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Demissão. A palavra que a esquerda deixou de usar com a geringonça

Demissão. A palavra que a esquerda deixou de usar com a geringonça

Miguel Silva Luís Claro 10/07/2017 08:26

BE era o campeão dos pedidos de demissão. Nos anos de Passos pediu a saída de, pelo menos, seis ministros. Sócrates também não escapou

É um clássico da política nacional. Quando o PS está no poder, a direita pede a demissão de ministros envolvidos em polémicas. Quando a direita governa, os socialistas também se tornam mais exigentes com a conduta dos governantes e pedem a substituição daqueles que têm problemas nas áreas que tutelam. A novidade é a postura da esquerda que, desde o aparecimento da geringonça, deixou de pedir a demissão de ministros.

O Bloco está certamente entre os partidos que mais pedidos de demissão fizeram nos últimos anos. Os quatro anos em que Passos Coelho governou são disso um bom exemplo: pelo menos seis ministros teriam ido para casa mais cedo se dependesse dos bloquistas.

As polémicas não são novas. A greve dos professores, em 2013, lançou a confusão na hora de realizar os exames e muitos alunos não os fizeram. Catarina Martins, no verão desse ano, pediu a demissão de Nuno Crato, em conferência de imprensa, com a acusação de que falhara “redondamente quando apostou tudo em pôr professores contra alunos. É um ministro que não tem condições para continuar à frente do Ministério da Educação”.

Rui Machete, Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque, Álvaro Santos Pereira ou Jorge Barreto Xavier foram outros dos governantes que viram o BE pedir a sua demissão.

A atual coordenadora do Bloco, que na altura liderava o partido com João Semedo, também deu a cara pelo pedido de demissão, no início de 2014, do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. “O senhor secretário de Estado ou foi cúmplice de desrespeito da lei ou quebrou a lei e, por isso, não tem condições para permanecer no governo”, disse a deputada bloquista, depois de o Tribunal Administrativo de Lisboa ter decidido que o despacho do secretário de Estado da Cultura que permitiu a saída da coleção Miró do país era “manifestamente ilegal”.

PS também nao escapava

O Bloco de Esquerda é mais ativo nos pedidos de demissão quando a direita está no governo mas, antes da geringonça, o PS também não escapava. Francisco Louçã, por exemplo, pediu a demissão da ministra da Educação Maria Lurdes Rodrigues, no primeiro governo de José Sócrates, por se mostrar incapaz de resolver “a crise que criou no sistema de educação”.

Helena Pinto, deputada do BE, pediu a substituição de Rui Pereira, da Administração Interna, devido à polémica com o cartão do cidadão que provocou o caos e impediu alguns eleitores de votarem nas presidenciais de 2011.

PCP mais contido 

O PCP tem sido mais contido nos pedidos de demissão. Os comunistas não deixaram, porém, de pedir a de Maria Luís Albuquerque no auge da polémica sobre os contratos swap. “Entendemos que uma governante que mente ao parlamento não tem condições para continuar no governo”, disse, na altura, o deputado comunista Paulo Sá.

Desde que nasceu a geringonça e a aliança inédita entre o PS e os partidos à sua esquerda, o Bloco e o PCP não deixam de criticar o governo de António Costa, mas até agora nunca chegaram ao ponto de pedir a demissão de um ministro. A tragédia de Pedrógão Grande e o roubo de armamento em Tancos levaram a esquerda a exigir “responsabilidades políticas”, no caso do BE, e “a retirada de consequências”, no caso dos comunistas. Nenhum dos partidos usou, porém, a palavra demissão.

 

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