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Irrequietos com muito gosto. Eles têm uma causa e entregam-se a ela

Irrequietos com muito gosto. Eles têm uma causa e entregam-se a ela

shutterstock Jornal i 20/04/2017 11:52

De pequenino se torce o pepino e eles ganharam o gosto pela irrequietude quando estavam a estudar. Movidos pela energia típica da juventude, eis alguns dos millennials irrequietos que se dedicam a uma causa.

Pelo fim da precariedade

Henrique Chaves 25 anos, Lisboa

Estudante de mestrado em Sociologia, sofre de irrequietude desde pequenino. Militante da Juventude do Partido Comunista de nacionalidade brasileira, quer ver o mundo mudar para melhor.

“É a vida que a maioria das pessoas leva que me irrequieta. Sem grandes condições económicas, cada vez mais precárias no trabalho, que limitam planos futuros, que destroem os sonhos e se tornam uma angústia constante. Saber que grandes empresas e monopólios económicos aumentam as suas riquezas com base nesse cenário. Não dissociado disso, são grandes empresas e monopólios que beneficiam das guerras, do surgimento de políticos racistas, xenófobos, machistas e homofóbicos, entre outros problemas. Como tal, sinto que não devo estar de braços cruzados e por isso procuro lutar no dia-a-dia para transformar a sociedade e o mundo. Já há anos que milito na JCP e no PCP. Procuro discutir e esclarecer-me sobre a situação que vivemos, participo ativamente em manifestações e faço parte da direção da Frente Anti-Racista. Acredito que todos podemos contribuir para a mudança”.

 

O amor ao próximo é o lema

António Clemente, 31 anos, Abrantes

Quis que a sua relação com a Igreja não terminasse com o fim da catequese. Hoje dirige a associação Juventude Mariana Vicentina onde pode cumprir a sua missão e lutar pela sua causa solidária.

“Depois de terminar a catequese e fazer o crisma, senti que esse passo só fazia sentido se passasse à fase seguinte: de evangelizado a evangelizador. Só assim cumpriria o objetivo do sacramento, a de ser discípulo missionário. Foi aí que conheci a Juventude Mariana Vicentina, onde sou atualmente presidente nacional, e onde fui inspirado pelos modelos de Nossa Senhora e de São Vicente de Paulo. O meu principal objetivo com a minha presença na Igreja e junto dos jovens é o de dar o testemunho. Faço questão de acompanhar sempre os jovens dos vários grupos existentes no nosso país, de ser uma presença constante a nível nacional e nos encontros internacionais. Visitamos e fazemos missão em lares, creches, em instituições com pessoas com deficiência, distribuímos refeições a sem-abrigo e refugiados, e ainda alargámos o trabalho através da nossa Missão Renascer Pra Esperança, em Moçambique”.

 

Ela saltou da escola para as ruas

Beatriz Farelo, 17 anos, Lisboa

A geração Z também está cheia de irrequietos e este é um exemplo. Quer viajar pelo mundo e estudar os vários modelos de ensino. Participa em diferentes tipos de manifestações e acredita que um ativista nunca se pode calar.

“Sempre me mostrei muito irrequieta face a situações de injustiça, e em mim isso vem aliado à proatividade que desenvolvi nos escuteiros. Para quê esperar anos, ou talvez séculos, para que alguém faça, se esse alguém posso ser eu? Se quero ver a diferença feita, porque não começar por mim? A minha entrada e convivência num ambiente de ativistas fantásticos, os livros e documentários que li e vi abriram-me os olhos para a realidade: a mudança é possível (tanto que já foi feita noutros países e comunidades) e o caminho para um futuro novo pode ser construído. Entrei em contacto com mais pessoas que me fizeram perceber que não estava sozinha nesta luta. Nasceu então o Movimento Estudantil Democrático. Pretendemos que toda a comunidade educativa participe na construção de um sistema educativo melhor e diferente, e que a nossa voz chegue ao Ministério da Educação”.

 

Millennial a presidente 

José Alfredo, 30 anos, Ponte da Barca

Tinha 26 anos quando foi eleito presidente da União de Freguesias de Touvedo, em Ponte da Barca, pelo PSD. Vê o cargo como um serviço público e não como uma profissão. A experiência foi “tão boa” que agora é candidato numa lista.

“Sempre estive envolvido no associativismo académico, desde a escola à faculdade, fiz voluntariado na Cruz Vermelha e antes de ser presidente da junta estive oito anos na Assembleia Municipal de Ponte da Barca. Estudei Direito e a questão do poder local sempre me apaixonou bastante, é uma causa na qual eu acredito e daí ter-lhe dedicado todos estes anos. Ser presidente de junta tão novo numa zona tão remota exige-nos sobretudo disponibilidade e bem querença pelo que fazemos. O problema é que, às vezes, é muito difícil em termos de recursos para que possamos levar avante aquilo que pretendemos fazer. A candidatura foi encarada com surpresa mas com confiança. Não vejo isto como uma profissão, porque trabalho como advogado, vejo-o como um serviço à comunidade, até porque o meu salário como presidente da junta é de 274 euros devido ao número de eleitores, o que nem para os gastos costuma dar”.

 

 

Pelos direitos LGBT

Joana Pires, 28 anos, Santarém

Ter crescido num meio pequeno e ser homossexual não foi fácil. Hoje representa a comunidade LGBT_numa associação na qual exerce um cargo da direção. A luta é só uma: integração e direitos iguais para todos.

“Sou secretária da direção da ILGA (_Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, e Transgénero) e sou co-coordenadora do departamento jurídico da associação. Cresci num meio pequeno no meio de uma família conservadora, onde é normal termos a sensação de estarmos sozinhos no mundo assim que começámos a aperceber-nos que somos LGBT. Foi desde cedo que me apercebi que havia direitos que me eram negados devido à minha orientação sexual e, assim que vim para Lisboa estudar Direito, a ILGA estava a organizar um curso lá na faculdade e comecei a trabalhar na associação como voluntária. Quando se começaram a discutir as questões da co-adopção comecei a ser mais participativa até que me convidaram para a direção. A_ILGA faz um trabalho de integração mas também político e de mudança. Só em 2016 é que alcançámos um grau zero de discriminação na lei, 20 anos depois de se ter criado a associação”.

 

O final de um reinado em Santarém

Nuno Mira, 26 anos, Chamusca

Estudou gestão em Évora e em Lisboa, onde desenvolveu o gosto pela política. Irrequieto pelo discurso do medo, do racismo e da xenofobia, quer fazer parte de quem luta por um mundo mais justo e com maior equilíbrio de direitos.

“Quando fui estudar para Évora ganhei o gosto pelo associativismo, ao ser convidado a integrar a Associação Académica. A curiosidade levou-me a procurar o PS. Defendo uma sociedade sem classes, solidária, tolerante, progressista, onde todos temos as mesmas igualdades de oportunidades, independentemente do berço onde nascemos. As eleições autárquicas de 2013 foram a oportunidade de vencer a força política que se encontrava no poder há 34 anos. Tínhamos um grupo muito unido e coeso, apesar de sermos de gerações diferentes, existia uma enorme unidade de propósito e uma esperança inabalável na vitória, ou seja, em vencer a eleição para a Câmara da Chamusca. Como não havia candidato à minha freguesia aceitei o convite e aos 22 anos concorri num universo de 3725 eleitores fiquei a 120 votos da vencer a junta de freguesia, mas o objetivo maior foi cumprido, vencemos a eleição para a câmara”.

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