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FIA. A feira onde todas as culturas convergem

FIA. A feira onde todas as culturas convergem

André Vinagre 30/06/2017 14:12

Tapetes marroquinos, porcelanas chinesas, bijutarias espanholas, tecelagens açorianas e móveis de Mafra. O país e o mundo estão expostos na 30.ª Feira Internacional do Artesanato de Lisboa.

São três pavilhões dedicados à cultura e ao artesanato. Três pavilhões repletos das cores e cheiros de 40 países diferentes. Aqui, tudo se vende.

É Faisal quem nos recebe no início do pavilhão da gastronomia. Tem 17 anos, está de fones nos ouvidos e com uma bandeja de frutas cristalizadas na mão, a dar a provar aos visitantes os doces da sua terra, Marrocos. A cultura marroquina está bem representada na Feira Internacional do Artesanato (FIA) e “tem suscitado interesse” aos portugueses, diz. “Quando provam as nossas frutas cristalizadas, acabam por comprar.”

O terceiro pavilhão é onde os cheiros são mais intensos: morcela assada, farinheira, chouriço, queijo e caldo verde. Clara e Vítor não resistiram: “Chegámos agora e viemos logo lanchar, estava tudo ótimo.” Entre os pavilhões ouve-se “Angels”, de Robbie Williams, numa versão tocada em flautas de pã, tradicionais dos Andes.

O pavilhão 2 é dedicado ao artesanato internacional. Não fossem as enormes vigas brancas no teto da FIL e poderíamos pensar que estávamos num bazar marroquino. Mesmo numa quarta-feira à tarde, o frenesim é grande. São 40 países juntos em cerca de 10 mil metros quadrados. Há de tudo: tapetes, brincos, pulseiras, malas, lenços, porcelanas e até aspiradores.

Ainda assim, Mohamed está desiludido. “Este ano está a ser muito mau, há muito menos gente. As pessoas compram menos do que no ano passado”, diz-nos, enquanto se desculpa para ir mostrar os seus tapetes marroquinos a uns visitantes que se aproximam.

Michel concorda com Mohamed. O espanhol que veio de Madrid para vender bijutarias na FIA confessa que, apesar de esta ser a primeira vez que vem à feira do artesanato de Lisboa, estava à espera de mais gente. “Mas estamos a gostar muito, tem havido uma boa aceitação por parte do público português e muitos acabam por comprar”, refere. E há sempre quem queira regatear: “Alguns pedem para baixar os preços e muitas vezes baixamos os preços mesmo sem as pessoas pedirem”, diz Michel.

A francesa Cat, de origem chinesa, também está na FIA pela primeira vez. Vende porcelanas chinesas e, num inglês rudimentar, diz que “está a ser giro”. “As pessoas têm estado interessadas e a comprar”, acrescenta.

Ao fundo do pavilhão encontramos uma banca cheia de matrioscas. Atrás estão sentadas três senhoras russas que acabam a falar-nos sobre a importância da feira: “É muito interessante que países diferentes apresentem as suas culturas aqui. Muitos estrangeiros apenas sabem coisas acerca da cultura russa através da internet, mas aqui é giro porque eles podem ver ao vivo e até comprar”, diz-nos Evgeniya. E compram mesmo? “Nem tanto…”.

No pavilhão 1, dedicado ao artesanato nacional, as regiões apostam forte na promoção das suas tradições. A banca dos Açores é a mais imponente: as estruturas de madeira são mais altas do que quaisquer outras neste pavilhão, servem para divulgar a madeira criptoméria, típica do arquipélago, e são usadas na secagem do tabaco. Patrícia Cambois utiliza uma destas estruturas para promover os bordados, mantas e tecelagens da região. A açoriana diz que “há pouca gente” e que quem passa “não compra”. Mas “não vemos a FIA só com o objetivo de vender, mas também de fazer contactos”, diz, recordando a sua passagem pela feira de Lisboa de há três anos: “Na altura comecei a fornecer uma loja em Lisboa e já este ano estabeleci contacto com uma loja em Paris.”

João Canhoto já vem à FIA com os Móveis Canhoto há duas décadas: “Isto começou tudo com o meu pai a vir para cá há mais de 20 anos e nós seguimos-lhe as pisadas.” O que João Canhoto apresenta é ebanisteria, que consiste no fabrico de móveis a partir de madeiras finas, como o ébano, uma arte “que já evoluiu muito”. Quanto à feira, João Canhoto mostra-se mais satisfeito: “Noto uma ligeira diferença para melhor. O evento está mais amplo, as pessoas vêm de todos os pontos do país.” “Este é um dos maiores veículos de promoção do artesanato tradicional”, conclui.

Dália Palma, gestora da FIA, explica ao i que esta edição até está a correr melhor comparativamente com os anos anteriores: “A nível de visitantes, estamos ligeiramente acima do ano passado. Em termos de expositores, também superou as nossas expetativas e também temos mais metros quadrados ocupados do que no ano anterior. As nossas expetativas até ao fim da feira são de 110 mil visitantes, 10% a mais do que na edição anterior.”

Para a gestora do evento, “o objetivo principal da feira é promover o artesanato português, receber a cultura de mais de 40 países e fazer um cruzamento de sinergias e experiências entre o que é nacional e o que é internacional”.

Apesar da aposta nas bancas nacionais, que continuam a despertar interesse, o pavilhão internacional é o que suscita mais curiosidade: “Há a curiosidade de conhecer os produtos estrangeiros. Os portugueses já conhecem o galo de Barcelos, portanto não é tão procurado como o stand do Uruguai, por exemplo”, diz Dália Palma.

A 30.ª Feira Internacional do Artesanato de Lisboa tem 640 expositores e uma área total de 30 mil metros quadrados, e a organização espera que passem por lá 110 mil visitantes. A FIA termina no próximo domingo, 2 de julho.

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