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Caixa Geral, a cruz de Mário Centeno

Caixa Geral, a cruz de Mário Centeno

Ana Sá Lopes 07/01/2017 15:55

A novela da Caixa Geral de Depósitos demonstrou a total inabilidade política de Mário Centeno.

Há uma velha anedota dos meios políticos onde se conta que em Portugal há vários partidos, o PS, o PSD, o PCP, o Bloco de Esquerda, etc. e o Ministério das Finanças.

Por várias razões, o Ministério das Finanças funciona como ‘um partido’ autónomo, em dissonância com aquele de onde o Governo é originário. Se é verdade que aos ministros das Finanças cabe a parte desagradável da tarefa – basicamente cortar despesa e aumentar impostos – nunca a anedota pareceu tão aplicável como ao ministro das Finanças Mário Centeno. Todo o processo de recapitalização da Caixa foi desde o início envolvido em polémicas evitáveis se o ministro não pertencesse ao partido das Finanças de uma forma tão impressionantemente desastrada.

É verdade que Mário Centeno teve a vitória política de ver aprovada na Europa a recapitalização da Caixa e isso era uma coisa difícil. Mas ter combinado com Domingues as condições ilegais de não entrega das declarações de património e rendimentos foi um erro político incrível.

Houve imensa ingenuidade da parte de Mário Centeno, a começar por ter demorado demasiado tempo a perceber que havia uma lei que era para cumprir. E que ninguém estava acima da lei, mesmo que fosse o seu super desejado gestor António Domingues. É evidente que o erro de ter escolhido Domingues é de Centeno e o erro de ter achado que poderia fazer com que um gestor de um banco público não cumprisse as leis do país também é de Centeno.

ACaixa Geral de Depósitos será a cruz de Mário Centeno. Foi-o durante o verão inteiro e o processo não acabou. Mas é preciso dizer que era difícil encontrar um gestor bancário que se considerasse acima do Estado como António Domingues.

Se é verdade que o mundo se habituou a que os banqueiros e administradores dos bancos se sintam tenham estatutos de exceção, a começar pelos altos vencimentos ganhos em empresas falidas, dificilmente seria possível encontrar personagem tão pouco dotada para o serviço público como António Domingues. A sua decisão de abandonar a administração antes do seu sucessor tomar posse não aconteceria nem na gestão de uma merceearia.

 

 

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