cortes nas prestações sociais a imigrantes que vivam há menos de cinco anos no país e encerrar creches muçulmanas. A extrema-direita chegou inclusive a acusar o Partido Popular de se apropriar dos seus temas. 
 
A adopção de temas geralmente associados à extrema-direita por partidos do apelidado centro político tem sido, nos últimos anos, uma constante. Receando perder eleitorado para a extrema-direita, adoptam as suas posições, normalizando os discursos xenófobos e racistas.
 
Nas próximas semanas Kurz negociará com os vários partidos a possibilidade de formar uma coligação governamental, sendo que o seu principal interlocutor deverá ser o Partido da Liberdade. Caso uma coligação entre os conservadores e a extrema-direita se venha a materializar, é de presumir que o novo governo austríaco assumirá uma posição mais dura no que concerne aos refugiados e aos imigrantes, algo que tem acontecido nos países da Europa de Leste, como na Hungria. 
 
O Partido da Liberdade foi fundado nos anos 50 do século passado por um antigo nacional-socialista e membro das Waffen SS, Peter Friederich. De acordo com um reconhecido caçador de nacionais-socialistas, Simon Wiesenthal, Friederich esteve envolvido em execuções em massa no tempo em que serviu nas Waffen SS. O nacional-socialista abandonou a liderança do partido em 1978, apesar de ter mantido o controlo da organização até pouco antes de falecer, em 2005. 

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