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As peças que faltam no puzzle terrorista da Catalunha

As peças que faltam no puzzle terrorista da Catalunha

AFP António Saraiva Lima 26/08/2017 09:17

Polícia catalã procura juntar os vários pontos de uma investigação que se estende cada vez mais para fora do território espanhol para esclarecer todos os planos da célula jihadista de Ripoll.

Enquanto em Barcelona, em Cambrils e um pouco por toda a Catalunha se tenta voltar à normalidade, pouco mais de uma semana volvida do duplo atentado terrorista, que fez 15 mortos e mais de cem feridos nas Ramblas e naquela localidade próxima de Tarragona, as autoridades espanholas e, particularmente, os Mossos d’Esquadra, trabalham dia e noite com o objetivo de juntar todas as peças de um puzzle que ainda se encontra incompleto.

Para já sabe-se que os ataques terroristas foram levados a cabo por uma célula jihadista formada na pequena localidade catalã de Ripoll e composta por 12 membros. De acordo com a Polícia da Catalunha, quatro encontram-se detidos e os restantes oito estão mortos, incluindo o imã Abdelbaki Es Satty – o alegado mentor do grupo –, Younes Abouyaaqoub – o condutor da carrinha branca que semeou o terror no centro de Barcelona – e os cinco atacantes de Cambrils.

Os testemunhos dos membros detidos e de outros conhecidos da organização terrorista permitiram concluir ainda que as mais de cem botijas de gás butano encontradas na casa de Alcanar, na sequência da sua detonação acidental no dia anterior aos atentados, estavam a ser armazenadas para um ataque mais ambicioso a «monumentos e igrejas de Barcelona», uma hipótese que oferece mais perguntas que respostas às autoridades.

A morte do imã de Ripoll e de outros membros da célula na explosão obrigou a uma mudança de planos, pelo que se procura agora descobrir que alvos estariam debaixo da mira dos terroristas – a Sagrada Família de Barcelona poderia ser um deles – e de que forma seriam levados a cabo os ataques.

Além disso, o diâmetro das investigações alargou-se significativamente nos últimos dias, com a descoberta da existência de deslocações recentes de membros do grupo a países como França, Bélgica, Suíça ou Marrocos, e obriga os Mossos a refletir sobre eventuais ligações entre a célula de Ripoll e outras redes terroristas internacionais. Quatro jihadistas – incluindo Abouyaaqoub – viajaram até Paris, cinco dias antes dos atentados, e suspeita-se que essa deslocação terá servido para ultimar os preparativos dos ataques. Por outro lado, Satty viveu durante o ano de 2016 na localidade belga de Vilvoorde – apontada pelas autoridades locais como um ninho de radicalismo islâmico – de onde terá sido expulso pelas autoridades locais, devido a suspeitas sobre o comportamento.

As investigações permanecem, portanto, abertas, por entre os elogios do presidente do Governo, Mariano Rajoy, à atuação dos Mossos d’Esquadra, num comunicado ao país, ontem à tarde, em que admitiu ainda a hipótese de «modificar o Código Penal para combater o jihadismo» e apelou à «unidade política» na luta contra o terrorismo.

Para este sábado está marcada uma nova manifestação no centro da cidade de Barcelona, convocada sob o lema «No tinc por!» (‘não tenho medo!’ em catalão). Para além de Rajoy, também o rei Felipe VI, o presidente da Generalitat da Catalunha, Carles Puigdemont, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, ou o líder do Podemos, Pablo Iglésias, vão marcar presença na marcha contra o terrorismo.

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